
Olha, estava eu atualizando minhas leituras e cheguei a conclusão que diferentemente dos heróis do Cazuza que morreram de overdose, os meus morreram e morrerão de tédio neste país nádegas, afinal ao contrário do que dizia Oswald ,descobrimos este ano que nem só burguês tem cara de bunda, não é companheiros?
O leitor deve estar se perguntando morreram ou morrerão, quem serão os heróis desse gordo?
Pois bem, meus heróis seguem a linha literária, da herança e tradição irreverente e libidinosa da poética de um Gregório de Matos, o Boca do Inferno, do “portuga” Bocage e atualmente de ninguém menos do que o genial Glauco Mattoso, cujo nome artístico, nossa parece coisa de puta, é inspirado na doença que o deixou cego em 1995, o glaucoma.
Não posso fazer injustiça, portanto sinto-me obrigado ainda a citar Torquato Neto, Paulo Leminski e Chacal, afinal todos eles lutavam contra o provincianismo político e cultural que ainda assola o Brasil, né Gilberto Gil?
Todos eles possuem um sarcasmo que eu invejo, capazes de atrair para si a fúria da Igreja, do Estado e tudo o mais que se atribua autoridade neste “paizinho” cheio de “doto”.
Gregório de Matos e Bocage foram geniais em seu tempo e a imbecilidade de parte de seus contemporâneos lhes foi cruel, mas idiossincrasias históricas a parte, cá entre nós, existe poeta mais queer do que um Glauco Mattoso?
O cara é cego, homossexual, sadomasoquista e pedólotra e faz questão de reafirmar isso em sua literatura sem escorregar no piegas de militar ou levantar esta ou aquela bandeira, fator importante de se louvar em tempos de Bono Vox Chupa Toda, afinal, convenhamos de frente para Ivete Sangalo quem não chupa?
Escrever com paixão tem sido o objetivo deste site, garanto a todos vocês, obviamente nem sempre estamos inspirados, via de regra quase sempre conseguimos ser até engraçados, mas a paixão a confrontar este mundo idiotizado é que move nosso desejo de escrever compulsivamente como forma de exorcizar os sapos nossos de cada dia em uma novena babaca que parece não ter fim.
Cada vez mais, fico convencido de que Leminski bebeu até morrer porque não suportava a imbecilidade e arrogância de seu tempo, assim como Torquato matou-se por não se conformar com a institucionalização da imbecilidade, a idiotice já começava a virar patrimônio nacional, que o diga a Imelda Marcos da cultura brasileira, o chefe da Bahia, Caetano Veloso.
É triste mas é verdade! Em tempos de Brokeback Mountain existe afronta maior a “inteligentsia” em ser sexualmente politicamente incorreto como um Galuco Mattoso que não é um gay galã ao sabor da classe média verde e amarela globalizada, afinal burrice é como gripe aviária ninguém liga até ver que ela bate na sua porta.
Ao Glauco, gostaria de celebrar sua produção intelectual que enfrentou os jornalões com a edição de Jornal Dobrabil, sátira direta ao Jornal do Brasil, que representava os interesses da elite intelectual dos anos 70.
Transgressão é a palavra-chave de nosso tempo acomodado, e isso sobra a todos os autores citados neste texto, que singelamente quer ser uma homenagem àqueles que tombaram diante da opressão da burrice da maioria e aqueles que seguem incomodando os imbecis, entrincheirados muitas vezes apenas no seu intelecto combativo, desmanchando o coro dos contentes. A todos vocês, muito obrigado!
Nenhum comentário ainda.