
“Já é noite. Sairei pelas ruas, demorarei nos bares, na eterna procura de alguma coisa que não deve haver.”
Antônio Maria
A epígrafe acima, puxa sempre quis escrever essa palavra, foi retirada do livro “Um homem chamado Maria”, de autoria de um sujeito com um texto muito gostoso chamado Joaquim Ferreira dos Santos, que conta a trajetória deste pernambucano que foi a razão pela qual sempre desejei ser jornalista, de um talento sem igual foi responsável por máximas geniais até hoje, tais como:
“_Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de Baudelaire.”
“_A noite ainda é uma criança.”
Nos anos dourados da boêmia carioca ele bebia e papeava com Paulo Mendes Campos, Vinícius de Moraes, Jorge Lobo, Ary Barroso, encantava-se com Danuza, galanteava Maysa e chafurdava entre as meninas da Lapa como um trem desgovernado a procura real de alguma coisa que de fato talvez não houvesse. Convenhamos, o que um bom jornalista pode ter de melhor senão a sanha de procurar valentemente e ininterruptamente alguma coisa, ainda que ela não exista. Alguns dirão o texto, pode até ser, mas esse como alguns leitores deste sítio apontaram não é o meu forte.
Raramente me encontro com meus colegas de trabalho, quando o papo não é burocrático e o chefe não arvora-se da sua condição para pavonear-se sobre quão bom ele é, invariavelmente é fofoca idiota, sim classifico a fofoca, pois fofoca boa é aquela que altera o rumo da vida das pessoas, como lá na década de 50 também já existia e desde que o ser humano fala me parece, a danada surgiu junto com ele.
Hoje se faz jornalismo para pagar a prestação da casa e as grandes reportagens quando existem são para abocanhar prêmios e descolar um jantar na casa do dono do jornal e se aproximar do panteão que nem ao menos se dá o trabalho mais de escrever, mas têm o o poder dentro das redações e vaticina aquilo que é bom ou não para o jornal, como se tivessem um poder paranormal, do tipo arquivo X, para detectar qual tipo de espontaneidade os leitores estão dispostos a encarar.
Talvez esta nostalgia deva-se ao Dia dos Namorados, pois até a prazerosa troca de duas pessoas que se amam parece ter virado alvo da burocracia e inimiga da espontaneidade. Quem se ama hoje, ou talvez nem ame, parece autômato em busca de consumo. Todos parecem dispostos a enfrentar fila no restaurante, fila no cinema, fila no teatro e até mesmo fila no motel para não deixar de ser como os outros, onde já se viu?
Diante de uma época onde a diferença era tolerada tenho a nítida impressão de que vivia-se melhor do que hoje quando a diferença parece ter se tornado obrigatória e paradoxalmente vai nos tornando tão iguais.
No meu caso, alguém me ama e alguém me quer, será que se eu me esforçar no texto, um dia quem sabe, alguém poderá me chamar de Baudelaire?
Parceiro véio sinto que vc esta preçisando de umas palavras de carinho, de alguém que te chame Baudelaire, pois digo a você meu digníssimo amigo, você é um monstro de jornalista, vc é um Incrível Hulk do nosso jornalismo brasileiro, e terá teu reconheçimento no futuro, por que sempre reconheçemos os loucos depois que morrem, brincadeira, rsrsr
O que seria de nós leitores sem vocês produtores ai do outro lado.
abraço
COMENTÁRIO:
Caro Fernando,
Valeu pela força, mas o legal da internet é justamente o fim dessa relação unilateral entre autor e leitor, seja louco, seja autor você também!!!
Abs,
Gordo
Sim, provavelmente por isso e