
Glorinha pintava as unhas conforme seu humor. Se estava furiosa, jogava um vermelho incandescente nos dedos. No dia da segunda vitória do Lula, iluminou as mãos fazendo algumas estrelinhas.
Todos sabiam os códigos da Glorinha: rosa para conquistar alguém; areia quando estava zen; roxo se queria provocar confusão; francesinha para pedir paz; preto para ser do contra etc.
Um dia Glorinha chegou pra trabalhar com as unhas completamente em branco. Nem base. Algumas até roídas. Todas descuidadas.
Nicanor foi o primeiro a reparar. Na hora do almoço, comentavam escandalizados sobre as unhas limpíssimas, mas sem cores, da Glorinha. Ninguém ousou perguntar o que tinha acontecido. Ela parecia distante e pediu pra ir embora mais cedo. Disse que era devido a alguns “problemas femininos”.
No dia seguinte, Glorinha não apareceu. Nem no outro.

Uma semana depois chegou a notícia: Glorinha tinha se matado. Ligou o gás, enfiou a cabeça dentro do forno e ficou por lá mesmo. Não deixou carta nem bilhete. Simplesmente tinha se retirado desta para uma outra.
Foi Nicanor quem fez o discurso no enterro. Comoveu a todos quando, num ímpeto de poesia e insuspeitada eloqüência, definiu a amiga: “Glorinha usava cores nas unhas para explicitar suas vontades ao agarrar a vida todos os dias. Agora sabemos o que significa para ela um dia sem cor. É a desilusão e a morte. Glorinha não deixou palavras para que pudéssemos compreender seu drama. Não precisamos. As unhas brancas e tristes de Glorinha compõem seu bonito testamento. No dia em que surgiu com as mãos pálidas, era como se pedisse ajuda. Nós nada dissemos. Foi a prova que ela precisava. Glorinha se foi porque sabia que ninguém conseguiria compreender seu drama”.
No mesmo dia, à tarde, todas as mulheres da repartição pintaram as unhas. Cada uma de uma cor, refletindo humores e diferentes jeitos de encarar a existência.
Hoje, se alguém chega sem unhas pintadas, imediatamente ganha a atenção de todos. A Claudinha mesmo apareceu com a unha do dedão toda roída. Imediatamente as amigas largaram os afazeres e consolaram a mulher, que passou a tarde chorando de saudades do Horácio, seu marido que acabara de se mandar para o Ceará.
E Nicanor começou a escrever um livro sobre a importância das unhas pintadas nas pequenas. Estou louco pra ler. Pois tenho aqui meus receios quando encontro uma mulher que não liga para as unhas.
ahhhhhhhhhh vaaaaaaaaaa
ai andre, q historia! eu as vezes nao vou na manicure por pura falta de tempo ou preguiça.
mas se roer a unha…isso é vero…algo está errado!
opa, acabei de ver q estou sem esmalte e de unha roida.
:-O
ihhhhhhhhhhhhh.. entaum tem alguma coisa errada comigo.. pq eu nunca pinto as unhas.. nem a base.. mas eu ainda to aki.. será q eu to bem?? O.o
nem vou falar nada, porque na verdade nem reparo que tenho unha. Sera que tenho vida?
Nadia essa é para pensar
Afff… nem lembro q tenho unhas!!!!! Mas nunk me esqueci de viver!!!!
Nossa.. isso é verdade minhas unhas dizem tudo, quando estou bem elas não estão ruidas e sempre pintadas com desenhos, mas quando estou na crise nem sei o que é unha ou esmalte!!!
¬¬\’
COMENTÁRIO:
Também acho.
Careca
ai ai ai
nossa um pouco pode ser verdade…
mas eu não paro de roer unha, as vezes pinto elas…
e nem por isso estou de mal com a vida a ponto de fazer o que fez a Glorinha!
COMENTÁRIO:
A Glorinha é uma matáfora ambulante. Mas vale a pena ficar de olho nela. Beijos,
Careca