
Alguém já disse que o amor é muito parecido com um show de rock – provavelmente foi o escritor inglês Nick Hornby. Acho que é por aí mesmo. Tanto no romance como nos concertos, o começo é meio morno, com as pessoas se conhecendo, uma ou outra cerveja rolando, muita expectativa, fumaça e pouco fogo.
Mas logo que os primeiros riffs empolgam o público, começa o empurra-empurra e o amassa-amassa. O clima esquenta – principalmente se a casa não tiver ar-condicionado -, as canções mais conhecidas arrebatam de vez a platéia e, quando você menos espera, está entregue ao ritmo. Tudo o que você deseja é que o mundo acabe ali mesmo enquanto a bateria ataca outra vez.
A vida passa a ser pular, gritar, cantar, beijar e roubar uns goles da cerveja do camarada embriagado que acabou de se desmanchar no chão. A felicidade, enfim.
Mas aí o corpo pede arrego, as luzes se acendem e ninguém mais volta para o bis. Hora de ir. E tudo cai novamente na rotina do dia-a-dia, na noite vazia de emoção – e sem trilha-sonora animada.
É, o amor é muito parecido com as variações de humor de um show de rock: calmo, rápido, lento, gostoso, apaixonante, repetitivo, bis e fim.
Para confirmar ainda mais a tese, temos os megaeventos das bandas que resolvem acabar com a aposentadoria e promovem uma reunião dos antigos integrantes.
O editor da Ilustrada, caderno de cultura da “Folha de S.Paulo”, Marcos Augusto Gonçalves, escreveu um artigo bacaninha (29/11) comentando as voltas de grupos como Led Zeppelin, Police, Who e Sex Pistols.

Para o articulista, “retornar ao passado em show de velhas bandas pode ser uma experiência deprimente ou divertida”.
Exatamente como os tais revivals que os ex-amantes às vezes teimam em fabricar.
A história é clássica. Separados por anos e anos, um belo dia… Ou melhor, numa bela noite, Fulana e Sicrana se reencontram numa festinha, bebem um pouco demais e resolvem fazer um último show, tocar algumas velhas canções apenas para matar a saudade de remotos tempos.
Aí realmente o amor se parece com um show de rock do Police ou do Led Zeppelin.
Ou você se deixa embriagar pelo passado e leva na boa, sabendo que tudo ali não passa de uma curiosa diversão; ou se deprime demais, não compreendendo bem por que continua repetindo os mesmos refrões e estacionado no tempo.
Às vezes, um revival desses é apenas uma maneira de a gente enganar um pouco o presente e deixar de encarar as novidades que nos provocam e assolam.
As histórias sobre esses reencontros são inúmeras e várias – assim como os relatos das bandas que voltam. Há aqueles que fazem o repeteco por pura sacanagem; outros pelo dinheiro; e muitos por tesão mesmo.
Claro que existe a turma que nem pensa em se jogar numa experiência dessas e vai passar longe do Maracanã dia 8 de dezembro, pois prefere ficar apenas com a lembrança daqueles antigos vinis.
De qualquer maneira, tudo é diversão.
O amor é muito parecido com um concerto de rock. Então deixemos as pedras rolarem.
Querido Careca!
Novamente ótimo texto!!
Creio que o começo do seu texto esteja um pouco descontextualizado!
Não raro, os relacionamentos começam com muito fogo, muita cerveja, música de péssima qualidade (o que é relativo) e pouca expectativa.
Voltando ao texto, diria que os relacionamentos estão começando pelo segundo parágrafo…e com força total! Hoje mesmo soube de um namoro que começou há um mês e já está às beiras de um altar forçado…sim, a menina (muito de família - como todas, aliás) está grávida! Rock pauleira progressivo (e todas as outras \\\”denominações\\\”)!!!!???
Quanto aos revivals, é muito interessante curtir um bis de um show que você gostou muito no passado.
O tom nostálgico é enebriante.
Depois daquilo…e dos tais \\\”bis, bis\\\”…., você sai com aquela sensação de \\\”no túnel do tempo\\\”…grata(o) pela experiência e tendo a certeza de que, um dia, aquela sensação talvez possa se repetir, mas sem esperanças doloridas e sem data marcada.
Sim, vale a pena viver para recordar.
Diria mais…alguns revivals surpreendem e tornam-se muito melhores (o tempo é ótimo para alguns revivals e vinhos).
Viva os shows de rock…revivals….amor!!!
Beijos e até mais
Post scriptum: Concordo com alguém ai…não tive muito sucesso ao usar o chat.
