
O senhor X (nada a ver com aquele do Fernando Rodrigues que quase atrapalha a reeleição do FHC) é um ilustre barbeiro do centro de São Paulo há mais de 35 anos (“arredonda pra 40, porra!”, foi sua frase ao ler estas linhas). Metódico, rigoroso e ladrão (cobra R$ 10 pra raspar uma cabeleira), não acredita em nada que leve o sufixo “ismo”.
Sua filosofia é a do macho, não do machismo. Sua bandeira é do homem, não do humanismo. Luta pelo capital, não pelo capitalismo.
Fomos procurar o nobre sujeito numa intensa tarde de primavera, atrás (sem trocadilho) de uma entrevista inédita e exclusiva para este site. Se alguém entende do caos que os machos enfrentam, é este cara.
O senhor X é arredio e longe da meiguice de um Edward Mãos de Tesoura, por exemplo. Bem, ele não quis se identificar e falou que “está cagando” para a publicidade que o site possa proporcionar para sua birosca. “Já tenho meus clientes fiéis que confiam na minha navalha”, disse enquanto afiava uma delas e esquartej…, quer dizer, barbeava um corajoso coroa.
Leia a seguir os principais (e únicos) trechos de sua entrevista para o site Macho Pero No Mucho.
MPNM – Vamos começar…
Senhor X – Que merda é essa? Vão gravar?
MPNM – É, procedimento padrão…
Senhor X – Haha… Padrão de hoje… Pra mim, padrão, só a Ana Paula. Uma vez conversei quase três horas com o Samuel Wainer e ele não anotou nada. Depois, publicou coisas tão bonitas quanto as que eu tinha dito. Meninos, gravador é para os fracos. Fracos de memória. Desliguem essa merda e apenas anotem no cérebro todas as vírgulas que eu falar. Prometo pontuar claramente.
MPNM – O senhor corta cabelos de homens e faz a barba de…
Senhor X – Homens, disse bem. Homens. Não esses de hoje, não. Homens de verdade. Saídos de um faroeste de John Wayne, mas com a delicadeza de um Glark Gable. A mistura dos machos, entende? Ah, vocês nem sabem quem foi John Wayne. Dane-se.
MPNM – Pois bem, você acha que existe hoje uma crise…
Senhor X – Crise? Crise? Meninos, eu vivi na ditadura, lutei pela paz na porra do Vietnã, mesmo não tendo nada a ver com aquilo… Eu vivi crises. O macho hoje inventou essa barbaridade de fazer barba com Match 3 e passar creminho pra disfarçar que não tem mais o que fazer.
MPNM – Então você acha…
Senhor X – Acho porra, nenhuma. Tenho certeza. Tire os creminhos e o Match 3 desses sujeitos, e eles voltarão correndo para casa da mamãe. Veja bem, não sou preconceituoso, apenas sei o que falo. O macho hoje é tão macho quanto antigamente. Só que ganhou muito tempo livre. Por isso, inventa essas coisinhas nas horas vagas.
MPNM – Mas você não disse que…
Senhor X – Eu disse, não. Eu digo, eu afirmo, que 99% desses daí que babam por um creminho e falam que são metrossexuais detestam essa baboseira toda. Mas, estão na moda. Hoje, a moda dita moda. Entendeu? Círculo vicioso, meninos. Círculo vicioso. Ninguém quer essas porras todas. Ninguém quer mais um rótulo. Deixem o macho ser livre de novo, cacete. Parem de empurrar isso. Quer saber? As mulheres não curtem, não. Vocês acham que o Viagra existe por quê? Porque elas querem os homens de antigamente. Pra isso existe o Viagra, para ressuscitar os homens de antigamente.
MPNM – Bom, pelo que a gente…
Senhor X – Quer saber? Olha aí… Estou parecendo um deles, filosofando sobre o nada. Chega disso. Vem cá… Isso, sente aqui… Vou te mostrar como ocupo a cabeça… Sem trocadilhos, meninos. Trabalho. E só. Vamos fazer essa barba uma vez na vida… Sente nesta cadeira e esqueça dessas mentirinhas de site… Isso… Você aí, pegue aquela navalha… E desligue essa porra de gravador…
Fim
Nota da redação:
A barba ficou ótima. E o senhor X leu as linhas acima e disse que foi traído pelo gravador. Jamais seria tão politicamente correto.
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