
Leio texto de Ivan Lessa na “Playboy” e descubro que o biquíni faz anos (com duplo sentido) agora em julho. Num tempo em que bolhas, nádegas de marmanjos e pernas peludas dominam o noticiário, nada como assoprar velinhas em homenagem a essas duas peças fundamentais para a evolução do olhar.
Uma camufla o alimento do homem. A outra cobre e protege a gênese de todos nós. Pois bem, há 60 anos essas doces figuras desfilam por aí, atormentam o desejo da rapaziada e deixam as mocinhas cada vez mais próximas de dominar o mundo.
Não à toa a vestimenta ganhou o apelido de um atol onde praticavam testes nucleares. Ora, bolas, e existe roupa mais atômica do que o biquíni? Algo pode causar tanto espanto e destruição quanto uma rapariga dançando nas nuvens a bordo dessas duas peças?
Pena que eles já se foram, mas Vinícius e Jobim (quanta pretensão) assinariam embaixo destas linhas. Pois a “Garota de Ipanema” seria uma das músicas mais requisitadas e sedutoras do planeta sem o biquíni? Pois é. E vou mais longe, se permitem as puristas. Se Deus criou a mulher, o biquíni inventou Brigitte Bardot.
Também penso em deixar beijos aqui para as doces sacanas Marly e Arlette, que em 1948 se tornaram as duas primeiras moças a usarem as peças em território nacional (pelo menos é o que diz Ivan).
Duas Joanas D’Arcs do Posto 6 carioca, prontas para serem queimadas pelos olhares atônitos da tchurma da avenida Atlântica. O mundo é feito de pessoas assim, loucas para experimentar a vida e mostrar que o corpo é sagrado e a carne é fraca.
O biquíni nada mais é do que a volta a um passado natural, o retorno aos contornos de Pero Vaz de Caminha, que se aportasse agora no Leblon escreveria a mesma coisa sobre as índias e suas vergonhas.
Vamos comemorar esse aniversário das peças mais sem-vergonha de nosso cotidiano. Malandras, atrevidas, sublimes, as duas juntas fazem a diferença.
Eis uma grande notícia para toda a humanidade. Copa do Mundo que nada. Quero mesmo é estourar champanhe pelo biquíni das meninas.
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