Macho pero no Mucho
 
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Drogas

24/01/2008 - 10h17

Meus amigos japoneses são malucos

Todos os meus amigos japoneses são um tanto malucos. E isto é um baita elogio, pois se tem algo que tento ser é meio pancada. E como é difícil forçar a insanidade, admiro demais quem carrega um pouco de loucura desde o berço.

Pensei na rapaziada de olhos puxados depois de ler a bonita homenagem que o sargento Franklin Ruão (exímio guerrilheiro de diversas batalhas) prestou às meninas que só estão aqui por causa do Kasato Maru, o navio que há cem anos trouxe os primeiros imigrantes do Japão.

O texto do camarada Ruão (leia aqui) me lembrou a efeméride e assim busquei na cachola as melhores lembranças que tenho dessa turma de orientais.

Aqui neste sítio vocês sabem que a gente prega o humor politicamente incorreto e o fim da babaquice. E confesso que muitas vezes me espelho nesses japoneses pra tentar ser um pouco mais doido.

Penso na Liza, por exemplo, uma japonesa eternamente bronzeada, empresária e capaz de matar aranhas que mais parecem pôneis.

Noite dessas fomos jogar sinuca num pé-sujo. E não é que a garota foi vestida para matar, com shorts, pernas nuas e um tomara-que-caia mais branco que urso polar na neve? Os assíduos bebuns que freqüentam o lugar vieram nos agradecer por ter levado aquele anjinho até lá (pelo menos eu entendi isso a partir de um “humpfsmfhrds” balbuciado por um cara segurando uma garrafa de “51” pela metade).

japani

E a pequena jogou, pegou nos tacos, empilhou as bolas e passou batido por todos os olhares, como se ela estivesse tomando champanhe na Louis Vuitton da Champs-Elysées (onde, aliás, deveria estar se não tivesse esquecido de validar o passaporte).

E o que dizer da Priscila, então? Uma japonesa que mais parece uma índia de faroeste norte-americano. Observadora, quase sempre calada e acompanhada de garrafas de Jurupinga (dizem na USP que ela é capaz de entornar litros sem sequer piscar), a donzela acaba de largar emprego, família, tradição e propriedade e pretende se mandar para Pipa, no Rio Grande do Norte, e abrir uma pousada. Gente que faz, sem dúvida.

Não posso esquecer do Marcílio. Foi o primeiro sujeito na vida que vi pintar o cabelo de verde. E depois de azul. E então de algo indefinido. Quando a minha mãe o encontrou, ela exclamou: “nossa, que japonês diferente, né?”. Sem dúvida uma bela definição.

Foi na casa do Marcílio que a turma experimentou misturar colírio e uísque num mesmo copo. E tomar tudo junto em doses cavalares. Lembro apenas que demorei dois dias pra chegar até o banheiro, pois antes subia até o teto e descia em câmera lenta. Doido. Hoje o cara já tem dois filhos, o que confere autenticidade para a minha teoria sobre a maluquice dos japas.

O Jorge é outro. Este amigo do meu pai dos tempos de vacas magras. Um sujeito tão abilolado que se um dia entrasse aqui em casa completamente pelado e pedisse um pouco de chá com jiló, você não estranharia. Tão insano que contaminou toda a sua família. A Arlete, sua esposa, ficou irremediavelmente maluca, tanto que é a melhor amiga da minha mãe.

E as crianças japas? Durante um casamento, conheci uma que, além do cabelo pintado de loiro, parecia o Sean Lennon e se amarrava num narguilé. O nome dele era Caetano, tinha algo de piromaníaco e passou a correr e gritar na chuva depois que provou um pote de doce.

japa

Pra não ficar só nos conhecidos, o livro mais estranho (e genial) que li recentemente é “Sayonara Gangsteres”, do Genichiro Takahashi. Talvez eu demore anos pra encontrar algo tão alucinadamente criativo por aí.

E nos cinemas? Ou você acha o cinema japonês normal? Sei.

Até mesmo na TV o personagem mais bizarro de “Heroes” é justamente um japonês.

Pode olhar em volta. Com certeza você tem um amigo maluco com raízes lá no país do sol nascente.

Deixo aqui meus agradecimentos pelos cem anos dessa rapaziada toda fazendo das suas no Brasil.

Eu continuarei me esforçando para ser um pouco mais parecido com o lado insano de toda essa turma.



por Careca

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Amor e tosse, impossível ocultá-los. »

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9 Comentários »

japa girl
2008-01-24 15:16:08

Muito, muito bom Careca!!!!!!!!!! Me fez lembrar de todas as minhas doidas amigas. Seu texto tinha que parar na Liberdade, pois enquanto todo mundo vai encher o saco com reortagens idiotas na televisão, com aquele drama todo, você retratou o melhor lado da gente. Eu [elo menos sou maluquinha mesmo. E com orgulho. Obrigado pela homenagem e seus amigos deve é de ter orgulho de sua amizade também. Beijocquinhas!!!!!!!!!!!!!1


COMENTÁRIO:
Orgulho da própria maluquice é o primeiro passo para o sucesso. Beijos,
Careca

 
Godoya/Glória
2008-01-24 21:56:27

E uma onda de lembranças me invadiu a cabeça!!! NOssa, você me fez lembrar do meu amigo japa que fazia Yakissoba com sakê! Do meu outro amigo japa que é capoeirista!!! É Careca, você tem razão, quando so japas dão de pirar na batatinha, eles são os melhores…rs…Pelo contrário somente nos sobra o outro tipo de , aquele que sentou na sua frente no vestibular kkkkkk