COMENTÁRIOS:
A gente não pode esquecer que esse show/revival depende também da qualidade do grupo, das condições de segurança do local, etc. Rara. Qual foi o problema que você encontrou no chat? Beijos,
Careca
Nossa…olha quem voltou a aparecer…
Seja bem vinda de volta !
Ainda não tinha tido tempo de dizer isso…
Bem, sei lá…acho que tenho ido aos shows errados, ou não nos mesmos que vc e o Careca anda frequentando. Os meus ultimamente tem começado mornos e meio tímidos…
Malditas bandinhas inglesas novas…! *rs*
Baixo nível de viagem, mta fúria e tempo reduzido…!
Obrigada meu lindo!!
Pena que vc sumiu tanto do msn!!
Os meus show’s melhoraram sensivelmente, admito. E concordo quando vc diz sobre as bandinhas de hoje…nada sedutoras.
Beijão
Tenho problemas com revivals….
por exemplo…fui ao show do Ed Motta(que adoro) com meu então namorado…perfeito!Não podia ouvir uma música dele que lá estava o \”dito cujo\” permeando minha memória…hj, após um final quase trágico da relação…hesito sempre em ouvir aquelas canções.
já com os amores…reencontrei recentemente um affair que não via cerca de 4 anos, e como quem me procurou foi ele, pensei: uau… mas quão decepcionante foi o reencontro…melhor seria não tê-lo visto e continuar com as recordações boas que tinha do que perceber que ele pouco evoluiu…
Admiro quem consegue desconectar sons de lembranças mas minha memória auditiva é uma coisa…
E sobre os shows(amorosos ou não)…pra mim o problema é o repertório…rsrsrs!
Estou à procura de NOVAS BANDAS…NOVOS SHOWS…
Se souber , indique!
Quero começar o ano com novos ingressos(pra shows e amores)
Bju
Bia
COMENTÁRIO:
Beleza, Bia. Aqui você sempre terá espaço para divulgar seus shows. Vamos ver como a platéia reage. Beijos,
Careca
Olá, meu (!?!?!) doce
Espero que aquelas dicas de (burlo) de segurança estejam lhe servindo bem.
Bem…eu tenho algo pra vc…
Mas tá cariiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinho…*rs*
Como sei seu gosto, quem sabe isso lhe atraia.
O Gothan Project está na via Funchal…MTO BOM ! Maravilhoso…
Tenho algumas MP3 no som…de encher o peito de vontades.
Se quiser, o phone vc tem…*rs*

Muito bom o texto Careca! Realmente shows de rock tem tudo a ver com o amor! E quem nunca teve um revival com uma ex né?!?!?!? E quem nunca retornou naqueles velhos discos de antigas bandas e sonhos….
Mas é uma pena que nacionalmente estamos carentes de boas bandas de rock, rock mesmo, e não esses grupinhos que pintam os olhos de preto e cantam cansões pré-adolescentes….e uma outra pena que o amor parece também estar acabando, ou pelo menos jogado em segundo plano, pelas modernidades da vida.
Mas enfim, um fim de semana love n´roll pra todos…
COMENTÁRIO:
Verdade, Vicent. Será que esse marasmo no nosso rock pra pular brasileiro significa que estamos amando menos? Boa sacada. Abraços,
Careca
{APLAUSOS!APLAUSOS!MAIS APLAUSOS!}
SIMPLESMENTE MA-RA-VI-LHO-SO!!!
Ai ai deu saudades do barzinho da Zona Norte V2 Rock Bar….Cerveja estúpidamente gelada, Rock´n´Roll all night, o povo se beijando descontroladamente, a mesa de bilhar, a escada repleta do povo bêbado, eu jogada em algum canto meia dormindo e meia assistindo aos clipes do Ozzy e cia, o povo dando uns malhos no banheiro….
É Careca, nunca pensei dessa forma; acho que é pq ainda não atingi o meu ponto máximo de bebedeira; mas vejo que o Senhor está com a razão. O amor é parecido com um show de rock.
Tem toda a paixão, tesão, loucura, amor, itens fundamentais no amor e no Rock!
S2 I love Rock´n´Roll! S2
Paz, amor e muito Rock´n´Roll pra todos nós!!! Uuuuhhhuuuu
Beijos
COMENTÁRIO:
Aumenta o som! Beijos,
Careca
Careca do meu coração, isso não seria PAIXÃO? Acho que amor é assim…gostar de rock, de um modo geral.
