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Sexo

05/07/2006 - 20h55

Mulheres classificadas: Antônia

Chega de Copa do Mundo. Os brasileiros precisam acabar com esse negócio de ser pé-frio (por isso o Roberto Carlos estava arrumando a meia, para não dar sopa ao azar). Torcem para os canalhinhos, eles perdem. Torcem por Portugal, ele perde. Torcem para que o Lula funcione, ele enguiça.

Chega. Falemos de algo mais palpitante e alucinante: as mulheres. Em busca de uma compreensão da alma feminina (pensei em entrevistar o Chico Buarque, mas ele parece estar ocupado), este sítio resolveu contratar o Nelsinho, um amigo vagabundo e solitário com mania de escrever pornografia.

Como tanto o meu tempo como o do Gordo é escasso e raro, passei uma missão para o sujeito: fazer entrevistas curtas com mulheres das mais diversas profissões e estirpes em busca de um entendimento mais profundo sobre que catso as mulheres pensam sobre os homens.

Quem sabe após esses encontros teremos material para um livro ou quadro no “Superpop”?

Enfim, eis o primeiro texto do nobre colega. Diz o sujeito que partiu de um anúncio nos classificados para tentar alguma explicação sobre o que significa esse caldo que une os sexos.

MULHERES CLASSIFICADAS – ANTÔNIA

ANTÔNIA COROA SAFADA

36 a. bela morena, escandalosa. Vadia. Faço só A. 1 h s/parar. Beijo na boca. Faço pq. gosto.

- Por favor, a Antônia?

- Sou eu querrriidoo. E você?

O sotaque era da Marlene Dietrich em “O Anjo Azul”.

- Também sou eu.

- Rará. Espirrrrrituoso. Vou desligarrrr.

Enérgica. Exatamente o que eu esperava ao ler seu anúncio.

- Não. Escrevo num site. Quero apenas conversar.

- Eu não converrrrrso. Eu trrrrrepo.

- Eu sei… Quer dizer, me parece que sim, por causa do anúncio…

- Só coloco anúncio porrrrrque não há homens, querrrrrido.

- Ehr… Sei. Você acha que…

- Eu não acho querrrrido. Tenho cerrrrteza. Ou ficaria calada.

- Então você não se considera uma prostituta?

- Rararará.

Ela esticou a risada e quase consegui perceber seu olhar resumindo cada segundo de suas travessuras.

- Sou o que você quiserrrr querrrrido. Por uma hora, claro.

- Sem parar?

- Sem parrrarrrr. Não há homens livres por aí querrrrrido.

- Você pode me explicar isso?

- Uma frrrase de efeito se explica sozinha, querrrrrido. O homem só trrrrepa quando sabe que está pagando, que domina, que aquilo não significa a prisão do matrrrrimônio e do amor. Então, só eu sinto o verdadeiro homem livrrrre.

Fiquei em silêncio. Ela prometia anal, beijo na boca e escândalos. Acabou me oferecendo filosofia.

- Querrrrido?

- Ehr… Então…

- Cerca de 150 reais. Bom pra você, excelente pra mim. Tenho pena delas, querrrrrido. Delas que jamais conhecerrrram o homem. Aquele que está em casa, de pijama, esperrrrrando o “Jornal Nacional”, não existe. É uma marrrrca, um logotipo, um desejo, mas nunca um homem.

- Então você quer dizer que só as putas sabem como um homem…

- Vou atenderrrr a outrrrra linha. Adeus, querrrrido. E quando quiserrrrr entenderrrrr o homem, me procurrrre. Pessoalmente. Anote aí: só as putas conhecem o homem livrrre.

E me deixou ali, com o tu-tu-tu espirrando lascívia nos meus ouvidos. E, como toda boa (com trocadilho) filósofa, jogou muitas questões e nenhuma resposta. Continuarei minha cruzada. Os homens sempre tentaram entender as mulheres… Mas as mulheres sabem o que são os homens?



por Careca

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