
Tenho um amigo que é louco pra acabar com seu sólido e invejável relacionamento somente pra sentir a dor do fim, a tristeza máxima da separação, a solidão eterna dos ex-amantes.
Sempre que o encontro, ele me fala: “Careca, meu filho, eu tenho mulher, filhos, um casamento perfeito… Oh, vida desgraçada… Eu gostaria de ser poeta, de ser errante. Oxalá eu pudesse tomar um pé no traseiro e torrar em botecos de beira de estrada o que resta da minha sanidade. Eu sonho com isso. Só quem convive com a angústia do fim de um relacionamento pode ser considerado um ser humano completo”. E começa a chorar – claro que quando isso acontece já passamos das cinco doses de uísque cada um.
Pois eu lembrei dessa doce criatura ao assistir o regular (sendo bonzinho) “Um Beijo Roubado”, de Wong Kar Wai (que já teve dias mais felizes com “2046” ou “Amor À Flor da Pele”).
De qualquer maneira, vale pra gente raciocinar um pouco sobre essa bomba nuclear que é qualquer fim de caso.
Como se recuperar de um amor perdido?
No filme, Norah Jones (ela mesma, a cantora fofa) toma um chega pra lá de um bestalhão (quem recusaria uma voz daquelas na cama?) e resolve se jogar por aí, sem rumo nem beira, em busca de um ombro (e algo mais) amigo.
Logo encontra Jude Law, que lhe oferece um pedaço de torta e meia dúzia de cervejas. Mas estamos no cinema, e o garotão também é um poço até aqui de mágoa. Os dois não se acertam logo de cara, afinal corações destroçados demoram pra cicatrizar. Assim, Norah segue seu rumo, trabalhando como garçonete em espeluncas e conhecendo uma rapaziada que também curte uma fossa amorosa.

Apesar desse elenco cheio de carinhas lindinhas (Norah, Natalie Portman e as mulheres Rachel Weisz e Cat Power), o filme parece patinar, não nos machucando o suficiente.
Porém, toda essa fofura não deixou de me entristecer um tanto assim. Afinal, como se recuperar de um amor perdido?
Essa questão é tão complexa quanto as teorias sobre buracos negros ou a existência divina.
Cada um sofre como quer. Tem gente que se afoga na bebida (como o personagem do genial Strathairn em “Um Beijo Roubado”), outros fogem para a Índia, tem neguinho que mata a ex-patroa, aquele que se suicida, uma que escreve um livro, outra que se casa com o primeiro que aparece, uma turma vira gay, etc.
Fato: não há padrão ou remédio.
E cada vez mais a situação me parece irresistível.
Esse sofrimento nos leva para outras descobertas e buracos (com trocadilho).

Como a garçonete interpretada por Norah Jones, nós também passamos a viver de outra forma, impulsionados por essa dor.
No fundo, parece que essa tristeza nos move.
Seguimos assim, embalados por canções melancólicas, atravessando desertos, buscando conforto, eternamente reconstruindo relações e atrás de uma felicidade que talvez não exista. Mas quem sem importa?
Pensando bem, creio que todos os dias tentamos reconstruir nossas vidas e relacionamentos. E por isso pulamos da cama.
Há sempre uma dorzinha nos jogando para a estrada. Pode ser um amor, um grito, um sonho, uma abstração qualquer, uma reclamação.
Por isso, preciso logo encontrar esse meu amigo e dizer que ele também está nesse barco. Só que ainda não percebeu. Ele também deve possuir a sua medalha em forma de dor.
Somos tristezas ambulantes atrás de um pedaço de felicidade que insiste em ficar escondido numa espelunca inatingível.
tu bem,
Careca, não entendi, era sobre como superar a dor do amor perdido, ou sobre o filme? E olha que li até o fim, e não consegui sertir a tal dor, ou dores como queiram.
COMENTÁRIO:
Na verdade, não era nem sobre uma coisa nem outra. Era sobre a vida - que, pensando bem, engloba uma coisa e outra. Sacou? Abs,
Careca
Talvez seu amigo seja um desses aqui:
http://machoperonomucho.uol.com.br/2006/06/08/na-hora-do-adeus-as-mulheres-ficam-com-os-culhoes/
COMENTÁRIO:
Pode ser, pode ser… Belo resgate. Beijos,
Careca
Por que está sob a aba Drogas?
COMENTÁRIO:
Porque essa dor também nos tira o chão. Acho que é por aí.
