
É sempre assim. Em tempos de miséria intelectual, social e sexual, surgem os falsos messias, os Jesus de ocasião, os santos de pau (com trocadilho) oco.
Em época natalina então, encontramos um falso profeta e um presépio de picaretagem por esquina. Por isso, meninas, cuidado. Farejo no ar o NEOCAFAJESTE.
Guardem essa nomenclatura: neocafajeste. Repita baixinho, pra decorar: neocafajeste. Escreva no papelzinho cor-de-rosa que você sempre carrega para anotar o telefone daquele príncipe desaparecido: neocafajeste. E capriche na letra e use cores berrantes.
Vou aplicar o didatismo das folhas.
O que é: neocafajeste é o cidadão que se aproveita das trevas para dar porrada por aí e bancar o machão in-natura. Um tipinho desagradável que não encontrava guarida em nenhum dos mundos, mas agora se atreve a sair da toca em busca de sangue, suor e lágrimas.
Não é segredo pra ninguém –talvez só para as editoras que insistem em nos recusar- que os metrossexuais e as frescurites dominam grande parte do planeta. Na ditadura dos creminhos e da sociedade desprovida de gêneros, o politicamente correto serve de cartilha.
Só que toda ação gera uma reação. Isto eu lembro das aulas de física lá do Santo Estevan. Recordo também que usei a mesma proposição para roubar o beijo de uma pequena. Mas deixemos a enrolação para outro artigo.

Acontece que hoje os homens estão queimando cuecas boxer por aí. Cansados de tanta bobagem –observem que não uso o termo “viadagem”- esvaziam as últimas latas de cerva e partem para o ataque.
Este sítio faz parte desse movimento antropológico e vibrante. Somos espécies de Proust em busca da virilidade perdida. Sartres do novo milênio. Nietzsche zoando o bem e o mal. Darcys Ribeiros gritando “viva o gorilassexual brasileiro”. Ou seja, temos um baita embasamento teórico. Apostamos na liberdade de expressão, nas piadas sacanas e na ironia gostosa.
Sabemos que não dá pra bancar o machão das cavernas. Essa história de puxar a garota pelos cabelos já era. Não tatuamos a bunda nem eliminamos as rugas, mas compramos flores e abrimos a porta do surrado veículo.
A gente faz o que pode. Embaralha o jogo e tenta garantir nossa barriguinha de cada dia. Cada um na sua. E todos juntos na hora do bem bolado.
Aí surgem os neocafajestes. Sujeitinhos arrogantes, desprovidos de inteligência e metidos a sabichão. Eu sei que você conhece muitos jornalistas com essas características, mas eles não são necessariamente neocafajestes.
Este surge das cinzas, como uma Fênix que cospe veneno. Ele observa que a humanidade está carente de um pouco de macheza e banca o salvador.
O neocafajeste é um Hitler borra-botas, um Stálin da guerra dos sexos, o Mao do século 21, o Pol Pot dos trogloditas.
Quando tudo parece perdido, ele manda ver nos tabefes, dizendo que a terra precisa ser semeada com um pouco de grosseria.
E, com as pequenas carentes, eles se lambuzam e dominam o coreto. Não caiam nessa.
COMO RECONHECER O NEOCAFAJESTE
O neocafajeste acha que tudo se resolve na pancadaria e adora salpicar de palavrões o seu discurso. Com grande carência lexical, tudo pra ele é “do grande caralho”. Quando não entende algo, proclama um “foda-se” e se retira.
Não lê, não vai ao cinema e não trepa. Pra ele, absolutamente tudo “é coisa de viado”.
O neocafajeste tem obsessão pelo próprio corpo. Acha que pode curar as chagas de todos seus antepassados. Seu mantra é “ganhe dinheiro, seja do mercado, seja herói”.

De vez em quando folheia livros de auto-ajuda. Não torce pra nenhum time de futebol (“coisa de viado”). Não sorri (“coisa de viado”). Não faz uma gentileza (“coisa de viadíssimo”). Não gosta de viado (“coisa de viado”).
Pensando bem, o neocafajeste tem uma estranha obsessão pelos viados.
Para eles, ser homem é repetir os fracassos e cultuar as cagadas.
Cuidado. Esses neocafajestes não são homens de verdade. Têm lá suas barbas, seus bíceps e levam um e outro lixo pra fora. Mas carregam toneladas de ignorância no estômago.
Começo a observar alguns nas ruas, sem focinheiras. E felizes da vida, pois a tchurma está sentindo falta de macho nas paradas de sucesso.
Cuidado. Em breve, aqui no MPNM, você acompanha um emocionante relato de uma vítima dos neocafajestes.
E, se souber de algum atacando nas redondezas, pode nos escrever que levaremos o caso para as autoridades competentes.
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