
Todo homem mata até o papa se uma pequena pedir com jeito. Pensei a frase enquanto cambaleava pelas alamedas vazias de uma cidade ausente. Todos dormiam e pensavam no amanhã. Sorte deles não acordarem com os meus gritos de dor. Eu seguia sozinho. A ferida no peito não parava de sangrar. Eu só queria encontrar um lugar onde pudesse descansar. Um canto sem aquele cheiro de dama-da-noite. Sem aquele cheiro de morte.
Sempre quis começar um artigo assim, de um jeitão meio noir. Agora imaginem o Bogart lendo as frases acima e o clima está feito. Podemos iniciar.
O que pretendo dizer, e agora sem rodeios, é que toda mulher carrega no ventre o vírus Femme Fatale. Algumas deixam os sintomas incubados; outras fazem questão de manifestar – fisicamente e emocionalmente – as características desse negócio.
Os machos sempre ficarão perdidos diante de uma fêmea fatal.
Fiquei nessas entranhas após assistir pela milésima vez ao “Pacto de Sangue”, dirigido por Billy Wilder em 1944. Que filmaço, rapaziada. E lá se vão… Cacetada. Mais de 60 anos.
Basicamente o roteiro de Wilder e Raymond Chandler mostra a encrenca que é se envolver com uma dessas mulheres que sabem usar o vírus da sedução.
No filme, Phyllis Dietrichson (Barbara Stanwyck, com um topete de parar o trânsito) se atira no vendedor de seguros Walter Neff (Fred MacMurray e suas calças peitorais). Os dois começam um romance – vale lembrar que a senhora em questão é casada – e elaboram um plano muito simpático: matar o marido de Phyllis e ainda ficar com a bolada do seguro (que será fraudado por Walter).

Tudo muito bem até… Não estrago nada ao comentar que o mocinho (?) morre e, nas suas palavras, “matei por causa da mulher e do dinheiro… No fim, fiquei sem a mulher e sem o dinheiro”. Danou-se. Ei, o the end acontece nos primeiros cinco minutos. Enfim, “Pacto de Sangue” se desenvolve num magistral e longuíssimo flashback.
Voltemos às meninas e seus truques. Como resistir ao pedido de uma dona com cheiro de madressilvas e perna adornada com uma sutil tornozeleira?
Se uma mulher quiser, ela consegue até o impossível.
Pensei nas meninas que circulam por aí e naquela que dorme ao meu lado. E meu coração deu pulos de excitação e alegria. Pois sei que todas podem usar o vírus. E nós não temos o antídoto.
Parei várias vezes o DVD quando a Barbara Stanwyck aparecia. Eu tentava capturar o momento em que o Femme Fatale se manifestava. E às vezes era num olhar; outra num jeito de pedir um gole de bourbon; num toque delicado ao jogar a toalha sobre o corpo; num abanar de cabelos.
Desisti. Era impossível tentar achar uma vacina a partir dos sintomas. Ela era o próprio vírus.

Eu sabia que aquela pequena poderia desmoronar a existência de mais um macho. Eu queria gritar para o Walter e pedir para ele cair fora daquela emboscada, procurar outro colo e abandonar o plano.
Não consegui. Pois, no lugar dele, jamais recusaria um afago daquela mulher fatal. Mataria, entraria no cheque especial, começaria a ver a novela das seis… Faria qualquer coisa. Era só ela pedir.
Os homens não são volúveis; as pequenas é que sabem como usar o vírus e nos colocar de quatro (com duplo sentido).
Toda mulher é uma fêmea fatal. Basta querer.
Sim, é verdade meu caro amigo.
Quando elas querem… hummm. melhor sair da frente.
O Adão que o diga.
Foi despejado do paraiso por causa da Eva Fatale e por sorte nao queimou nos quintos.
O saudoso Tim Maia cantou:
\”Não vou mais chorar, mas se eu chorar vai ser baixinho pra ninguem me ver
O quanto eu sofro, pois amei voce…\”
Mas macho q é macho não apenas chora,
ele tb bebe as lagrimas.
Abç, Careca.
COMENTÁRIO:
Assim é covardia… Citar Tim Maia é a Eva num mesmo comentário é abusar da nossa sensibilidade. Bebamos, pois. Abraços,
Careca
REALMENTE SOMOS ASSIM…CONSEGUIMOS TUDO O QUE QUEREMOS, MTAS VEZES SÓ C/ UM OLHAR, UM GESTO, UMA PALAVRA…E VCS HOMENS SEMPRE CEDEM…
LEI DA VIDA…RSRSRS
COMENTÁRIO:
E, para alguns, da morte também… Beijos,
Careca
Esse filme é fantástico! Aliás, quase todos os filmes P&B com aquelas mulheres glamourosas, seus vestidos longos, a cabelera impecável e os languidos olhares são. Ver esses filmes nos dá a sensação de que vida também pode ter um pouco do que a gente vê no cinema né? Mas eu ainda queria a minha como a Nouvelle Vague… rsrs
Bjs
COMENTÁRIO:
Posso pedir mais explicações? Uma vida com mais rua, câmera na mão e falada em francês, é isso? Gostei. Beijos,
Careca
É isso! rsrs. O cinema francês tem uma cor, um movimento… e aquele clima de que todas as pessoas na França são de uma profundidade existencial imensa. Na Nouvelle Vague até a futilidade é bacana já notou?
