
A mulher estava aos prantos no banco da praça. Minto. Ela se debulhava em lágrimas e em clichês. “Pranto” não capta a essência daquele choro. Nenhum Houaiss, nenhum Aurélio, nenhum Larousse, ninguém ainda existiu para inventar uma palavra que definisse a cena.
E eu fiquei ali. Voyeur da solidão. Fascinado e paralisado por lágrimas sinceras. E elas me interessavam.
Não existe nada mais comovente do que uma mulher chorando.
Demorei mais de três décadas para perceber a verdade escarrada e ululante da máxima: “homens não choram” (boy’s don’t cry, para o mundo globalizado).
Claro que os moleques não abrem o berreiro. Ou melhor. Os meninos vertem seus líquidos pelos olhos sim, jogam suas secreções por aí, mas são sempre de crocodilo. Daqueles jacarés bem malandros, traiçoeiros, que hoje estão felizes da vida com o fim do Steve Irwin.
Mas o choro de uma pequena, não… Este dói demais. É lava que cobre tudo. É o maior pesadelo do macho. Coloque uma donzela chorando em rede nacional e você mudará o mundo. Se um dia a Fátima Bernardes chorar copiosamente ao se despedir do “JN” e colocar a culpa no governo, ela com certeza será levada nos braços do povo para o Palácio do Alvorada no dia seguinte.
Sabem por que a paz não dá o ar da graça no Oriente Médio? Porque a Condoleezza Rice não chora com sinceridade. Se ela desse como migalha uma lagriminha… Não teria Hamas, Hezbollah, Fatah, Israel, nada.
Diante de uma mulher que chora, o homem deixa de existir.
Sim, por que o que é a secreção lacrimal de uma dona? É o completo abandono, é o fim da proteção, é o desastre do macho, é a insegurança, é o desespero por se encontrar sozinha, é pau, é pedra, é o fim do caminho.
Como (sem trocadilho) o Gordo tão bem (e sacanamente, devo dizer) explicou por aqui outro dia, biologicamente os homens devem cuidar de suas garotas. Ponto. Não tem rima que diga algo ao contrário.
Nós saímos por aí marcando gols, distribuindo bordoados, comprando vidas, f%#@%o existências, apenas para conquistar, contentar e copular com nossas pequenas. Ah, e o C mais importante: Cuidar.
Mas quando a gente pisa na pelota… Ah, minhas amadas leitoras… Elas choram. Abrem a boca e pedem clemência. Olham para o céu e gritam feito Sacarlett O’Hara em “E o Vento Levou”: “Eu juro que secarei minhas lágrimas, mas jamais passarei fome… de homem”.
Uma mulher que chora pode, deve e consegue tudo.
O choro feminino é o sinal molhado da fraqueza, inconstância e fracasso do homem. Sei, sei… Existem aquelas que se aproveitam disso. Mas será que são realmente mulheres? Com M? Ou aquelas tais Maçãs podres jogadas no saco pela crueldade divina?
Mulher que chora é bonito de se ver. Mulher que chora nos deixa mais próximo do sagrado, nos mostra que a vida precisa de cuidados, de carinho, de afago na cabeça, de cafuné.
O choro das mulheres é a pororoca da condição humana. É o caminho da redenção. Se a gente ler cada lágrima com atenção, abriremos uma picada (sem duplo sentido) em busca da generosidade e da esperança. Vale mais do que qualquer vidente.
Literalmente, a solução do mundo está na cara.
E tenho agora uma idéia iluminista: um livro sobre o choro feminino. Provarei que tudo (TUDO!) o que moveu a humanidade foi provocado por lágrimas de mulheres. Cada vez que uma pequena chora, evoluímos.
E ela ficou ali. Aquela do começo deste artigo torto. Ela desligou o celular, olhou para o céu (quem poderá nos salvar?) e chorou. Buááááá. Um choro que não inventaram palavra para comunicar sua dor.
Fiquei. Sabia que não existiria ajuda além das lágrimas. Depois que ela se secou por dentro, partiu. Até esboçou um sorriso para ninguém. Ela tinha se recuperado. E tonto daquele que perdeu a cena.
Só o choro das mulheres pode nos salvar.
gosto muito das piadas quero contar uma piada sb
Estou esperando.
Amei esse artigo! Eu q sou uma chorona de natureza me emocionei ao descobrir que ainda existe homens que se preocupa com nós mulheres. Chorar faz bem e nos alivia ante as tristezas que de vez em quando temos que suportar.