Essa fissura de pular, gritar, cantar junto, beber e cair parece mais com aquela vontade insaciável de estar juntinho do objeto de desejo, vontade essa que um dia esmorece, igualzinho ao day-after do show, né?
Aliás, acho que as \”inas\” (adrenalina, endorfina, serotonina, etc…), presentes na paixão são as mesmas que comparecem com o nosso ingresso no roquenrou, mas aquela satisfação de ouvir rock em qualquer lugar e hora só se compara ao amor, né? E chega de filosofia. Um beijim procê.
COMENTÁRIO:
É que nós temos shows apaixonantes e outros que são verdadeiros casos de amor, né não? O bom disso tudo é que sempre conseguimos as inas (seja paixão ou amor). Beijos,
Careca
Leitura Exepcional…
como já disse, salva minhas manhãs, e diverte as minhas tardes!!…
Encontrei um sentido nesse leitura, que me despertou uma dúvida inquietante \”/
Falando sobre Revilvals, e coisas do passado que voltam à tona, lembrou muito o meu relacionamento…
conheci esse pequena na escola…ela com 2 a mais do que eu…
viramos amigos, (os melhores, diga-se de passagem), mas depois de algum tempo, ela se apaixonou…
juro que até então não sabia, e como qualquer amigo normal, tratava ela como A melhor…amiga.
3 anos se passaram, e depois de um \”festa\”, começamos a namorar…me envergonha dizer que o namoro não durou um mês e meio…
depois disso, a amizade acabou…
1 ano e 2 meses após, muitas coisas aconteceram…
depois de um Show na barra funda, me declarei à ela…3 dias depois, estavamos namorando…
Estranho, não sei por que causa, razão, motivo ou circunstância…mas eu me identifiquei à beça com esse post…
rsss…
desabafos a parte…:s rsss
Será que o retorno dos Dinossauros, não seria uma grande jogada de marketing????
só ressaltando que essas, são duas das minhas bandas de cabeçeira…e adoreiii sber que eles se reunirão de novo…mas….
sempre existe um motivo…além…
abraço carecaaa…..
ps: livro comprado, leitura, magnífica!!!!
COMENTÁRIO:
Bom saber que curtiu o velho Tim pelas palavras do velho Nelson. Quanto aos dinossauros… Como disse o Marcos Augusto na Folha, cada um enxerga como quer. Sinceramente? Eu não topo muito essa coisa de matar saudade dos velhos tempos num Maracanã lotado. Sem dúvida tem um cheiro de produto e marketing. Mas o que não é hoje em dia? Abraços,
Careca
Oi Careca…que saudade! rs
A comparação é totalmente verídica…. qualquer semelhança é mera coincidência?! rs
Hehe….tb já pedi bis qdo reencontrei um ex…. Entre uma trilha e outra acabamos voltando, durou mais um tempo e dessa vez o bis não rola…. Agora só as lembranças …. e o relacionamento é como um show, se houve erro em alguma nota já foi, agora é praticar pra ser melhor no próximo!
Beijão
COMENTÁRIO:
Afinal, o show tem que continuar. Beijos,
Careca
Olá, moça…
Não sei se é o seu gosto, mas eu tenho algo na memória…
Show do Iron Maiden em Paris: Alguns (mtos) euros.
Blaze Bailly errando a letra de “The Trooper” na frente de uma platéia lotada: Não tem preço…
Nem volta !
Esse artigo deveria chamar Love´n Roll…
Nota 10!
A tríade infernal é realmente o que produto do Rock e do Love…
Ai, ai…
Deu saudades.
A primeira vez que realmente escutei Police, eu tinha 6 anos e estava em Cabo Frio, de férias.
Foi um episódio gostoso…
Aliás, sempre fui fã de carteirinha do trio e mesmo do Sting em carreira solo, sendo meu album número 3 de cabeceira o acústico “All this time”.
Em especial, “A thousand years” toca direto qdo chego em casa…
É minha forma de revival com bons tempos.
Principalmente dias mais leves…
Qto a amores, bem, esses não me trouxeram boas recordações.
É mais ou menos como a volta dos Pistols…um disperdício de tempo por um motivo mesquinho.
A volta normalmente é quente porém ácida, como uma crise de gastrite proporxcionada por aquele bolinho que não caiu bem. Exemplos da mesma moeda ? Passo longe de Roxanne, principalmente a versão de um certo filme…
E aí, meu caro, no dia seguinte é “Don´t stand so close to me”, garota…!
