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Drogas

29/08/2006 - 10h51

Sair do sistema

Sempre que acessamos o programa que possibilita publicarmos as sábias bobagens que escrevemos (e falo aqui de mim e do Gordo), fico intrigado e feliz com um comando que atende pelo nome de “sair do sistema”.

O “sair do sistema” é a tal “saída pela direita” do Leão da Montanha (o do desenho mesmo). É o “lavar as mãos” do Pilatos. É “sair sapateando e assobiando” do meu amigo Marchelino.

“Sair do sistema” é aquele código que permite concluirmos (ou abortarmos) todas as atitudes que cometemos a partir do momento que validamos a nossa senha. É entrar numa pausa consentida, é dar um tempo.

“Sair do sistema”, de certa maneira, é zerar a brincadeira, pular fora da jogada. É como falar: “Ok. Basta! Quero encerrar essa vida e começar outra, mas amanhã. Por hoje é só pessoal. That’s all folks”. Tudo sem mais explicações. Eu quero e pronto.

Imaginem se, depois de “sair do sistema”, o computador perguntasse: “Como assim? Fica mais um pouco. Vamos discutir a relação, pô! Sair do sistema logo agora que eu estava chegando lá?”.

Os computadores são bem mais espertos do que a gente porque eles encerram os sistemas. Eles não sonham, não desejam, não querem (menos os psicopatas cheios de fios criados pelo Phillip K. Dick).

Elas (as máquinas) param com aqueles chips e bytes todos e realmente “saem do sistema”.

Para nós, mortais, é como se pudéssemos ter o pleno comando sobre nossa existência. Como se acordássemos e clique: “sair do sistema”. Pronto. Um dia longe desse negócio todo (e sem nenhum tipo de represália).

Há um filme por aí chamado “Click”, em que o mocinho é um controle-remoto de condão (recuperem –e pra isso que serve- na Internet artigo do Veríssimo sobre o tema). Pois bem. Estou escrevendo uma peça de teatro chamada “Sair do Sistema”, que segue os preceitos de usarmos a tecnologia realmente a nosso favor.

Pois eu queria muito “sair do sistema” por uns tempos. Entrar no estado de espera e ficar exibindo aquelas formas geométricas do Windows quando este descansa. Eu queria ser uma machine?

Há pouco tempo vi um belo documentário de Joel Pizzini e Paloma Rocha sobre a realização da obra-prima “A Idade da Terra”, de Glauber Rocha. E acompanhei a exposição de Marilena Chauí sobre as origens da política num ciclo denominado “O Esquecimento da Política”. E confesso que essas coisas todas só me deram mais vontade de “sair do sistema”. E não por eles, mas por acreditar que precisamos de mais pessoas com pensamentos glauberianos e chauinianos. Está difícil agüentar essa ignorância toda de “Vejas” e “Folhas” por aí.

ASSIM ELES FALARAM…

E agora bate mais do que nunca a máxima de Ovídio: “Vejo o melhor e aprovo. Faço o pior”.

NÃO ESQUECI, NÃO…

E prometo publicar em breve a minha (árdua e dolorida) pesquisa sobre barangas e gostosas. Mas, para não perder o hábito e ainda não “sair do sistema”, as mulheres gostam ou não de ser chamadas de “gostosas”? E, se gostam, vale mais o momento ou a pessoa que faz o elogio? É elogio? Ou ofensa?



por Careca

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