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Rock'n roll

31/07/2007 - 20h49

Filipino faz clipe de macho e fica famoso

Quem aí viu os vídeos gerados a partir de uma prisão nas Filipinas?

Byron F. Garcia, diretor do Centro de Detenção e Reabilitação da Província de Cebu (CPDRC), nas Filipinas, coloca os detentos no pátio e rege uma coreografia bacana, cheia de entusiasmo, adrenalina e bom humor. Depois grava tudo e enfia na Internet.

São cerca de 1.500 presidiários curtindo e rebolando ao som de “Thriller”, do Michael Jackson, “Radio Gaga”, do Queen, e de trechos da trilha do filme “Mudança de Hábito”.

E, de repente, não mais que de repente, percebemos que aqueles uniformes laranjas guardam homens, pessoas, mentes, sentimentos, talentos, etc.

Saquem só…

Estamos diante de um gênio, um novo Bob Fosse, um Gene Kelly, um Fred Astaire que adora o You Tube, ou de um farsante, um monstro explorador?

Segundo li por aí, o Byron criou essa história para substituir os maçantes exercícios físicos que deixavam a rotina da prisão ainda mais torturante.

Em poucos dias, o vídeo com a coreografia do “Thriller” teve milhões de acessos e chamou a atenção para os trabalhos anteriores da turma.

Não me surpreenderia se todo o caso fosse uma fraude pensada por alguém. Ou se algum produtor de Hollywood já não está aprontando um roteiro para contar a trajetória do Robert Wise filipino (lembram de “Amor, Sublime Amor”, que mostrava a dança dos desprezados?).

Quer dizer que todo mundo pode… Dançar? Curtir? Mesmo tendo praticado os crimes mais hediondos, as barbáries mais… Barbáries? Segundo Byron, ali estão assassinos, estupradores… Uma galerinha da pesada, enfim.

Tive a curiosidade de ler alguns dos milhares de comentários inseridos no You Tube. Boa parte aplaude, outra desce o cacete. Muitos não acham que aqueles sujeitos têm o direito a qualquer coisa parecida com diversão – não depois do que aprontaram.

Espere lá… Mas a tal Internet não serve para integrar, unir o mundo, etc.? Detentos filipinos viram popstars em minutos, voltam a ser humanos, passam novamente a existir depois de requebrar os quadris feito o velho Michael… Temos aí algo de positivo, não?

E mais. Ao provavelmente obedecer às ordens de um diretor de cadeia (e parece que o cara joga duro), os supostos vilões aparecem interpretando zumbis de videoclipe clássico. Pura metalinguagem.

Será que o pessoal que reclama não está perturbado com a revelação dessas imagens? Quantos de nós querem simplesmente esquecer a rapaziada nas cadeias?

Enxergar a terrível condição do outro pode ser um golpe fatal para os que estão por cima do mundo.

A rede mundial de computadores prova mais uma vez ser capaz de inserir profundas questões nas nossas janelas – sobre o papel da imagem, etc.

Alguém já disse que viver é correr riscos.

E o Byron mandou ver. Sem respeitar os politicamente corretos, sem dar muita bola pra torcida, realizou alguma coisa inovadora, estranha e surpreendente. E da invenção nascem novos mundos.

Confesso que o sujeito foi macho.

E o negócio todo não é apenas divertido. É também assustadoramente complexo. Ou não?



por Careca

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