Bjs.
COMENTÁRIO:
Brigite Bardot entra como fêmea fatal. Eeee. Sou suspeito, pois puxo o saco de qualquer coisa do Truffaut. Como diz aquele lá: filosofar é em alemão; mas falar de amor é em francês. Beijos,
Careca
O pior não é isso…
É que todo homem que já penou na mão de alguma bela mulher já falou (e se não o fez ainda, é questão de tempo) algo como, \”não caio mais nessa\”, ou \”já estou vacinado, mulher nenhuma me engana mais\”… e daí para frente…
E tem jeito?
Claro que não!
Por mais que estejamos caídos, levantamos, só para cair de novo aos pés dessas, que são a razão de nossa existência!
Ah Careca, imagino que vc odeia o Frank Miller por causa de 300 (nunca li, então não posso falar nada), certo? Mas experimente ler \”Sin City - A dama fatal\”…
Abraço
COMENTÁRIO:
Rapaz, não odeio o Miller, não. Aliás, gosto demais de Sin City (tenho alguns livros e elogio certas loucuras do filme). Não aprecio, vamos dizer assim, a direção de 300. Mas acho os quadrinhos coisas de cinema. Valeu pela dica. E você tem razão; quem diz que foi vacinado, mente (o vírus femme fatale é igual ao da gripe, sempre tem um tipo que burla a vacinação). Abraços,
Careca
Desculpe,
Para mim isto é coisa de cinema.Sou uma femme de respeito, mas nunca consegui arrastar meus machos para o mau caminho,talvez você,que é homem possa me dar uma sugestão.
Beijos
Tout
COMENTÁRIO:
Continue assim, avançando o sinal e pedindo… sugestões. Beijos,
Careca
Careca ,obrigada pela dica.Preciso mesmo avançar mais o sinal.Sabe aquela música do Djavan,\”Se\”,pois é,sou eu.
Besos
Lú
COMENTÁRIO:
Então deixe um pouco o Djavan de lado e ataque de Tropicália. Vista seu parangolé e saia por aí. Beijos,
Careca
Mas também… essa mulherada é assim. Enquanto a gente quer uma simples fodinha, elas já querem matar o marido, roubar o dinheiro, brincar de manipular… o diacho, se bem que as coisas poderiam ser piores. Mas vamos continuando nesse rumo pra ver até quando os homens aguentam \”ceder\”. São os sinais dos fins dos tempos… fins dos cartões de crédito, fins das flores, fins das caixas de bombons, fins das noites no sofá…. e elas acham que vão sair ganhando sldadjlkasjdkalsjdlkajsdkjasldkajs tadinhas… eu quero é que se explodaaaa
COMENTÁRIO:
Revoltou? Rara. A fêmea fatal quer as coisas no tempo dela. E vai me dizer que você não gosta de brincar com fogo? Abraços,
Careca
não estou convencida de que conseguimos tudo o que queremos… acho q se a mulher tem algo de fatal os homens tem algo especial… vejo muitas mulheres levando homens ao fracasso ou ao sucesso, mas nao podem elas serem as unicas responsaveis pelos destinos tomados, elas podem ser aquelas q andaram ao lado ? ou as q andavam na frente puxando o homem como se fosse um burro empacado? o homem tem voz ativa sim!
COMENTÁRIO:
Ainda bem que você não está convencida da sua fatalidade. Assim, conseguimos respirar um pouco. Beijos,
Careca
Carequinha querido!!
Acho q preciso de dicas suas e de seus machos seguidores ( no bom sentido por favor!rs)
Quais seriam os verdadeiros poderes fatais de uma mulher que fosse além d as emoções ficticias most radas na tela do cinema??
Claro..
Acredio q as mulheres possuem sim o seu \”feitiço fatal sem antidoto\”, mas eu pessoalmente to precisando descobrir qual é!!
Alguém ai pode me ajudar??!
hauhauihaih
Bjãoo nessa careca branca!
COMENTÁRIO:
Tenha certeza que boa parte dos machos aqui já foram contaminados só pela sua pergunta. E pode aprender com o filme, sim. Aquilo lá não é ficção, não. É quase realidade. Beijos do
Homem da Careca Branca