
Ainda não li “Fadas no Divã”, do casal Diana Lichtenstein e Mário Corso, mas a premissa, o conceito e a diagramação são tentadoras.
Há ali dezenas de fábulas, contos e histórias infantis sendo analisadas da maneira mais sensível e menos convencional possível. O que é ótimo em tempos politicamente corretos.
A proposta é narrar a gênese de diversas histórias (de “Cinderela” a “Harry Potter”) e mostrar qual o real significado de suas “lições de moral”. Na verdade, se revelam amorais e totalmente interessantes.
Assim, aprendemos nossa real ignorância diante de cada Gata Borralheira que circula por aí.
Para elucidar o que quero dizer, um breve resumo da primeira versão de “Chapeuzinho Vermelho”, ou seja, um conto recolhido na França por Charles Perrault a partir da tradição oral camponesa do século 17:
- O lobo mata a avó, corta a pobrezinha em várias fatias (quase um sashimi) e despeja o sangue numa jarra;
- a netinha, quando chega à residência da idosa, come essa farta refeição preparada pelo lobo (sem saber, claro, pois o lobo já estava deitado e fantasiado de avó);
- a garota joga a própria roupa no fogo, se deita com o lobo e…”
Chega. Eu mesmo fico horrorizado.
Por isso, quando metrossexuais, uberssexuais ou retrossexuais começarem a aparecer por aí salvando donzelas e dando dicas sobre modas, maquiagem etc., se lembrem da evolução da história e pensem que há muito lobo em pele de cordeiro solto pelas redondezas.
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