É claro, sempre existem músicas como “Brand new day”, que nos fazem pensar em como seria bom se aquela pessoa que fez seu coração quase ter um ataque voltasse (normalmente pedindo desculpas sinceras) e lhe jurasse amor eterno…
Mas nos dias de hj, isso é quase impossível.
Isso pq as pessoas hj têm todas uma necessidade imensa de se entregar, e qdo acham uma pessoa que lhes pareça “o amor”, elas se entregam com toda a força…
E como tudo que demanda força, a batida no muro é algo fantástico e extremamente doloroso.
(O que me lembra mais uma boa possibilidade de volta. Se puder, assista no Youtube “The Bug” do Dire Straits, que poderiam mto bem voltar…!)
“Alguns dias, vc é o o parabrisas, alguns dias vc é o inseto.
Alguns dias tudo vem ao mesmo tempo, alguns dias, vc é o tolo apaixonado…”
Yhaaaaaaa !
Até o tão citado Tim Maia teve uma baladinha que descreve uma boa volta…naquela possivelmente era possivel. Eram tempos mais sensíveis e românticos.
Enfim, meu velho, certas coisas devem ficar mortas, como o passado.
SIM, eu tb já bebi mto revival, tomei quase todos os venenos na fonte de amores antigos…
“Many years have passed since those summer days
Among the fields of barley
See the children run as the sun goes down
Among the fields of gold..”
Não funciona pra mim.
Ou, nas palavras do Sting…
“Consider me gone”
Nossa…fui esquecido ? Ignorado ?
Careca tá de mal ?
Vixi !
COMENTÁRIO:
Oh, queridão… Não fica assim. Não promovi nenhum rebaixamento, não. É falta de tempo, mesmo. E outra: já está tudo lá no seu comentário. Sem contar que sou uma negação quando o assunto é Police (com trocadilho - rere). Só lanço um dado: Cabo Frio aos seis anos é o que há - define uma vida. Abraços,
Careca
Adorei o texto, Careca!
Excelente comparação!
Copiando a Laly, APLAUSOS!!!
Bjs!
COMENTÁRIO:
Valeu, Gi. Beijos,
Careca
Oi Giiiiiiiiiiiiiiii!!! Tudo bom moça?
Careca…
belo texto, exelente comparação… o que me faz recordar de amores vividos em toda sua insanidade e intensdadé… É o jazz ,ele me faz recordar de todo sentimento já vivido , Summertime cantada pela Billie Holiday é aminha trilha sonora, melhor é a trilha das lembranças de meus amores.
Bjs Careca, um xero.
COMENTÁRIO:
Show de jazz é fogo… Muitas variações. Beijos,
Careca
Pioir do que a tal depressão, tem voltas como a do New Order, que parece lindo, mas depois ainda fica aquela sensação de “ainda bem que acabou”, e só pagando outro ingresso pra perceber que a coisa não dá mais. Acho que seria como esperar o pessoal do Pixies juntos e abraçados no palco, quando na real é pra ficar bem longe, porque daí funciona.
Pense numa verdade nua e crua.
Depende, assim como existem vários estilos dentro do rock, também existem vários dentro desse nobre sentimento……
O amor pode ser como aquele trágico show do the woo (maravilhoso) ou então, light e pacífico como o bom e velho woodstock… O primeiro é claro, porque o segundo mais parece fim de relacionamento após o flagra dele com sua melhor amiga na sua cama, totalmente trash. O principal é saber que amor é contagiante como o rock clássico, energico como o heavy, pode ser sutil e envolvente como o progressivo, o que importa é que deve ou ao menos deveria, ser vivido justamente como a diva do rock exclamou: ” prefiro dois anos de uma vida efervecente do que doze em frente a uma tv”……
bjok
sob licensa poética.
E aê Careca! Blz?
Sabe, esse negócio de amor se comparar a show de rock funciona msm viu? Já tive várias paixões, alucinantes como um show energético de thrash metal e outras q me deprimiram tanto quanto um show do Lacrimosa!
Mas há pelo menos cinco anos encontrei alguém q me fez esqcer td isso… no nosso romance tem Whitesnake, tem Rolling Stones (Sympathy for the Devil é uma das nossas preferidas, afinal não somos muito de ir em igreja), mas tb de vez em qdo tem sofrimento e aí haja “Love Hurts” do Nazareth!
mas como diz uma música do ASIA, “did it all for love, do it all again!”
delicioso esse texto careca, parabéns!
COMENTÁRIO:
Valeu. E bom show pra vocês. Beijos,
Careca