Bjos


COMENTÁRIO:
E que provavelmente pegou a sua vaga. Rs. Beijos,
Careca

 
Anderson Siqueira
2008-01-25 15:59:14

Cara eu li essa papo do colirio com uísque é vero esse papo mesmo fiquei curioso hahahaha…

É sério mesmo Careca??? E já que o papo envolveu bebedeira poderia falar qualquer dia destes sobre as mais inusitasas biritas inventadas por nós humanos maniacos…

Uma boa é beber cerveja e junto com ela colocar pó da unha do peão, mas a regra é que não pode ser a sua tem que ser de outra pessoa vc raspa ela e coloca um pouco, dizem as más linguas que deixa o cara pirado, só nunca tentei pois meus critérios quanto a pó de unha meio nojento não???

Mas se souber algum do mal é só mandar que conheço vários loucos incluindo eu que podem tentar…

Abraço e parabéns cada dia melhorando mais e mais o MPNM!!!


COMENTÁRIO:
É verdade (a história do colírio). Mas era de uma marca específica, ideal para pingar no uísque (segundo o “médico” da turma). Sei que a coisa toda foi alucinante (em todos os sentidos). Boa idéia sobre o artigo. Aguarde (hummm, acabei de me lembrar a batida de vodca com Ajax que fizemos uma vez - mas não recomendo). Abraços,
Careca

 
Pa[Ty]BEiJo
2008-01-26 22:41:56

trabalhei em uma livraria, muitos japoneses iam la pra comprar mangás, um dia… humildemente falei:

não sei ler mangá (realmente não sabia)

a menina pascientemente me explicou…

de qualquer forma nunca li um mangá… meu primo tem coleções de resvistas… pedi pra ele me emprestar pra ver se aprendi né… ate agora não vi a cor da revista, mas tenho fé que um dia ele me traz hahah

e tenho uma amiga japa também… acho estranho japoneses que não se interessam por mangás, nem por aprender a lingua deles nem a escrita…

eu que sou neguinha do cabelo cacheado curto a curltura deles e alguns deles não estão nem ai…

haha acho massa também as musicas deles, eventos de mangás e animes… são muito criativos… um dia fui na liberdade… grande liberdade… me senti uma turista… nem parecia que estava em são paulo… ah… ia esquecendo, tem um buteco aqui perto (no centro da cidade que moro) que os donos são japoneses…. uma vez mionha mãe e eu fomos comprar água, quando de repente fomso atendidas por um japones que só falava japones… meu deus… ficamos sem agua ahuahau

grandes aventuras com esses sobreviventes de olhos puxados… falando em olhos, ja me perguntaram se eu sou japonesa… mas não sei se é pelos olhos puxados ou por ser sem noção hahah

bjus meus queridos, ja escrevi demais

cuidem-se
=**


COMENTÁRIO:
Bom, depois do seu comentário, fica comprovado que te acham japonesa por causa da loucura. Rs. Beijos,
Careca

 
Cá!
2008-01-28 10:42:25

Mandou muuuito bem, Careca!

Isso me fez lembrar da minha amiga Mit, a japa mais doida que vi até agora, com quem eu danço muito, msm sem saber dança; e do Gabriel, que apelidamos de afro-asiático já que ele é um japonês de cabelo cacheado!

Adooooro esse pessoal do outro lado de lá, que vira e mexe nos mostra que ser concentrado, inteligente e disciplinado tb combina com ser autêntico, maluco e irreverente!

Bjks***


COMENTÁRIO:
Um viva para os afro-asiáticos. Beijos,
Careca

 
Tijolo Voador
2008-01-31 23:18:30

Careca, texto excelente, como de costume.

Lembrei-me da minha infância no ano novo japonês, um Oshougatsu . Foi meu primeiro pileque, após uma confusão de água com sakê. E todas as lições de tios, quase sempre alterados pela pinguinha de arroz , me ensinando a dar nós em anzóis, comer peixe sem se preocupar com espinhos e contando histórias sobre a vida no Japão.
Mas embora nossos ancestrais tenham vindo do Oriente, já somos brasileiros natos. Afinal, quem não tem um amigo japa? Já nos espalhamos por aí a fora, vendendo pastéis e consertando televisões. O próximo passo vai ser dominar o mundo, mas isso deixemos para outra hora.

Sem mais delongas, Sayonara, Careca-san.


COMENTÁRIO:
Abro aqui outra garrafa e como um pastel em sua homenagem. Sayonara. E abraços,
Careca

 
carol
2008-02-12 16:06:32

Poxa, que coisa mais bonita. Que sensibilidade com as palavras e os amigos. Dos melhores dos últimos tempos, Careca. Orgulho de ler.


COMENTÁRIO:
Esse pessoal merece. Beijos,
Careca

 
Pri
2008-02-13 18:53:55

É muita honra pra uma pessoa só! Como disse a Liza, saímos do anonimato !
Adorei o texto !
E viva a Jurupinga !

Beijo e sayonara !


COMENTÁRIO:
Rarará. Ainda é pouco. Vou jogar vocês no topo das celebridades. E viva a marvada. Beijos,
Careca

 
michelle
2008-05-03 11:04:14

Amo meus amigos de olhos rasgados….. principalmente os doidos que treinam comigo, são chineses, mas tá tudo ali…. Ser maluco é o que importa, afinal pra que lucidez nessa vida?

bjok


COMENTÁRIO:
Pra quê? Beijos,
Careca

 

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