
Aqui está a primeira grande conquista do site MPNM. Não, ainda não ganhamos nada com essas linhas. Aliás, perdemos bastante: dinheiro, tempo e amigos. Porém, faço questão de anunciar (pelo visto, somente pra mim mesmo e para o Gordo) a contratação do magnânimo Seu Noronha que, além de ser meu tio, é um baluarte do macho brasileiro.
Para quem não sabe (como se alguém… esqueçam) o jovem senhor me ajudava constantemente num finado (mas limpinho) blog e, apesar da idade e de um certo rancor em relação ao universo, conseguiu mais simpatizantes do que minha careca figura.
O cidadão mora num sítio em algum remoto canto do Estado de São Paulo (divisa com o Paraná, podem jurar meus pais). Trabalhou na imprensa nanica, maçã e prata na década de 60 e resolveu se retirar da vida social (mas continuou com a mundana), se transformando numa espécie de Hilda Hilst de bermudas cáqui. Até hoje dizem que sua última frase foi: “Saio da história para entrar na vida”.
Hoje convive com dezenas de bichos, pés de mandioca e rios de uísque. Sempre recebe a visita de distintas e interessantes beldades e seu melhor amigo é o pato Vinícius (um animalzinho esperto que se dedica a ler “Dom Quixote” pra entender melhor sua própria loucura).
O fato é: Seu Noronha escreve bem demais e não consegue entender de onde tiraram essa idéia de povoar o mundo com metrossexuais. Inteligente, elegante e culto, acredita numa espécie quase extinta de macho.
A partir de hoje passa a escrever regularmente neste sítio. Seu contrato é renovável a cada 15 dias e não aceita luvas como pagamentos. Apenas meias. Soquetes, claro (para presentear as garotas, óbvio).
Confiram aqui seu pequeno texto de estréia:
“Queridos e poucos leitores do sítio MPNM. Meu dileto e deprimido sobrinho deve ter avisado que a partir de hoje passo a escarrar umas poucas linhas nessas plagas.
O convite veio porque, segundo ele, sou capaz de orientar uma moçada que não sabe mais se é metrossexual, uberssexual, gorilassexual etc. Bom, primeiramente gostaria de avisar que esse negócio de dar conselho não é propriamente meu estilo.
Desde a época em que eu bebia com o Samuel Wainer, percebi que a imprensa adora inventar umas coisas pra deixar a gente confuso, assim somos obrigados a comprar o jornal de amanhã pra esclarecer as dúvidas.
Sinceramente? Esse negócio de metrossexual não existe. Pelo menos eu nunca vi. Quando abandonei o mundo, a cintura da Marta Rocha ainda era o assunto preferido do boteco. Sim, existiam botecos e não “locais com espírito carioca”.
O Tom Jobim podia falar de amor e encher a cara de uísque (como era sábio nosso sabiá). O Vinícius tinha barriga e casou nove vezes. As meninas andavam na praia chupando Chicabon e nós quebrávamos o pescoço em busca não de bundinhas perfeitas, mas de gulosas e humanas estrias.
O único creme era o Rugol. Homem vestia roupa de homem e mulher usava saia. A gente lia umas duas, três horas por noite. O Olivetto ainda não tinha inventado a publicidade. A Bardot gostava do Rio de Janeiro e… Não quero parecer saudosista, pois acredito no Millôr: acho que o mundo só anda pra frente e hoje estamos melhores do que ontem.
Agora, esse negócio de metrossexual, não sei direito o que é não. Vou estudar melhor e logo tento escrever com mais eficácia.
De bate pronto posso oferecer uma experiência interessante. Entrem em qualquer academia, não a de Letras, mas as de ginástica mesmo. Sem precisar. Sem compromisso. Sem olhar para sua nobre pança. Sem querer ginástica.
Apenas entrem e observem. Bem estranho, não? Sim, quase patético. Pois é, crianças. Aqui vai:
NA VIDA, A QUESTÃO NÃO É QUEM OLHA, MAS COMO SE OLHA.
Entenderam? Pois é, prometo ser mais claro na próxima.
Abraços fraternos, Seu Noronha”.
ooooooooooooo seu noronha casa cumigo vai?????