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Sexo

05/02/2007 - 10h47

Havaí: vou ou não vou, eis a questão! (Férias de Macho)

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Lembro-me como se fosse ontem, há um ano, escrevia neste sítio sobre as minhas férias que haviam sido curtidas no México, como isso tem sido uma tradição nestes 360 e poucos dias do ano não farei diferente neste resplendoroso início de 2007.

Neste ano “I expended”, adoro essa palavra inglesa para falar sobre o tempo passado em férias, por exemplo, gastei o mês de janeiro entre o Havaí e a Califórnia. Isso mesmo, morram de inveja, homens, mulheres, gays, lésbicas, transgenêros, simpatizantes de todos ou de um só deles e qualquer outro rótulo que inventem para diferenciar e segregar um ser humano do outro, afinal a inveja nos une, não é mesmo?

Como sei que minhas queridas leitoras e meus atentos leitores devem ter notado, (apóstrofe) com marmanjo eu sou mais seco mesmo, gostaria de desculpar-me pela ausência e como ao ler relatos desesperados de leitoras intrépidas e inconformadas sobre uma possível falta de homem na praça, vou contar passo a passo como são as “Férias de Macho”, assim ao conhecer um cabra, seja pela internet, pelo telefone, no trabalho ou na balada você pergunta como foram as férias dele, de forma interessada e descontraída e pode dispensa-lo antes de uma noite memorável de broxidão e chatice caso a resposta dele não se encaixe nesta categoria.

Férias de Macho começa na escolha do local, de preferência tem de ter algum desafio, nesta foram as célebres e temíveis ondas havaianas de inverno que variam de 4 pés até 40 pés na remada e podem chegar aos 60 pés em Jaws, em Maui, no surf de reboque.

Definido o local é hora de traçar uma estratégia de suportar o desafio que você vai encarar, no meu caso foi um ano de academia, fazendo musculação todo dia e natação 3 vezes por semana e um mês antes de viajar uma clínica intensiva de apnéa para suportar o maior tempo possível embaixo d’água, eu cheguei aos 3 minutos e 45 segundos sem respirar, nesta etapa e dado o desespero do sujeito, este Gordo que vos fala, foram 5 vezes por semana e 2 horas por dia sem contar os exercícios no carro de controle da respiração. Aqui vale um salve, ao camarada Cristhian da ApneaSports, veja o site ….

Não é jabá, devo minha vida a este sujeito.

Tudo isso sob o olhar zeloso e calmo da minha mulher, a Baby, que perguntava toda vez, mas isso é mesmo necessário?

Como se não bastasse essas coisas todas, mandei fazer duas pranchas, duas obras primas do surf contemporâneo, uma com o camarada de birita Zóio, shaper da W/Zoio, que mora com o meu amigo Bodinho, ou Babão, o apelido varia conforme o local e o ano que você o conheceu e a outra com um camarada de Mongaguá, o Davi, da DHUX, que faz todas as pranchas do meu irmão Gabilu, surfista experiente que já encarou Peru, México e Indonésia.

Bem pranchas prontas, corpo pronto, segue rumo ao local, para esta escolha também tem de ser macho afinal além da passagem ser cara, para um pobre jornalista como eu, são 24 horas até lá, conexões para cacete e aquela poltrona apertada que faz um sujeito grande chegar ao destino podre, devo ressaltar ainda que não basta voar você tem de carregar as pranchas num saco chamado sarcófago, sentiram a ironia?

Isto dito, você dorme mal e no primeiro dia sob os efeitos do jet leg, são 8 horas de diferença, você pega sua prancha e rema em direção ao seu destino.

O primeiro dia você não acredita que exista onda daquele tamanho, você rema, dependendo de onde você foi, levará até 45 minutos de remada até lá, vai olhando os corais bem debaixo de você e pensando como aqueles seres vivos tão bonitos ao mergulhar podem ser tão cruéis com quem surfa.

Chegando no local você sente uma terrível dor de barriga, isso mesmo, você tem vontade de defecar, seu coração parece que vai sair pela boca de tanto que bate e aí você rema de novo para o canal e fica olhando. Vou ou não vou, eis a questão!

Você lembra do seu ano de esforço, das dicas do seu professor de apnea tenta controlar sua respiração, pois só assim o corpo irá te obedecer e de repente seu coração começa a bater devagar de novo, você vê um cara pegar uma onda e voltar com um sorriso estampado na cara e você volta para o local onde elas estão quebrando.

Você olha no horizonte e tenta escolher uma daquelas ondas, há de ter uma para você, é como escolher uma mulher, há sempre uma que foi feita para gente, vocês viram a minha Baby, como ela reage às minhas excentricidades, né?

Escolhida a onda é hora de remar, você tem que esquecer de tudo, a única coisa que importa é sobreviver e você rema desesperadamente com o intuito único de completar aquela missão, foi muito sacrifício, muito empenho, e você desce, você erra, é natural, até mesmo o Kelly Slater, muito raramente é verdade, erra e o cara ganhou 8 mundiais de surf.

Você gira, você roda, você não sabe se está de cabeça para cima ou de cabeça para baixo, imediatamente vem um desejo de sair de lá e respirar, mas você lembra que você agüenta e quanto mais afoito e angustiado você ficar menos oxigênio seu corpo terá, então finalmente tudo parece momentaneamente se acalmar e você consegue subir, sim você sobe e olha no horizonte mais uma onda e você sabe o que deve fazer, mas você está vivo e está feliz, só lhe resta ir novamente para baixo com o máximo de oxigênio que você conseguir botar para dentro até tudo se acalmar e você remar novamente para o pico.

E depois disso, quando você sabe que não morreu, você rema feliz e tem certeza que uma hora você vai acertar e pegar a sua garota, ops, a sua onda e ficar feliz e ligadão para o resto da vida. Não é mesmo, Baby?

PS: O máximo que eu tive coragem de surfar foram 10 pés havaianos, uma perfeição, mas há ondas maiores para surfistas mais experientes e menores para quem está começando. Enquanto estive por lá um californiano que morava no North Shore há 5 anos morreu em ondas de aproximadamente 25 pés de face em Sunset.



por Gordo

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