
O show dos Racionais no último sábado foi a prova cabal de como os metrossexuais dominaram o mundo e não entendem absolutamente mais nada do verdadeiro inferno macho. Atenção, vou explicar uma única vez, bem devagar: não se coloca milhares de homens fedidos, cheirados, bêbados e “malacos” no mesmo local, muito menos depois da meia-noite.Convenhamos, só uma alma iluminada poderia explicar o porque de marcar um show do grupo de rap mais amado pela periferia em plena Praça da Sé às 3 horas da matina. Como diria o Robin : “Santa ignorância” .O pior é que o episódio torna forte dentro da Prefeitura o grupo que não quer mistura social, que defende o centro para os abastados e a periferia que fique no seu lugar. Muitos dos leitores vão reclamar, pois sei que as vezes sou repetitivo, mas se o Secretário da Cultura tivesse jogado bola na rua esse episódio lamentável não teria ocorrido.
Agora eu me pergunto, porque a exemplo do que fizeram com os shows de punk rock os Racionais não entraram pela manhã no palco?
Agora eu mesmo respondo: porque alguém achou que a grande atração da virada cultural seria os Racionais embalando a multidão madrugada adentro. De novo, vou de Robin: “Santa ingenuidade!”
Me respondam com sinceridade, como alguém pode arriscar um evento como esse de uma forma tão leviana. O que a direita bronca desse país está falando é que só tem maloqueiro nesse show o que na minha opinião é uma puta mentira.
A grande maioria é um monte de trabalhador açoitado por gente como eu e como você diariamente, mas 1% da multidão que queria cantar aos embalos de Mano Brow e companhia é formada por ladrão, malandro, traficante, que já está habituada a encarar a vida como uma roleta-russa, pois então nesse dia tinha “bala no tambor”.
E quando isso acontece, a coisa explode! Esse tipo de evento é vital para a democracia, por isso não pode ser maculado por violência, é um dos poucos momentos onde rico, pobre, mendigo, malandro, travesti, classe média, intelectual se encontram no espaço público da rua para se divertir e aí bumba, direita bronco 1, socialista utópico zero!
Aliás, aqui cabe um recado para a moçada das raves, pois teve som do bom a todo instante no centro, as nossas “patricinhas malucas” quase não compareceram ao evento, talvez por preferirem um público mais selecionado, na rave daquela marca de cerveja para jovem, mas elas esquecem-se que nas raves de rua que vão na Europa se esbaldam com trabalhadores braçais na Alemanha ou em Londres, o público é o mesmo, mas só porque é loiro de olho azul elas se misturam. Palhaçada!
Entrevistei um mendigo, que aqui será identificado como Jonas, que vive na Sé há aproximadamente 5 anos, durante a Virada Cultural e veja só o que deu:
MPNM: O que você achou desta festa aqui no centro?
JONAS: É legal ver gente bonita aqui no Centrão de noite, mas os polícias não paravam de expulsar a gente de um lado para o outro, foi difícil de achar um canto para dormir.
MPNM: Você viu algum show?
JONAS: Tudo isso aqui é um show, uns meninos com cabelo espetado colorido (punk), uma gente toda pintada (tatuagem), toda furada (piercing). É legal, né?
MPNM: Mas além das pessoas viu algum show?
JONAS: Tomei uma da branca e fui naquele negócio que fica tum,tum, tum, (referência a tenda de Psy), foi um bagulho louco, dancei no meio de um monte de gente e ainda me deram mais uma garrafa da boa.
MPNM: Gostou?
JONAS: Claro, alguém me deu alguma coisa sem eu pedir pela primeira vez desde que fui viver bicho solto na rua. Geralmente aqui no Centro as pessoas passam por mim e nunca me vêem, achei legal o menino dividir a pinga comigo, né?
MPNM: O que você achou do pessoal que veio aqui?
