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Rock'n roll

20/03/2007 - 10h24

A lição de Maria Antonieta

O novo filme de Sofia Coppola, “Maria Antonieta”, deve constar do manual básico da educação sentimental de todos os homens. Mais do que ter momentos fofos (argh!) para as moçoilas – duvido alguma pequena não gemer de prazer com aqueles sapatos, vestidos e cachorrinhos -, a filha do poderoso chefão ferra os machos de tudo quanto é jeito no seu longa-metragem.

Vale a pena fazermos uma pausa para explicar um pouco o que acontece na tela. Talvez vocês não se lembrem, mas um dia o planeta não falava só em Bush, aquecimento global e BBB. Lá pelos anos 1770 e cacetada, a arquiduquesa da Áustria, Maria Antonieta, teve que se casar com o delfim (neto, mas do rei) da França para assim evitar que as duas nações se estranhassem.

A menina era – bem - menor de idade e encarou um garoto um tanto mal-ajambrado e com nenhum apetite sexual – o gastronômico, em compensação, era uma grandeza.

Tudo isso numa época de derrocada do império, quando os franceses resolveram acreditar em filosofia – não confundam, o Sartre veio bem depois – e invadiram os jardins de Versalhes para tomar o poder – e nem se preocuparam em não pisar na grama.

Lembram agora? Isso mesmo. A Maria Antonieta é aquela que perdeu a cabeça na guilhotina e tal.

Voltando. A Sofia Coppola (do também fofinho “Encontros e Desencontros”) narra essa aventura histórica sob um delicioso ponto de vista: o de uma adolescente que subitamente passa a morar na Disneylândia.

Pois, caro leitor, todos os medos, anseios e loucuras da jovem Antonieta são bem parecidos com os da sua irmã mais nova – ou, e isso é grave, com os da sua namorada/esposa.

E finalmente escrevo um pouco sobre a minha tese. Sofia, a diretora, é uma mulherzinha bem insolente. Isso porque os machos da corte francesa de seu filme são uns néscios. Um bando de acéfalos sem sal - com raras exceções, como o velho farrista Luís XV e um sueco.

maria

Aparentemente, a mulherada ficava meio sem assistência naquele período – parecido com o que acontece hoje, na verdade. Até as músicas são as mesmas. Agora entendo porque esses críticos que têm colunas em jornais dizem que a rapaziada do New Order é “dinossauro do rock”.

Mas que bela lição a madame Maria Antonieta nos dá. Rejeitada pelo maridão, ela procura consolo – com trocadilho – com as amigas safadinhas, com um ou outro cãozinho de estimação e com… Um jovem sueco, claro.

Toda mulher é um pouco Maria Antonieta. Não que as pequenas prefiram aqueles que nascem na Suécia, mas sim porque elas curtem mesmo um afago, uma brincadeira, uma festinha, um pouco de atenção, um flerte, um sopro de amor na orelha, um amasso num canto, um tapinha na bundinha, uma flor, um “vem cá, tesão”.

Vamos citar o velho Nelson Rodrigues? Oba, vamos sim. “A mulher só é feliz, só se realiza, só existe como mulher, no amor. Enquanto vive para seu amor, e consegue realizá-lo, atinge sua furiosa plenitude. Mas, se por azar, ou por qualquer outro motivo, se desvia do seu verdadeiro destino feminino, então se aniquila”, cravou Nélson. E eu complemento: sem o amor, ela se aniquila ou procura outro, meu anjo.

Os homens é que são uns bundões, chatos pra cacete quando querem falar sério e tal e coisa. E o que adianta? Às vezes deixamos o prazer porque o dever nos chama por aí. E a bastilha cai do mesmo jeito. O homem tem que ser tão hedonista quanto a Maria Antonieta.

A mulherada quer mesmo é saudar o Sol, comer doces até a insulina fazer bico, beijar muuuuiiiitttooo, comprar sapatos, se olhar no espelho e, no final, jogar seu corpo num peludo carinhoso.

O recado da Maria (e da Sofia, que dizem fez o mesmo com seu ex Spike Jonze) é: quem não comparece, desaparece.

Sem essa de inventar dor de cabeça, cansaço do trabalho, uma dorzinha na vértebra direita, um calo no dedinho, soninho ou gases.

Eis o bonito recado das Marias Antonietas que passeiam pelos nossos Versalhes: seja homem, rapaz. Ou quem vai perder a cabeça é você.



por Careca

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2 Comentários »

Malô
2007-03-24 11:41:57

Maravilhosa sua crítica ao filme, mas mais marivilhosa ainda, é sua compreensão do universo feminino. Realmente vc acertou em cheio ao dizer que “toda mulher é um pouco Maria Antonieta”. E completa brilhantemente citando Nelson Rodrigues. Mulheres gostam que os homens as notem, as elogiem, as apalpem, as beijem, as assanhem, as comam. Nada daquela trepadinha corrida. Comer requer mtos comportamentos anteriores ao ato, e que são importantíssimos (como os listados)!!! Homem que não é sensível a isso, a esse comportamento feminino, DAN?A (sozinho)!

 
Marta Silva
2007-03-26 12:05:37

hehehe
deu vontade de assitir.
e sim, precisamos de carinho!!

como uma amiga minha me ensinou:
Quem nao dá assistência, abre concorrência!

hehehe
;*

 

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