
Dizem que nesta época do ano (estamos aqui falando sobre a festa do Momo), as histórias, invencionices e bailes se repetem. E as crônicas de um macho pero no mucho também. Desde que o Pierrô ficou com a Colombina, é tudo a mesma coisa.
Ao contrário do meu dileto amigo Gordo, infelizmente nunca chafurdei nas ladeiras de Olinda. Em compensação, pelo menos uma vez em minha trágica existência tive a oportunidade de enfrentar a maratona do camarote mais disputado do país (não falo aqui de Flora, mas da fauna encontrada naquele cantinho de uma cervejaria na Sapucaí).
Por isso, divido aqui com vocês alguns desses tópicos que presenciei no meio dos famosos. Olha, sinceramente, nem me lembro mais quando tudo isso ocorreu. Mas, não é sempre igual? Então, um Carnaval lá no Rio de Janeiro no cercadinho da B. (não pagam, não falo) é assim:
O CREDENCIAMENTO
A festa começa na fila para pegar os presentinhos (quando fui, um chinelo e um chaveiro), a camiseta que dá direito ao evento e sua credencial. Numa famosa churrascaria, as pessoas se encontram, dizem seus nomes, comem e bebem de graça. Tem gente que participa dessa parte e fica por lá mesmo. Queijos, patês e muita cerveja. E os primeiros palpites para a hora do desfile. Há uma certa esperança sóbria no ar. Todos estão cansados do cotidiano, loucos para cair nas delícias do mundo etílico. Ninguém parece esnobe.
O ÔNIBUS
Aquelas pessoas que você encontrou à tarde, implorando o passe da alegria, já estão bem mais eufóricas no nascer da Lua. Uns gritam, outros ensaiam passos desengonçados e a maioria reclama da fila para pegar a condução que levará todos para a avenida. Não querem perder nenhum segundo da folia. Todos parecem esnobes. Pegar um ônibus lotado no Largo 13 parece ser uma experiência mais próxima da gentileza.
O ÔNIBUS (POR DENTRO)
Metade das pessoas já está bêbada. A outra metade nem sabe em que Estado está (com trocadilho). Um ex-BBB começa a cantar “Brinquedo de Papel Machê”. Uns riem, alguém manda o sujeito escolher outra canção do Milton Nascimento… O aspirante a celebridade diz que a canção não é do Milton, mas do João Bosco. Faz um discurso em homenagem ao novo samba nacional e aos talentosos sertanejos que sempre conseguem se reciclar. Numa curva, o maluco se joga em cima de uma loira siliconada bailarina do Faustão. Metade aplaude. Os outros ficam murmurando “zuzu mundo aqui é meu abiiigo”.
O CAMAROTE
Uma tela de Bosch ou Brugel. O Jardim das Delícias com cheiro de cevada e suor. Todos circulam. Poucos conseguem se amontoar na varanda e assistir às escolas. Sim, o espaço é imenso, você consegue sentar, sambar, comer e beber à vontade. É o que nos resta. Porque a janela para a avenida é para poucos espertos.
OS FAMOSOS
Pelo que eu me lembre, eu era o único que jamais tinha aparecido na TV (certo, quando escrevia um quadro no programa “Fábio Júnior”, às vezes me reconheciam no meio da platéia). Quer saber? Você se diverte. Um fantasma num meio que não o seu. Mas isso também acontece comigo em festas infantis, almoço com publicitários e em baile funk. Portanto, sem novidades.
OS BOATOS
A melhor parte. Principalmente se você ficar ao lado da porta dos banheiros. Alguns que eu escutei: “A WC, neta do Francisco, agarrou um cara no WC. Rarara. WC e WC. Pegou?”; “O Raí catou uma mina enquanto ela passava mal e vomitava no banheiro masculino”; “O Paulinho Vilhena disse que é pansexual”; “Expulsaram sete atores da ‘Malhação’ porque estavam andando pelados pelos corredores”.
MISS SIMPATIA
Nana Caymmi. E não teve pra ninguém. Jogava beijos, viu todas as apresentações, cantava os sambas e ainda olhava pra trás e dizia: “querido, está conseguindo ver? Quer que eu me afaste um pouco?”. Comprei todos os CDs da menina baiana.
OS DESFILES
Quando você consegue arranjar um canto, fique por lá. A TV até hoje não conseguiu capturar 10% do que é um espetáculo desses. O som é ensurdecedor, as mulheres parecem reais e até os carros alegóricos com material reciclável exalam beleza.
OS TROCADILHOS
O tempo todo. Como a maioria ali está bêbada (e, justiça seja feita, a assessoria consegue segurar todos os escândalos) e entre os seus, só falam merda. Como acontece com a gente num caso desses. “Você já viu a Mangueira entrar?” é a frase preferida. Dizem que até o Rodrigo Santoro falou.
A VOLTA
Não lembro. Ou melhor, só recordo que a cada minuto era acordado no ônibus pela risada da Fafá de Belém. E acho que alguém arriscou novamente cantar “Brinquedo de Papel Machê”. E tudo acabou na quarta-feira.
me pareceu bem mais divertido do que na teve…rs