JONAS: Gente boa, que não tem medo da gente, que sabe que a vida de qualquer um pode descambar e terminar como a minha, né? Tinha um monte de mulher com mulher se beijando e também homem com homem, né! Estranho!
MPNM: Por que?
JONAS: É bobagem né? Se eu posso viver na rua, cada uma na sua, né?
MPNM: E o show do Racionais você viu?
JONAS: Não começou a chegar uns caras cheio de maldade, achei que era hora de achar um canto para dormir quieto, só ouvi as bombas e quebra-quebra da onde eu tava, né? Alguém se machucou? Nem fui lá ver, né? Sabe os gambé (polícia) não gosta da gente, né? Gente que nem eu vive tomando dura, sabe?
Agora eu me pergunto, novamente, com tanto “aspone” (Assessor de Porra Nenhuma) em tudo que é lugar, não devíamos ter contratado o Jonas para ajudar na Virada Cultural?
Ta aí, gostei do Jonas. Um Jonas muitas vezes tem muito mais inteligencia que muito, como você disse Gordo, direitista bronco.
RESPOSTA:
Igor,
Concordo em gênero, número e grau. Mas como alguém já disse os direitistas broncos \”não passarão\”. Abraço, Gordo
Cara…
Saí da grande Itu pra ver a Virada e virei a cabeça no evento…
Bacana demais o lance da mistura, mas rola mesmo o problema de que onde tem mta gente de bem (e do bem) tem tb do mal (e de mal).
É foda ver que na mídia o que foi sublinhado foi a ação de uns 10/20 e não de uma massa que se acotovelou nesse final de semana pra mostrar que ainda é possível sair na rua sem ter medo de ser furado.
Ponto pra eles mesmo Careca … e quem perde somos nós!
Um abraço.
RESPOSTA:
Vinissião,
E quem não virou a cabeça e os \”zóio\” neste evento?
É como diz o velho ditado nordestino: \”Rapadura é doce, mas não é mole não!\”
Abraço,
Gordo
Gordo querido,
Concordo com cada palavra! Conseguiram estragar algo que poderia ter sido um belo show! Sou a favor de todas as manifestações culturais e musicais e acredito que teria sido muito diferente o resultado se tivesse sido durante o dia.
Estava lá e vi um monte de jovens e famílias, com criança e tudo, nos shows anteriores. Parece até boicote dos organizadores! Será que estão precisando de pretexto para não realizar mais o evento? Espero que seja apenas a minha impressão e não uma conspiração propriamente!
Todos os outros eventos ao redor da cidade correram muito bem, inclusive os que se seguiram após o tumulto na Praça da Sé.
É excepcional poder andar à noite tranquilamente no centro. Queira Deus, o Diabo e todos os Aspones que a Virada possa acontecer novamente ano que vem!
aquele abraço!
RESPOSTA:
Querida ex-estagiária (que me enche de orgulho),
Fico feliz com a sua participação, mas será que uma Teoria da Conspiração anda em curso? Saberemos em breve, enquanto isso continue nos vendo aqui na web, hein!
Beijo,
Gordo
Faltou inteligência. Concordo.
Mas criticar o Secretário da Cultura de São Paulo não é justo. Obviamente o Sayad não cuidou pessoalmente dos horários e dos locais dos eventos.
O João tem lá seus defeitos, o que inclui a sua aparência metrossexual (só a aparência, pois a alma é de bandeirante), mas burro ele não é. Não o autor de “Que país é esse?”.
Assim, a malfadada pacadaria não é consequência de eventual ausência de contato do Sayad com pelotas na infância. Tampouco de sua barba bem aparada.
Faltou inteligência, sem dúvidas. De algum funcionário da Secretaria da Cultura, seja lá quem ele for. E, inclusive, dos (IR)Racionais MC. Afinal, uma banda mequetrefe o público até atura. Mas uma banda mequetrefe que atrasa mais de 1 hora e meia, afê, essa nem os amigos (bandidos) aguentam.
Deu no que deu…