Sexo
26/01/2006 - 17h56
Sexo animal
 Três histórias/notícias que nos fazem refletir sobre o mundo plenamente dominado por forças ocultas (leia-se: metrossexuais e politicamente chatos e corretos).
- Em todas as mesas (de botecos ao Fasano), as madames e até os intelectuais da Vila Madalena (sic) têm um único assunto nos últimos dias: os pingüins do documentário “A Marcha do Imperador”. As dondocas dizem que eles são “fofos”. Os sujeitos da USP mencionam a riqueza cultural da espécie barriguda e barulhenta.
- A pauta é velha (coluna da Cora de janeiro), mas vale a lembrança. Uma cidadezinha do interior da Inglaterra fechou temporariamente uma estrada porque os carros estavam matando todos os sapos que tinham a coragem de atravessá-la. A bondade das autoridades britânicas servia a um único propósito: os bichinhos precisavam ir de um lado para o outro para buscar parceiros/as para um molhado acasalamento num brejo ali perto.
- Moro em frente a uma praça. Diariamente os simpáticos moradores dos prédios da redondeza levam seus cães para passear e fazer necessidades (estas, sempre recolhidas e guardadas em bonitos sacos azuis). Nos últimos dias, vários estão no cio (os bichos, não os donos –acho). Logo cedo, é possível verificar dezenas de rodinhas (compostas principalmente de crianças) torcendo para a cachorrada “pegar barriga” naquele enrosca e puxa.
E daí? O caso é que são exemplos bem sacanas do humano colaborando e espiando a cópula dos outros. O filme dos imperadores não passa de uma grande suruba ao ar livre. Só não é completamente hot porque se passa no meio do gelo. Em resumo: mostra milhares de tarados marchando em busca de um lugar tranqüilo para um encontro amoroso e carnal com uma barrigudinha elegante.
Já a questão dos sapos, apenas exibe a nossa capacidade de facilitar um troca-troca bacana entre os rugosos anfíbios. E dá-lhe barulheira durante a noite.
E o sexo selvagem diário praticado em frente ao meu apartamento… Bem, mais explícito que isso…
Agora, por que tanta frescura quando falamos dessa troca de fluidos entre nós, mortais e dotados de uma inteligência superior?
Hummm… Essa coisa de sublimar desejos olhando a transa dos animaizinhos está me cheirando a problemas no futuro.
Vamos deixar esse negócio de sexo um pouco mais frouxo, que tal? Olhar para o próprio rabo (com trocadilho) pode ser bem didático nesse quesito (a velhinha Sue, consagrada no Brasil pelo GNT, não me deixa mentir).
Portanto, da próxima vez que tentar um palpite sobre sexo, esqueça o rubor das faces, fale pausadamente e lasque seus instintos. Entre quatro paredes, ninguém é normal.
Pingüins, sapos e cachorros estão aí, soltando os bichos, largando a hipocrisia e contando com o nosso apoio. Mas quem poderá nos ajudar nessa?
por Careca
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como se alguém fosse normal fora delas tb…
não se esqueça que a formação e a tradição católica de muitos infuencia essa maneira besta de ficar sem graça na hora de falar de sexo…
a sorte dos bichos é que eles são irracionais, ou seja, literalmente : foda-se. Não é?
Acho tão saldável a cópula entre seres vivos que chego a inveja-los. Porque não podemos praticá-la, como eles, ou seja, quando dá vontade, em qualquer lugar, com quem bem entendermos (sou hetero convicto) e depois ir cada um para seu lado, sem cobranças, inclusive as de conotação financeira?
Como seria bom se os homens pudessem agir como os animais, em suas cópulas carnais, assim se desejassem alguma mulher famosa ou bem gostosa, bastava ficar próximo dela, até ela atingir o cio. Logo teria relação com as mais belas garotas.