
Algumas mulheres e poucos caras (e Deus, para aqueles que acreditam) são testemunhas de minha admiração por sir Caetano Veloso e mestre zen Gilberto Gil no correr dos últimos anos (e décadas, talvez). Sim, ícones dos metrossexuais. Então, vamos falar deles e, de verdade.
Ainda me lembro da cara de bocó que fiz ao perceber que existia alguém capaz de compor músicas em português e juntar tudo num discaço chamado “Circuladô”. Ou então de cada lágrima meio escondida que teimava em escorrer após escutar pela milésima vez a melancólica “Drão”.
Posto isso (e aquilo) nos buracos certos, hoje não consigo mais engolir frases inteiras desses sujeitos. Sim, ainda acho que o Brasil precisou de várias coisinhas que esses malandros fizeram. E como. E respeito isso. Juro. Tanto que ainda escuto (ok, joguem os tomates agora) seus trabalhos. Estou em outra. Mas, os bichinhos são inteligentes. E cada macaco no seu galho. Xô. Xuá.
Por algum motivo estranho (ainda acredito na hipótese de abdução), ontem tive um desses momentos… Peguei o CD “Tropicália 2″ e taquei na vitrola a canção “Cinema Novo”. Aí aconteceu. E entendi porque hoje dou risada de certas coisas dos malucos. Li o encarte. E há várias frases soltas ditas por eles… Bem, vejam e leiam vocês mesmos:
- Em Carlinhos Brown o sertão vai beira mar e o mar beira sertão.
- Djavan é timbre áspero em nota doce.
- Caruso, Celestino, Lanza, Pavarotti, Domingo -ao escutá-los, soam-me como galos: bons de cacarejar, duros de cozinhar. É necessário um pouco de Sumac ou Callas para amaciá-los.
E outras. Assim é foda separar o joio do trigo. É meio por aí. Falam algumas coisas boas e outras tantas bobagens… Bem, talvez por isso Chico Buarque só abra o berreiro de vez em quando (e dá entrevistas geniais como essas que a Band e a Directv exibem).
Inclusive, o verde Buarque disse que a música popular brasileira como conhecemos na década de 60 virou museu, já foi. Mas isso é outro papo…
Então me perguntam se gosto de Lenine e Zeca Baleiro. Pra mim, é como uma Tropicália 3, cheia de boas intenções, umas frases soltas porretas, mas outras que não conseguimos entender porra nenhuma. Essa necessidade de ser genial a qualquer custo…
Tudo isso porque pensei na atual CPI e no exagero de declarações e ambições e desejos e empáfias e loucuras de todos os lados. Não há medida. Mocinhos e bandidos. Arquétipos. E todos querendo ser brilhantes o tempo todo. E querendo nos convencer da importância de cada coisa…
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