
O telefone tocou às 3h17 e a tela do celular piscou “Armandinho” com uma fúria digna de um Katrina. Eu ainda não tinha enfrentado o sono nem sonhos intranqüilos, portanto estava pronto para ser devorado pelas lamúrias de um amigo pouco conveniente – e por isto mesmo, um grande companheiro.
Dilacerado pela leitura de “Desesperados”, da norte-americana Paula Fox, achei que o barulho do aparelho era um sinal, um chamado. Provavelmente teria chegado a minha hora. Assim como a personagem principal do livro, eu seria devorado pelo medo e pela falta de coragem de enfrentar o mundo. Eles estavam chegando e prontos para invadir minha existência.
“Acabei de levar um belo pé no traseiro. E de uma mulher alfa, ainda por cima. E sabe por quê? Porque eu sugeri que a gente rachasse a conta, dividisse as despesas do boteco. Quando mencionei o acordo, a mulher se levantou, me deu um tabefe na cara e saiu batendo o salto. Parecia filme antigo. Eu fiquei aqui, mergulhado num triste preto e branco, procurando sondar o inexplicável. Como sou capaz de errar até mesmo o horário da missa das seis?”, Armandinho desabafou logo que atendi – fazendo com que eu abandonasse toda a poesia e importância da minha mísera condição.
“Amigão, deixe pra lá. Não tente tatear a névoa da incompreensão. Essa história de quem paga a conta num primeiro encontro ainda é um dos mistérios mais… Como direi? Misteriosos. Isso. Um dos mistérios mais misteriosos do relacionamento a dois. Sossegue. Vá para a casa e…”, logo o meu interlocutor interrompeu a ladainha.
“Ah, Careca. Foda-se. Se você não sabe, aprenda. E escreva algo a respeito. Quem paga a conta para um amor nascer?”, esbravejou. E, pelo visto, saiu de cena. Até agora, essas foram suas últimas palavras.
Eu não recuso desafios. E fiz uma breve pesquisa. Realmente vivemos em tempos difíceis, de crise financeira e moral. O que não significa necessariamente que um casal tenha que rachar as despesas de um primeiro encontro.

No livro “Os Homens São Necessários?”, de Maureen Dowd, há divertidas páginas sobre o tema. Uns dizem que as pequenas pegam as bolsas depois do jantar apenas para fingir preocupação, pois querem mesmo é ser subsidiadas.
Outros afirmam que a mulher sempre espera que o homem pague a conta, tanto para provar o desejo que o macho sente como para indicar um início de romance.
Consultei algumas fontes totalmente desabonadoras na Inglaterra e descobri que um sociólogo chamado Charles Spencer fez uma pesquisa com 300 casais da universidade de Oxford e divulgou que:
1. Em 150 casos, os homens pagaram a conta no primeiro encontro. Destes, 20 continuaram a bancar as despesas e viveram felizes para sempre, já que eram proprietários de duas offshores e cinco amantes. Outros 30 casais passaram a dividir as contas e viveram pobres para sempre. Os 100 restantes nunca ficaram sóbrios o suficiente para responder ao questionário elaborado pelo professor.
2. Em 50 casos, eles dividiram a conta logo no primeiro encontro. E nunca mais se viram.
3. Nos 50 casos restantes, a mulher pagou tudo logo de saída. E continuaram oferecendo transporte, jóias e cerveja barata, já que os homens eram michês conhecidos por atuarem nos arredores de Picadilly Circus.
Concordo com vocês. O tal Charles Spencer é um impostor - e ruim de matemática, pois reparem que faltam os dados de 50 casais. Mas nos serve para discutir mais um pouco e chegarmos a um acordo. Creio que certas regras sociais e de conduta não mudam, caro Armandinho.
A pequena já teve algum trabalho para aceitar o nosso convite, se arrumar e agüentar nosso papo sobre o Corinthians. Nada mais justo do que ser cordial e, se quisermos ver a garota de novo (pelada, de preferência), bancarmos o primeiro encontro. Hummm… É, isso me pareceu um tanto machista.
