
Encontrei o velho Antunes no teatro dos Parlapatões. Ele estava na fila para assistir à peça “Vaca de Nariz Sutil”. O Antunes deve ter lá seus 24 ou 25 anos, mas aparenta ter nascido com uns 80. É ranzinza, cheio de certezas e mais cético que o Hitler no dia em que resolveu se liquidar.
Pensando bem, estou sendo injusto com a turma da Melhor Idade. Já encontrei muito senhor cheio de décadas no olhar, mas fumando e curtindo a vida tanto quanto o saudoso Paulo Autran. Portanto, não é que o Antunes pareça um idoso, ele apenas pensa como um homem prestes a se entregar para a última morada.
Voltemos para o amontoado de gente que esperava assistir ao espetáculo – bem interessante, vale escrever aqui. Estávamos lá e o Antunes me recebeu de braços abertos, porém com a mesma alma torturada de sempre.
Sem nem pedir um cigarrinho ou dar boa noite, ele foi logo atacando: “Careca, seu merdinha, bom te encontrar. Preciso saber como faço para conseguir uma mulher. Estou na seca e preciso copular”.
O velho Antunes não prima pela delicadeza com as palavras. Mas, no fundo – e bota fundo nisso – é um bom sujeito.
Pois eu também falei na lata: “Ora, meu camarada, você não precisa de dica nenhuma. Já fez o mais difícil, que é sair da toca. Olhe em volta… Respire fundo e sinta o cheiro das pequenas… Mire os cachecóis, os cabelos limpos e as saias rodadas… Elas estão aqui mesmo. E querem te pegar”.
O sujeito demorou alguns segundos para entender minha consideração. Mas logo estalou os dedos e exclamou: “Eureka! Ou melhor, Ovídio!”.

Ponto para o danado. Eu tinha acabado de ler em algum canto um trecho de “A Arte de Amar”, guia fundamental para quem pretende sair da decadência amorosa. Escrito há dois mil anos, traz dicas – originalmente para homens e mulheres da Roma antiga – que continuam certeiras. Uma delas:
“Ide para a rua. A multidão é útil, jovens beldades. Levem sempre seus passos errantes para fora de casa. O acaso desempenha seu papel em todo lugar: jogue sempre o anzol na água. Onde você menos espera pegar um peixe, haverá um.” (Transcrito da “Superinteressante”)
Pois é isso. Não é que falta mulher - ou homem - no mercado. Acontece que a turma parece que não sai mais de casa (ou sai menos).
O próprio Antunes me confessou que estava recluso havia algumas semanas, preocupado com a internet, dossiês, a estréia da novela e de meia dúzia de séries no Cabo.
Assim não dá. Alguma pesquisa na Inglaterra deve apontar isso. Mas hoje em dia há menos sexo, amor, paixão, tesão etc. por causa do maluco mundo virtual.
Sem se mandar pra rua, sem jogar a libido por aí, não dá – não dá mesmo – pra conquistar o oposto.
Como disse lá atrás o poeta, o acaso está andando soltinho, só esperando topar com seu destino.
Como não poderia deixar de ser, o velho Antunes largou sua rabugice e decretou: “É, mas às vezes a gente acaba mergulhando por aí e encontrando uma mocréia…”.
Aí é outro artigo. O Ovídio diz que rola pegar um peixe, mas não garante a qualidade do pescado.
Porém, o que vale é enfrentar o mar e sair com o barco, sempre.
Nunca vi tantas donzelas reclamando da falta de embarcações em seus oceanos.
Chega de marasmo, rapaziada. Vamos içar – com trocadilho – essas velas e partir.
O canto da sereia espera a todos.
É, Careca, o problema é que tem gente que gosta mesmo é de reclamar!
É capaz do peixe pular dentro do barco e o cara não ver, aí continua reclamando que no anzol não tem nada…
COMENTÁRIO:
Ah, isso é verdade. Tem muito pescador que nem sabe colocar a linha na vara. Beijos,
Careca
estou sempre “navegando”com meu “arpão”preparado… mocréia ou sereia …o importante e curtir a pescaria….
COMENTÁRIO:
Sorte. Abs,
Careca
Careca os homens dão disculpa do mundo virtual, mas falta coragem mesmo para estes nerds, que vivem ilhados num mundo imaginário que eles criam, e fazem buscas nos blogs da vida acham as mulheres mais lindas do mundo e acham que vão pegar elas, e esqueçem a empregada aquela gostosa, a filha da vizinha que adora se bronzear embaixo da janela dele, vamos largar de frescura thê, e partir pra guerra ou melhor para pescaria, que sempre se pega um pacu, nas águas calmas, rsrsrrsr valeu
COMENTÁRIO:
Ilhados? É por aí mesmo. Abs,
Careca
Prezado Articulista
Mulher não é peixe para ser fisgada.
Saudações Coloradas.
Pessoas ( do sexo masculino)
Aceitem um bom conselho para pescar um bom peixe:
Por favor, Não finjam ter uma “vara” maior do que vocês tem realmente.
Os homens que contam mil vantagens a seu respeito para parecer mais interessante não fariam isso se soubessem o quanto nós mulheres achamos certos comentários o cumulo da idiotice…..
Pensem nisso….
Que tal usar o cérebro para impressionar?
