Macho pero no Mucho
 
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Rock'n roll

22/05/2008 - 10h57

Por que não existem gays no futebol?

Recentemente um torcedor do nobre Colorado entrou aqui (sem trocadilho) reclamando um pouco de uma piada que nós – eu e a torcida do Corinthians – fizemos sobre os queridos sofredores são-paulinos.

No reino maravilhoso dos chistes preconceituosos – e engraçados pra cacete – os tais bambis (leia-se: a turma que sofre pelo São Paulo), gaúchos, campineiros, etc., participam da história invariavelmente interpretando o papel de viados.

Ora, ora, cada um tem que assumir a sua parte do anedotário que forma uma cultura – e uma sociedade aberta (agora com trocadilho).

Depois das brincadeiras (de novo sem trocadilho) em relação ao Richarlyson (do Tricolor paulista) e ao gênio Ronaldo, parece que a moda agora é colocar os jogadores de futebol no outro time – o das simpáticas bichonas.

Outro dia a gente lá do “CQC”, programa da Band, foi realizar uma entrevista com os amigos e fãs do Village People (aliás, famoso ícone gay, mas que tem apenas dois homossexuais no plantel que sobe aos palcos).

Além de bombeiro, policial, operário, nós queríamos saber quais as novas profissões “viadas”.

Decorador, cabeleireiro, cronista do MPNM, promoter, etc. já são favas contadas. O que surpreendeu foi a opinião da audiência do show. A maioria falou que hoje em dia já podemos desconfiar de quem joga bola por aí.

Nunca entendi por que nunca soubemos que tal futebolista é viado (quer dizer, até entendo, mas não compreendo). Sempre correm diversas histórias envolvendo dezenas de craques, anônimos e treinadores. Mas nunca ninguém confirma. Pelo contrário, ficam pu-tos se sacaneamos a sexualidade da galera que come grama pelos estádios do mundo.

futebolgay

Vestiários, testosterona bombando, só garotão, bola na rede… Pô, um festival de duplo sentido. E querem que paremos de brincar com esse pessoal? Não dá.

Parece até que todos torcem e jogam pela seleção do Irã – país que, segundo seu macho líder, não produz homossexuais.

Ou ainda, a turma que freqüenta um estádio está no Irã, afinal também é difícil encontrar uma bicha assumida fã de determinada equipe.

Essa sandice deve explicar muita coisa sobre o esporte bretão. Ou então realmente não há gays no futebol. Acho esse dado estranho, mas respeito.

Nesta semana chega às livrarias “Veneno Remédio”, livro do Zé Miguel Wisnik sobre futebol. Vou ler o treco e espero encontrar alguma explicação filosófica por lá. Então conto aqui pra vocês.

Será que realmente não existe jogador gay?

Qual será a terrível maldição que paira sobre nossos craques?

E os torcedores? Será que jamais iriam apoiar uma mocinha que vestisse o uniforme do Corinthians? Nem se “ela” fosse uma mistura de Neto com Sócrates e um toque de Tiazinha?

Com tanta bola rolando por aí, os gramados guardam os últimos machões da Terra?

Sei não. Tem muita gente querendo gritar gol, levar um peru e soltar a franga. Quem impede? O próprio jogador ou a sociedade?

Os caras enfrentam a Gaviões da Fiel, mas não conseguem exercer em paz a sua sexualidade?

Deixem os meninos jogarem no esquema de quatro. E chega desse drama.



por Careca

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6 Comentários »

Thais Sayao
2008-05-23 09:36:33

adorei o tema…

é óbvio q há gays no futebol, assim como em qualquer profissao; acredito que qndo juntam-se pessoas do mesmo sexo concentradas (conventos e campos de treinamento, por exemplo) o desejo sexual é inevitável, temos instinto como qualquer outro animal.
Acredito q o motivo dos jogadores gays nao se manifestarem é porq o futebol é esporte de homem macho MESMO, até as mulheres sao discriminadas, qnto mais os gays!!
um jogador assumir sua homossexualidade detonaria com sua carreira.
na verdade muitas pessoas nao se assumem porq o mercado de trabalho é muito preconceituoso. a sociedade crê q todo gay é drogado, baladeiro e promiscuo. que todo homem gay tem q se vestir de rosa e ser a bicha engraçada e que toda mulher gay tem que usar coturno e “coçar o saco”…
o jeito é arrastar aquele seu amigo super hetero para a PARADA GAY, para que o mesmo veja com seus proprios olhos que existe muito macho sim, PERO NO MUCHO!!


COMENTÁRIO:
Gostei da comparação entre um convento e um campo de treinamento. É por aí mesmo. E boa Parada. Beijos,
Careca

 
Sacizão
2008-05-23 10:23:21

Prezado Articulista Desprovido de Capilares

É com gaudio que vejo uma manifestação minha reforçar a necessidade de abordar um tema. Alias, tema espinhoso. Afinal, o que uma tocida adorar assacar contra a outra rival é que os outros são gays. Aqui em Porto Alegre, já é notória a pegação no pé da torcida do time de segunda divisão que foi pioneiro na questão de ter uma torcida gay uniformizada (a invulgar e famosa coligay). E isso não muda, em SP temos a questão dos bambis, em BH a questão da torcida azul e rosa, e assim vai, pais afora e mundo afora. A questão é que, enquanto a opção sexual do sujeito servir como motivo de chacota, isso vai perdurar, ainda mais no terreno radical do futebol (tal como na religião).