Eu não disse que esse mistério era um… Mistério? Está aí outra confusão provocada pelos novos tipos de relacionamento entre machos e fêmeas. Ninguém mais sabe como agir. Nem na hora de pagar a conta. Antes a coisa toda poderia ser dolorida para os meninos, mas pelo menos a gente sabia o que fazer.
Felizmente não sofro desse mal, pois nunca carrego a carteira mesmo.
Aliás, ainda existe o tal primeiro encontro?
Querem saber? O negócio é seguir o instinto. E descobrir o que elas pensam… Ops, me afundo cada vez mais no impenetrável. Acho que vou voltar para o meu livro e desligar o celular.
Não há tantos mistérios assim.Na verdade, é bem simples: se o homem paga a conta no primeiro encontro, as chances de acontecer um segundo encontro aumentam. Se eles não pagam, podem ir tentando vários primeiros encontros, até encontrar uma pequena que goste de dividir assim logo de cara. Mas com certeza era será alfa, bem alfa….Boa sorte! Beijos
Tambem acho de bom costume o homem pagar a conta no primeiro encontro. Depois se rolar um segundo ou terceiro encontro quem sabe.
Melhor a mulher nao pagar a conta logo de cara. Ja imaginou se o cara acostuma???
Beijinho.
Há dogmas que não devem ser contestados: o homem paga a primeira conta. Ponto.
Por isso é sempre bom ter uma lista de restaurantes \”alternativos\” na carteira, daqueles bons, interessantes e baratos, que impressionam a pequena no primeiro encontro sem doer muito no bolso.
O problema, claro, é manter a lista atualizada. Isso dá muito trabalho. Os restaurantes bons, com algo a mais, não costumam ficar muito tempo no anonimato (ou seja, adeus preço bom).
Não é fácil não.
RESPOSTA:
Eduardo,
tanto você como as leitoras acima apostam na tradição. Pois não há Marx, Weber, Durkheim ou qualquer sociologia moderna capaz de derrubar certas regras. Homem, se quiser conquistar uma pequena, tem que pagar pra ver. Será que um dia isso muda? Abraços,
Careca
A grande questão é: pra quê a tentativa de parir algo eternamente natimorto? E pior: pagar pra isso?
RESPOSTA:
Algoz,
certamente uma das frases mais melancólicas que ouvi sobre um primeiro encontro. Eternamente natimorto? Vou pensar sobre. Abraços,
Careca
Pãtz, essa conversa de pagar a primeira conta é uma espécie de seleção natural, pela qual as mulheres já riscam da lista de pretendentes os caras com menos grana que elas.
Pq, afinal de contas, pagar a conta não basta: tem que ser num restaurante que esteja no padrão delas ou acima.
Logo, se vc não tem grana para, no mínimo, manter a pequena no padrão social dela, esqueça.
Nem faça a loucura de gastar todas as suas economias num primeiro encontro só para impressionar a menina. Não adianta jantar no Fasano.
Mais cedo ou mais tarde ela vai sacar que vc é um pé-rapado e vai te rapar da vida dela.
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Já meu amigo Doug, que tbém leu o texto, sentenciou:
- Essa regra apenas prova aquele velho ditado.
-Que ditado?
- Que quem gosta de pinto é veado. Mulher gosta mesmo é de DENH???êêêêeeeero.
Poxa, não generaliza q mulher só gosta de dinheiro.
Falando por mim, eu não me importaria de rachar a conta no primeiro encontro, até porque se o cara tá pagando só pra criar uma imagem falsa de gentleman, que só vai durar o primeiro encontro mesmo, é melhor jogar limpo e cada um banca o seu…
E se tá sem grana, usa a criatividade e invente uma coisa capaz de impressionar a \”pequena\” que não bagunce toda a sua vida financeira…
E se a mulher é do tipo se-não-for-no-melhor-não-serve, ela mesma não é tão boa assim…
; ]
RESPOSTA:
Louise,
dica anotada. Só não podemos abusar da criatividade, ou muito marmanjo irá sugerir um primeiro encontro na casa da futura sogra. Garantia de comida boa e barata. Beijos,
Careca