
Nosso homem (ui) na Europa envia mais um texto explosivo –ou, como diriam os machos do século passado, “nitroglicerina pura!”. Como se não bastassem os problemas legais enfrentados por este sítio, o intrépido sir Big Ben resolveu cutucar (sem duplo sentido) um bispo londrino.
Assim, o repórter e articulista menos metrossexual do planeta começa a publicar as infindáveis listas dos melhores de 2006. Ou seriam “os piores”? Leia você mesmo.

O bispo do ano
Por Big Ben
O calendário do pub indica que se aproximam as festas de fim de ano, então está na hora de começar a fazer piadas sobre o saco do Papai e de compilar as listas dos melhores de 2006. Dou o pontapé inicial às premiações do MPNM selecionando o simpático Tom Butler, de Londres, como Melhor Oficial de Ordens Religiosas (Cristãs ou de Outras Congregações).
Butler é o bispo da paróquia de Southwark e na semana passada mostrou que, apesar de seus 66 anos e de ter passado a maior parte da vida usando roupas bem suspeitas, continua desempenhando com galhardia as atribuições do macho moderno. Ele foi uma animada recepção de Natal na Embaixada da Irlanda, tomou umas e outras, mais umas e mais outras, e ao deixa o recinto, talvez afetado pela azeitona de uma empadinha, acabou se perdendo pelas ruas de Londres.
Fazia um frio de rachar catedrais. Nada mais compreensível, portanto, que, ao ver um carro destrancado, e ainda por cima uma Mercedes, o bispo não tenha pensado duas vezes antes de se instalar no banco de trás e tirar uma soneca. O alarme do carro tocou, e logo o proprietário, acompanhando de um bando de sequazes, surgiu à janela pedindo satisfações. “Sou o bispo de Southwark, e este é o tipo de coisa que eu faço”, rosnou Butler.
Tratava-se de uma chusma de infiéis, porém, com os quais se mostrou inútil qualquer tipo de arrazoamento. O bispo foi retirado do carro, não sem antes apresentar feroz resistência, e acabou de cara no chão. Ao deixar o local, cambaleante, o bravo Butler apresentava no rosto, como prova de seu martírio, um rastro de sangue.

Até aí nada demais. O que fez o nosso bispo garantir o prêmio supracitado foi sua reação no dia seguinte. Na melhor escola do macho impenitente, negou qualquer conhecimento sobre o caso.
“O que aconteceu com a cruz que vossa excelência estava carregando ontem na festa, sr. bispo?”
“Não sei. Sumiu.”
“E vossa agenda eletrônica, e vosso telefone celular?”
“Boa pergunta. Acho que fui roubado. Sacristão, avise a polícia.”
Ele gostou da desculpa e logo estava denunciando o roubo aos fiéis em pleno sermão. Mas, quando o caso começou a ficar mais claro, a turma começou a duvidar da palavra do nobre prelado, e ele teve que usar outra tática clássica: mandou ver uma palavra comprida para confundir a patuléia.
“Não estou em condições de dizer dogmaticamente o que aconteceu”, disparou, surrupiando-se enquanto repórteres, fiéis e carolas consultavam o dicionário.
Grande bispo. Sabe-se lá o que ele ainda está conseguindo esconder. E por favor, entenda-se que o pobre rapaz não tinha outra saída: bispo anglicano pode casar, e a patroa estava em casa esperando uma satisfação.
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