Se eu chegar lá na arquibancada do glorioso Beira Rio e disser que não vejo problema algum em que tenhamos uma torcida gay, antes do preconceito contra os gays, vai pesar o preconceito com a simpatia a um tema que é usado como ofensa contra os gremistas birebaixados. Porque seria uma burrice muito grande de minha parte não aceitar que existem Colorados gays, assim como existem corintianos gays, flamenguistas gays e todos os times tem seu percentual de torcedores gays, e isso não muda em lugar nenhum do mundo, e mesmo fora do assunto futebol.

Fato é que, enquanto a questão da opção sexual for umtabu, assim como outras questões de gênero, religião e até mesmo cor de cabelo (afinal, as loiras sofrem com as piadas que as classificam como burras, mas outro dia eu estava tendo aula com uma loira genuina, não oxigenada, de nascença, que é DOUTOURA em matemática eestatísca, e é Colorada também, graças a deus), esses quesitos serão atirados uns contra os outros e arrolados como “características” daqueles que a a gente considera inimigos. O preconceito é a forma mais burra de tentar convencer alguem de alguma coisa, mas é o modo mais utilizado, o que só denota a nossa burrice geral.

E é por essas e por outras que a cada dia mais perco a minha fé na humanidade.

Para finalizar, para mim o questão da opção sexual não conta como fator de engrandecimento ou rebaixamento de uma pessoa. Conta é a honestidade da pessoa, sua história, seus princípios, e não o que ela fez no recondito das quatro paredes. Confesso que tenho um pouco de dificuldade de lidar com demonstrações de carinho entre pessoas do mesmo sexo, ainda mais quando me envolvem, mas tento não transofrmar isso em preconceito. Afinal, não é porque eu sou um grosso que faz com que as coisas sejam erradas. Prometo melhorar. E não assacarei mais a ofensa “viado” para os birebaixados, técnicos de outros times, juizes e demais pessoas com as quais tenho algum conflito.

Ficam minhas Saudações Coloradas, para os não-gays e para os gays também.

PS : Não posso me responsabilizar por chamar os outros de birebaixados, é mais forte que eu.


COMENTÁRIO:
É isso aí, companheiro Colorado. Sem contar que o fato de o Inter ser um time gaúcho já o credencia a piadas. Abraços,
Careca

 
pescador...
2008-05-23 15:56:43

..Fala ai Careca..blz…mas fico prestando atenção nos narradores espotivos(futebol) no caso e nas frases usadas para descrever uma partida… “entrada dura por traz” “meteu no meio das pernas” “abriu para receber” “deu e correu” “levou um bolada no queixo” assim só podia “dar” nisso ai..rss.


COMENTÁRIO:
É um festival de duplo sentido. E que tal “correr para o abraço”? Eita gente sensível. Abraços,
Careca

 
Carol
2008-05-23 17:35:14

Gosto desses.


COMENTÁRIO:
Oba. Beijos,
Careca

 
Lucão
2008-05-23 18:08:35

Ola pessoal,
Não quero ser “Sr. Preconceituoso” aqui mas Futebol é coisa de Macho, e ponto final.

Não me venham com conversa de que existe espaço para bofes nas Arenas (gramados).

Na musica, teatro, cinema, tv e todas as outras 9.986.576.326.525.686 profissoes do planeta sim, existe espaço, mas no futebol NÂO!

É claro que tem os desavisados que acabam entrando de “gaiato” achando que vão conseguir esconder o que são e depois se dão mal.
O Richarlyson por ex: Quase assumiu a homossexualidade via GLOBO; frequenta o circuito gay de SP e ainda jura de quatro que é espada. Processa aqui, xinga ali, mas nao tem jeito…

Compreendam por favor. Não estou julgando aqui o talento de cada um e nem quero ser o durão Jack Nicholson-João Gordo-Boca-Suja.

O fato é que “A Regra é Clara”: Cada macaco-no-seu-galho e pronto.

Imaginem só se pedreiros, lutadores de boxe, mecânicos e toda a classe que pega no pesado
( sem trocadilho) fossem representados por uma bichola viríl. Com certeza se sentiriam ofendidos.

Caros leitores, o futebol é a Nossa bandeira (dos machos-alpha) seja em Liverpool ou em Limoeiros e só para deixar bem claro nós gostamos é de Mulher.
Não é a toa que batizamos o nosso bate-bola no campinho de PELADA e temos o maior prazer de “Entrar com bola e tudo na Adversária” ( leia-se fêmea).

Quanto ‘as outras profissões e esportes nada tenho contra a invasão dos GLTSVBF e outras siglas sejam lá o que elas significam.


COMENTÁRIO:
E ainda não quer ser chamado de Sr. Preconceituoso? Sei, sei. Só por curiosidade: qual é a sua profissão macha? Abraços,
Careca

 
Cá Rabello
2008-05-29 13:35:10

Careca, esse seu texto me fez lembrar de uma entrevista do falecido Jorge Lafon (a “Vera Verão”, lembraaa?), onde questionavam exatamente essa história de bichas no futebol…
…ou melhor, como ele sempre dizia “BICHA NÃO, UMA QUASE MULHER”!!!!

Enfim, na entrevista, ele contava que teve caso com diversos jogadores e ex-jogadores, que muitos outros com os quais ele não teve envolvimento, tembém eram homossexuais sim (e olha que na época o Richarlysson ainda era de categoria de base, hein!?), mas que não poderia citar o nome de nenhum deles, pois isso iria gerar muitos problemas…

Ou seja: existem SIM, e MUITOS, mas….


COMENTÁRIO:
Saudosa Vera. Falta uma por aí pra dedar uns caras. Abs,
Careca

 

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