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Sexo

20/06/2006 - 11h27

Nova dupla de ataquel: “Pelanca” e “Ronalducho” já!

Falando em cerveja e gordo, meu amigo Careca, lembrei da personagem daquele comercial que fala que com “ela”, a cerveja, tudo fica redondo e resolvi propor para fazer dupla com o “Ronalducho”, o simpático “Pelanca”, que pelo menos faz gol, não é mesmo?

Uma coisa não dá para dizer é que a tal cerveja mente. Afinal, o “Ronalducho Número 1” está redondo, pena que seu futebol tenha ficado quadrado. O leitor pode ficar confuso, afinal a que deixa tudo redondo não é a Número 1. Verdade, mas tudo bem, só porque a multinacional é nossa, não deixa de ser tudo a mesma coisa, não é mesmo?

Engraçado, época de Copa deixa todo mundo patriota Aliás, patriotada é algo que pega mal falar hoje em dia, todo mundo com sua cerveja na mão esquerda, mãozinha direita no peito entoando mal e porcamente o hino que não foi aprendido ao longo de uma vida de fronte ao telão do boteco “Bo…”, quase que faço merchandising de outra marca de cerveja daquela nossa multinacional, boteco bom, pronto concertei a tempo.

Vocês repararam como até mesmo nossas manifestações mais genuinamente populares, estão tornando-se superficiais, vamos nos ater a santíssima trindade da brasilidade: samba, futebol e cerveja.

No samba, há muito o povo participa quase como uma indulgência da classe dominante, lembram daquela música do “Chico”, aquela da ditadura e do jardim, que foi pisado e você não disse nada, até que entraram na sua casa, lembra?

Com o samba foi assim, primeiro tiraram do morro e colocaram na rua, depois tiraram da rua e colocaram na Apoteose e só entrava quem pagava, depois tiraram aquelas beldades de ébano à frente da bateria e colocaram estrelas de novela, depois você pode comprar sua fantasia pela internet e ai daquele que ouse entrar no camarote como um tal ex-BBB sei lá quanto, que sai um comentário maldoso que fulano foi barrado na revista de fofoca.Também quem mandou não estudar para virar celebridade.

Agora o futebol, nosso mais importante espelho do que nós somos, criativos, irreverentes, muitas vezes nosso deboche ao adversário é tamanho, que beiramos o sarcasmo, Mane Garrincha que o diga. Nosso futebol não tem mais vez quando a Copa torna-se a expressão máxima do termo “globalização”.

Dane-se nosso futebol, dane-se nossa identidade, o que ganha jogo é resultado. Ah, os técnicos são um capítulo à parte, tenho saudades do João Saldanha, jornalista de um outro tempo, que enfiava o “ferro na cinta” para defender suas opiniões e o que dizer agora, quando chamam o técnico de professor, burocratizamos nosso jogo.

A cerveja, esta oitava maravilha do mundo, também passava pela nossa garanta muito mais desavergonhada, sem tanto comprometimento com o resultado, ela era nossa companheira das horas felizes e dos momentos mais tristes.

Pena, bons tempos aqueles, pois agora ela ou deixa tudo redondo; ou tem mania de grandeza e se diz a Número 1; outra virou guia gastronômico de boteco; enquanto outra grita aos quatro ventos que você deve bebê-la porque ela é brasileira, mas como todo bom brasileiro não paga imposto, viu o sol nascer quadrado; ainda há outras ainda que ficaram sofisticadas e são servidas como iguarias nas montanhas do eixo Rio-SP-MG.

Tristes tempos os nossos, não?!



por Gordo

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