Bjus
COMENTÁRIO:
E voltamos para o tamanho da vara… Não tem jeito. Tamanho importa mesmo. Beijos,
Careca
Este Sacizão só pode ser boiola, o Saci, vc tira veneno da cobra ? vc faz o tipo fanático por futebol, esta ai um bom tema Careca, Fanáticos por futebol, que são boiolas. rsrsr valeu
COMENTÁRIO:
Começou com os torcedores do São Paulo e agora se espalhou. Finalmente perceberam que o futebol é para todos. Eu apoio. As torcidas devem sair do armário. Bom tema. Abs,
Careca
Prezado Comentarista
Não tenho qualquer problema em relação a minha sexualidade, por isso, nem perderei tempo me defendendo. Porém, cabe uma observação que fiz ao longo do tempo: Quem muito cuida da sexualidade dos outros é pq tem problemas com a sua sexualidade.
Se quiser me achar boiola, fique a vontade. Se tiver uma irmazinha na faixa dos dezoito aninhos, bem ajeitadinha, e quiser mandar dormir lá em casa, pode mandar, pois se sou boiola, ela estará segura, não é mesmo?
Alias, , comentando o comentário do articulista, deve alertar que usando meu conhecimento telúrico, farei um apontamento importante: A primeira torcida gay organizada do Brasil não foi a do spfw, mas a coligay. Coloquem no google o termo coligay e mandem procurar, e ficarão mais esclarecidos sobre este interessante assunto.
E, se for para me defender, só posso dizer que sou Colorado. E peixe é o torcedor do santos. Por isso prefiro agarrar mulher do que fisgar.
Para finalizar, minha antipatia com o termo fisgar é que o ato de fisgar pressupõe um dano ao ser fisgado, pois o anzol perfura a boca do fisgado/fisgada e muitas vezes mata. Prefiro outros tipos de abordagem.
Saudações.
COMENTÁRIO:
A menção sobre os bambis foi um chiste. Na verdade, lembro do meu saudoso tio Roberto, que nos idos dos anos 50 formou a torcida Coringay. Ou seja, tem viado em qualquer estádio. Inclusive aí no Beira Rio. E isso, realmente, não é nenhum problema. Saudações,
Careca
Oi Careca…
Andei sumida do site por um tempo, mas agora pretendo voltar a ler os artigos… Sobre este artigo em específico, eu digo…
Não são apenas homens que têm reclamado de falta de alguém do lado. As mulheres também têm feito o mesmo. Provavelmente em maior freqüência do que os homens. Fato: mulheres sempre reclamam dos homens, e os homens sempre reclamam das mulheres…
Há uma comparação neste artigo e nestes comentários entre relação homens-mulheres e pescaria… bom, de certa forma, eu também concordo com o Saci… não me agradam os termos pegar, catar, fisgar…
Eu acho que muitas vezes a relação homens-mulheres é um jogo. Existem certas regras, por mais que a atração entre os sexos seja uma coisa natural.
Acho que eu estou passando por uma certa fase de ceticismo, ou então apenas ando muito desanimada… mas em ambos os lados, há as complicações… muitos homens não querem relacionamento sério, e quando uma mulher demonstra esta intenção, se afastam. Outros, às vezes podem até ter esta intenção, mas se a mulher demonstra alguma determinação mais forte, ou alguma coisa que possa se assemelhar a isso, os homens se assustam, têm medo não sei do quê. E claro, ainda há a questão sexo… no primeiro caso, os homens (e claro, as mulheres também, porquê não?) só querem sexo. Mesmo as mulheres se dividem nesses dois grupos… e infelizmente a natureza feminina é mais emotiva, e como diz minha mãe, a mulher sempre vai pensar em uma relação mais duradoura…
Eu passei por um afastamento - para não dizer rompimento, já que foi uma coisa sem compromisso - recentemente. Inicialmente eu não tinha intenções de levar adiante a relação, dados alguns fatores geográficos. Porém infelizmente, após um primeiro contato, como toda mulher, me deixei levar pela emoção. E no meio de vários desencontros que nos abateram, o dito rapaz acabou conhecendo e ficando com outra garota. Coisas inevitáveis da vida. A coisa entre eles, segundo ele, começou a ficar mais séria, e numa segunda ocasião em que nos encontramos, isso veio à tona.
Certo. Onde quero chegar com isso? Agora, eu não tenho conseguido mais nem ficar em casa, e nem sair de casa, sem pensar no dito cujo. Talvez tenha tudo sido rápido demais para me apaixonar, mas a questão é que a paixão não é necessariamente a mesma coisa que o amor, e fora isso, ainda tem a atração, e isso também leva a não conseguir tirar uma pessoa da cabeça…
E aí entra o ponto levantado pelo artigo. Quero encontrar alguém também(dizem que para se curar de um amor, somente outro amor), assim como tantas outras pessoas. E saindo de casa, posso estar lançando a minha sorte ao vento, pronto para me trazer alguém. Porém, ainda é difícil de se conseguir encontrar esse alguém, quando se tem essa problemática entre homens e mulheres, um reclama do outro, um não facilita as coisas para o outro, tudo vira um jogo… ah quem dera as coisas pudessem ser mais simples…”eu te quero, você me quer, então tá, vamos ficar juntos até que já não seja mais assim”.
No entanto, aí as coisas sendo muito fáceis, perderia a graça… não é?
De fato, acho que ando num momento muito cético, de desânimo e desesperança… acho que estou desacreditando que ainda haja chances de encontrar um par…
Sabe que de certa forma, me lembrei do seu artigo sobre para o que servem os canalhas, com toda essa história? Acho que receio ter caído nas garras de outro canalha dessa vez… mas talvez seja cedo demais para dizer. Enfim…
Deixo meu comentário aqui… gosto das temáticas, sempre tratando desse intrincado jogo entre homens e mulheres…
Beijos,
Juh
COMENTÁRIO:
Depois de ler a sua história, não há dúvidas: a rede foi lançada. A vida é isso aí, não é? Esperar, esperar… E talvez sonhar. Sorte. Estaremos por aqui. Beijos,
Careca