
“Deus, por favor, livrai-nos dos chatos”, diz uma das personagens de Dalton Trevisan na peça “Educação Sentimental do Vampiro”, dirigida por Felipe Hirsch – em cartaz até novembro no Teatro Popular do Sesi, em São Paulo.
O espetáculo é muitas vezes deslumbrante. Os contos narrados traçam um belo panorama da fértil obra de Trevisan, o vampiro de Curitiba.
O cenário de Daniela Thomas e Felipe Tassara nos convence com um passeio por almas expressionistas e escuras. O elenco é ágil em transmitir emoções a partir das frases cortantes e, em seus melhores momentos, Hirsch deixa o teatro em pé de igualdade com a literatura – com imagens e sons nos impactando tanto quanto as linhas do texto.
As cenas do cinema e aquelas que narram a impotência de Guilherme Weber diante de sua esposa apaixonada refletem uma imperdível simbiose entre criador (Dalton) e criatura (Hirsch).
E os chatos? Eles estão por aí, são muitos e querem nos pegar.
Para quem não tem qualquer familiaridade com a obra do escritor paranaense, em seus livros geralmente enfrentamos a brutalidade do convívio social, a rudeza do matrimônio e a irracionalidade de nossos instintos. Sem interditos, suas personagens esquecem os freios e se embrenham em estupros, assassinatos e xingamentos.
Na peça, o recorte mostra uma impossibilidade da vida conjugal e o sexo aparece invariavelmente como um ato de loucos – o que, muitas vezes, resulta numa formidável comicidade.
E os chatos? Não estão no palco, mas na vida.

Em uma das seqüências de “Educação Sentimental do Vampiro”, acompanhamos a reza de um homem numa provável igreja. Ele pede aos céus que Deus elimine… os chatos do mundo.
O autor da oração até entende os crimes e a brutalidade do planeta, mas e os chatos? Por que os chatos existem? Aí é muita sacanagem. Até perdoamos tanta miséria, mortes, aberrações, assassinos seriais, mensalão, políticos corruptos… Mas, tudo isso e mais os chatos?
E como este sítio é sobre o relacionamento entre homens e mulheres num mundo chatíssimo, nada como recorrermos ao nobre Dalton – que, aliás, vive recluso em sua Curitiba, se esforçando para jamais encontrar nenhum pentelho – e nos ajoelhar para pedir o fim dos chatos.
Pois, embalado pela seqüência, lanço a campanha: “Tire UM chato da sua vida”.
Amanhã mesmo – ou agora, depende de seu estado de espírito e se o alvo estiver por perto – verifique quem pode ser aquele chato que realmente atrapalha.
Pode ser famoso, atriz, apresentador de TV, porteiro, ex-amigo, cachorro, esposa, marido etc. Chegou o momento de fazermos algo, ou o mundo será finalmente dominado por eles.
Sem humilhar ninguém, sem despachar com violência, sem nenhum impropério, nada. Basta fazermos um trabalho interno, de meditação antichato.
Para os crentes, peço que façam as orações seguindo o conto do Dalton. Não custa nada pedir para que Deus - ou qualquer outra força espiritual - dê um chega pra lá na manada de chatos que trota pelo planeta.
Provavelmente um leitor bem chato está pensando: “Beleza, mas qual é o conceito de chato?”. E chato tem conceito? Chato é chato, meu. A gente reconhece pelo cheiro, pelo olhar, pela arrogância, pela petulância, pelos disparates.
Eu mesmo acabei de pensar num aqui. E fiz a minha parte.
Aliás, qual o maior chato do Brasil?
Tire um chato da sua vida e seja feliz.
que fase ein?!!?
Tire um chato da sua vida?
Achei a campanha boa, mas não vou aderir pq sou veementemente contra o suicídio.
RESPOSTA:
Caro Gregor,
sua salvação está no seu comentário sobre os filmes proibidos. Abs,
Careca
Ah, se fosse fácil tirar os chatos de nossa vida…
Poxa, só pode ser um chato???
Beijos!
RESPOSTA:
Mirna,
reformulo o slogan para: elimine UM… de cada vez. Rere. Beijos,
Careca
Ola, Legal seu post. Criei um sistema para mostrar o pagerank em tempo real para blogs. Sao varios modelos de selo para escolher. Para conhecer acesse http://pagerank.s12.com.br. Abracos!