
Estou aqui com a caixa que contém dois livraços, “1968 – O Ano que Não Terminou” e “1968 – O que Fizemos de Nós”, ambos do jornalista Zuenir Ventura.
Ler é o melhor negócio para aproveitarmos as efemérides. Quem tem o mínimo interesse por boas histórias vai se lambuzar com o já clássico “1968 – O Ano…” (lançado originalmente em 1988) e aguçar o senso crítico e a curiosidade a partir do “1968 – O que…”, que traz reflexões sobre as mudanças no mundo – físico e das idéias – nos últimos 40 anos e entrevistas com os principais personagens (FHC, Gabeira, entre outros) das manifestações do não tão distante 68 brasileiro.
Mas onde quero chegar mesmo? Ah, sim. Enquanto lia essas páginas tão bem assentadas (as do Zuenir, não as minhas), pensei que todos nós temos que passar por um meia-oito particular.
Vejam que interessante esse pequeno trecho do artigo “Reflexos do Baile Distante”, que abre o tomo lançado agora pelo Zuenir. Ele está falando sobre Maria Clara Mariani, Marília Carneiro e Maria Lúcia Dahl, jovens promissoras em 68 e hoje avós enxutas:
“[…] Elas pertenciam a uma geração de jovens entre 20 e 30 anos que decidiu inaugurar um estilo de vida e experimentar formas alternativas de relacionamento que não reeditassem os compromissos matrimoniais impostos pelas convenções. Nada de hipocrisia dos velhos casamentos, nenhuma forma de dominação afetiva, não aos amores servis, fora com as imposições ‘burguesas’ tais como ciúme, fidelidade, monogamia, virgindade. Eram tempos de utopia.”
Sacaram?

Não sei bem o que pretendo escrever aqui, mas acho que faço uma idéia. Estou dizendo que entendo os prós e contras de uma época. Não aplaudo de pé as traquinagens de 68. Nem desprezo os avanços e delícias que a moçada tentou fazer lá atrás.
Melhor ainda: sei que hoje estamos distantes de algum desconforto, de uma certa rebeldia e inconseqüência daquele período.
Se há um meia-oito em cada canto, cadê o seu?
Talvez falte isso para cada um de nós. Precisamos burlar as regras.
E agora finalmente sei o que pretendia falar: sobre relacionamentos.
Vejo muito casal por aí acomodado, repetindo padrões, procurando se ajustar aos processos vigentes no mundo. Desde os certinhos até os mais livres, parecem que eles seguem manuais. Aí não dá.
Pra revolução do amor dar certo, tem que existir a passeata, a quebra de parâmetros, novos paradigmas… A utopia, enfim.
Seguir leis na cama ou na vida doméstica pode apenas levar ao tédio.
Seu eu fosse esperto e quisesse fazer um livro de auto-ajuda já teria o tema e o título: “Faça um 68 na sua vida conjugal”.
Siga seus instintos, faça umas barricadas, lute um pouco, saia para as ruas, beije sua amada em público, chegue atrasado ao trabalho, acredite no futuro, destrua a mesmice, o papai e mamãe.
Deixe seu mundo um pouco sem pé nem cabeça. Meio como esse artigo.
Belo artigo Careca! Mas….sobre o que era mesmo?
COMENTÁRIO:
Não me lembro. Mas obrigado mesmo assim. Abs,
Careca
Prezado Articulista Profícuo e Confuso
Se o título fosse “Faça um 69 você também” daria mais resultado.
Saudações Coloradas
COMENTÁRIO:
Mas antes do 69, temos que passar pelo 68. Abs,
Careca
Careca…
…minha mãe viveu muito intensamente esse 68 aí do livro, e sabe o que aconteceu???
Ela foi o mais controladora possível, pq morria de medo que eu aprontasse metado do que
ela aprontou!!! huahauhauhauahuahuahua
Bom, não aprontei nem metade, pq nunca sumi de casa e reapareci em Brasília, ou em Foz
do Iguaçú, mas sabe como é, a gente sempre precisa de novas experiências!
Mas concordo com o Saci… o 69 dá mais resultado!=P
Bjks***
COMENTÁRIO:
Isso que eu chamo de efeito colateral. Bem, no segundo livro do Zuenir sobre o assunto há algumas entrevistas reveladoras sobre esse tempo (68). E muitos contam histórias parecidas com a sua, ou seja, o 68 empatou o 69 da molecada que veio depois dos turbulentos 60. Mas algo podemos tirar daí. Frase do Mário de Andrade: “Não sirvo de exemplo pra ninguém. Mas posso servir de lição”. Algo assim. Beijos,
Careca
Af, nem me fale em lição! Ouvi muuito isso… Mas tb aprendi a aprender com os erros dos outros - e cometer novos!! hehe
Bjks**
amigones!
cqcehseu?
parece.
saudade.
liz
COMENTÁRIO:
CQC? É, tem uma dedada lá minha sim. Beijos,
Careca
Concordo plenamente com a idéia de um 68 particular, não viver pelos pasrões dos outros, até porque padronizar é fruto de mente aciosa e mina com qualquer criatividade e por fim com a felicidade. Mas devo dizer que percebo uma padronização dos quebras padrões, de ousadia e tudo mais. Como se tudo o que era feito antes fosse errado, aprisionador e somente o feito agora e libertador, inovador. Mas não consigo evitar não ver a mesma prisão de antes. Não sei se me faço entender, mas acredito realmente que não importa a classificação do que fazemos, mas sim porque fazemos. Tenho 21 anos e sou virgem, não porque sou tradicional, longe disso, não porque sou religiosa, enm passo perto, apenas uma escolha pessoal, quanto vai durar? Não sei. Mas é libertador pra mim escolher quem eu quero ser, o que eu quero viver: relacionamento monogâmico e exclusivo. Pode soar piegas a quem viveu o oficial 68, mas foi uma escolha minha e não uma cópia de outros. Mas também não generalizo, se asim o fizesse seria do memso tipo contra quem critico, acredito que o importante é ser feliz, ser autêntico.
COMENTÁRIO:
Esse é o espírito. O negócio é conquistar a liberdade - seja ela qual for. Escolha a sua. E, com certeza, você terá uma luta pela frente (pois não está nos padrões). Sorte, força e diversão. Abs,
Careca