Careca
olha, eu particularmente adoooooro uma fossa. e eu acho que ela também gosta de mim.
tanto que desde meu último pé-na-bunda já vão sete meses.
me sinto melhor mergulhado na melancolia, do que na felicidade burra e cega.
ahh norah jones…
COMENTÁRIO:
Ahhh. Abs,
Careca
Realmente, não há padrões!!!
Eu, particularmente, não curto fossa não!
Claaaro que já chorei por alguém, afinal se nunca tivesse feito isso acabaria como seu amigo - reclamando da felicidade!
Afinal, precisamos experimentar todos os sentimentos, não é mesmo?!?!
Enfim, acho que curto mais é ser feliz, e não levo pé-na-bunda duas vezes (da msm pessoa, claro!)… Não quer? Tem quem queira, e “é isso aí”!!!!! =P
Bjão, Mr.!!!!
COMENTÁRIO:
Um bom tema, sem dúvida: o que fazer se a gente leva vários pés de uma mesma pessoa? Bjos,
Careca
Aff, nem fale! Tenho amigas que insistem em correr atrás do mesmo cara há anos, é um “namoro-punheta” - vai e volta, vai e volta…. Eu não aguento isso não!!!
Careca, só quem viveu um Amor verdadeiro, com a ametade da laranja, sabe o que é uma fossa, a lembrança dela é constante na vida, tudo de bom lembra ela, nestas horas vc esqueçe que ela pegava no pé, por causa da cerveja, do ronco, no cheiro da loção pós barba, da inplicançia com tua mãe que ligava uma vez mês. e todo dia ela queria descutir a relação.
As vezes a gente acha que esta pessoa não existe, mas ela esta por ai, esperando para te derrubar, eu ela conseguiu, por isso vivo com esta que acho que nunca vai acabar. valeu
Já passei dessa fase.
Como diria o sujeito do Limp Biskit: “My way or the highway !”.
(A música é ruinzinha, mas a letra é de certa forma uma injeção de ânimo na hora da fossa).
O caso é que sim, não tem remédio pra fossa, mas eu repito aqui uma frase que eu levo sempre em mente, de um velho amigo: “A dor só vai até onde VC deixa ela ir”.
E é isso.
COMENTÁRIO:
Então toda dor é controlável? Sei não… Abs,
Careca
Claro que é…
Chega um belo dia, depois de ficar dolorido e amuado por semanas, que vc acorda e não quer mais ficar assim.
Então sai em busca de uma cervejinha, ou um pastel com caldo de cana ou ainda, uma dose de whisky cowboy com algo amigo no bar.
Aí descobre, com os relatos desse amigo (a) que vc perdeu coisa pra caramba.
Te dói ter perdido tanto tempo e tanta coisa legal…
Aí pára de doer…por mera exclusão. “Dor ou MAIS dor” ?
A dor só dói enquanto deixarmos……. um novo amor, sara qualquer dor.
COMENTÁRIO:
É o que esperamos. O problema é que demora pra acontecer. Abs,
Careca
De repente, vc se vê sozinho. Aquela pessoa já não está mais contigo. Não existe mais em sua vida. A dor é inevitável, mas só dura o tempo que permitimos. Vamos de volta a caça de um novo amor….. e tudo começa novamente!!!!
Acho que é importante curtir a fossa, o período negro da alma… sem este tempo não tem como se levantar. A gente se sente melhor quando se convence de que há um problema, mesmo que não haja, só para ter o prazer de sair dele, mesmo que não saia. O gostoso é justamente isso: ter certeza de que existe algo para ser extirpado. Lembrando sempre que até mesmo o mais leve pé na bunda, joga a gente pra frente!!!
COMENTÁRIO:
Por isso eu prefiro o pé na bunda do que o chute no saco. Pra frente é que se anda. Abs,
Careca
realmente é complicado…
já fiquei na fossa e tambem conheço quem levou um pé na bunda e por isso ficou na fossa por um bom tempo,apesar que depois disso esta se dando o valor ( ou pensa que esta fazendo isso..)
mas é bom ficar na fossa por um tempo se ergue mais rapido e com outros pensamentos( ou pensamentos que dizem ser bons).
vc não acha?
bom a dor de ficar na fossa por um tempo é lamentavel….
mas ajuda a se erguer…..
por exemplo:uma pessoa até legal ao qual namorou um cara ao longo de três anos, levou um belo chute no traseiro , ainda assim foi trocada por outra a qual é amiga do cara a mais de anos
( o cara assim preferiu)….assim pobre coitada ficou meses na fossa (lamentavel)…
assim hoje porem apos a fossa esta até em ´pé novamente( imprecionante)
assim concordando com comentario anterior nada melhor que um ´pé na bunda para jogar as pessoas para frente!!!