
Eu queria escrever sobre as ruas de Paraty. Ruas que durante a Flip (festa de literatura que acontece todo ano em terras cariocas) ficam infestadas de pessoas carregando livros. Ruas sem carro. Ruas cheias de som e fúria. Ruas que inspiram poemas e letras potentes – e também parágrafos nus e medíocres como este.
Eu queria escrever sobre os pedantes, sobre o demônio que encontrei num conto de Neil Gaiman, sobre um banho de mar, sobre uma batida policial, sobre uma ou duas batidas de limão, sobre tantas coisas.
Mas vou falar mesmo sobre a mulher. Não qualquer uma, mas um tipo específico, aquele capaz de salvar um homem.
Por coincidência, essa mulher fictícia fala francês.
Toda essa bobagem pra eu chegar até Carla Bruni, a cantora que resgatou a dignidade do presidente da França, Nicolas Sarkozy.
Pois o sujeito venceu as eleições nem tomou posse e já era considerada a pior coisa que os franceses tinham produzido desde o filme-cabeça.
Então surgiu Carla Bruni. Toda gostosinha, simpática, de flamejantes olhos nada ressacados, ela virou a queridinha do público e dos eleitores. Em poucos minutos, todos concordaram que o Nicolas deveria ter alguma coisa além dos cinco ou seis cérebros. Ninguém conquista uma pequena dessas sem um mínimo de talento ou sorte.
Eis que o presidente passou de vilão para garanhão. E tudo por causa da dedicação e do companheirismo de uma fêmea.

Aí, eu li uma reportagem que mostrava a porcentagem das mulheres que visitam os maridos na prisão. Esse número é infinitamente maior do que o dos machos que vão até as cadeias beijar suas meninas que estão trancafiadas.
Não tem jeito. Mulher se dedica a recuperar e agradar o parceiro. O homem muitas vezes acha que essa é apenas a obrigação da amada.
Ah, se nós também agíssemos assim. Se a gente fosse capaz de recuperar e abrigar uma pequena com o carinho e compreensão que elas nos tiram do limbo…
E temos tantas meninas precisando de nós. Ammy Winehouse, Britney, Xuxa, Nicole, Gisele e outras seguem aí, sempre meio sem rumo, sem nenhum macho capaz de compreendê-las e as carregarem um pouco no colo.
Pra completar o lamento, vi por esses dias o forte “O Escafandro e a Borboleta”, filme que conta a história de Jean-Dominique Bauby, ex-editor da revista “Elle” francesa que sofre um derrame e fica paralisado da cabeça aos pés, mas capaz de raciocinar normalmente e se comunicar usando piscadelas de apenas uma pálpebra.
Desse jeito, piscando e indicando as letras que gostaria de usar, ele continuou vivendo e escreveu um livraço. E adivinhem que ficou ao lado do sujeito, velando o seu sono e seu resto de lucidez? Uma mulher, claro.
Aliás, uma não. Várias mulheres.
Ainda bem que podemos ficar assim, imóveis. Pois sempre existirá uma pequena que nos salvará da mediocridade da existência.
BELISSIMO!!
como sempre ótimos textos.
COMENTÁRIO:
Valeu, Zé. E um obrigado pra Thays aí em cima. Abs,
Careca
O único problema é que dessas, só existe uma em um milhão…
Mas sim, uma mulher dessa raríssima espécie converte (ou desconverte, no caso da Leila Lopes…*rs*) qualquer homem.
COMENTÁRIO:
Caro V8, como diria o poeta: melhor uma em um milhão do que nenhuma em um bilhão. E a Leila Lopes já merece um filme sobre a sua explícita vida. Abs,
Careca
Careca…
sim, só uma pequena para ficar do lado do seu macho por um bom tempo, enquanto o amor dela durar por ele,pois quando amamos alguém, este amor é sincero, leal, e constante.
bjs Careca um xero.
COMENTÁRIO:
Bom saber que vocês pensam assim. Beijos,
Careca
Toda vez que leio os textos desse homem
Meus labios começão a tremer
Minha face se alegra
E sempre disparo um sorriso timido!
Que leitura maravilhosa
Como eu amo ler isso
Apesar de não ser adepta a pratica da leitura, mentiras sinceras me interessam…