
Pela primeira vez em alguns anos estou lendo os cadernos de economia dos jornalões (ainda vejo essas coisas em papel, pois gosto de manter as mãos sujas) antes das notícias culturais. Também sei que arte e negócios se tornaram muitas vezes uma coisa só, mas aprecio o fato de elas por enquanto virem em blocos separados.
E estou me divertindo pacas com a crise global. Minto. Não estou rindo da desgraça do pessoal da grana, não. O meu sorriso vai para todos os coleguinhas e especialistas que discutem “como a gente chegou ao fim do mundo e ninguém tinha percebido?”.
O jornalista e colunista Clóvis Rossi quase me convence de que existe alguma lógica por trás desse drama todo. Mas diante do derretimento da economia, do possível crash mundial e da crise global, só mesmo o Inácio Araújo, crítico de cinema da “Folha”, tem a perfeita explicação para o atual estado das coisas.
Nelson Rodrigues já tinha nos alertado: um homem é formado pelas suas obsessões. O mesmo Nelsão virou uma de minhas taras, assim como o Inácio. Citá-los e admirar suas frases é o que me resta nesse mundo bovino, ruminante e escandalosamente triste.
Outro dia mesmo falei que o Inácio citou um termo que explica muita coisa: “verdade histórica”. Então. A falência das bolsas e do mundo como o conhecemos não tem nenhum entendimento lógico. É uma verdade histórica e que se dane. É assim que as coisas são. Os tais ciclos.
Explicar o que está acontecendo é como tentar desvendar os segredos de uma separação, o fim de um caso de amor. Até sabemos que existe algum neurônio, uma série de conexões, serotoninas e sei lá mais o quê agindo na parada. Mas na hora do vamos ver, parece que não seguimos as regras.
Todos concordamos que amar é como aplicar nas bolsas. Existem altos e baixos, algumas ações ficam super valorizadas, outras entram em decadência, a gente acumula emoções e há muitas empresas investindo o tempo todo.
Às vezes nós ficamos ali, fiéis, comprando nossa porção da Vale ou da Petrobrás. Em alguns períodos distribuímos a atenção por vários lados, aplicando geral.
Em certas épocas, tudo vai bem. O homem acredita na sua pequena, há um baita investimento de ambas as partes, a bonança corre solta e o mundo é um paraíso de prazer e consumo.

Mas basta uma coisinha sair dos eixos, alguém aparecer e melar uma transação e o pânico se instala. Subitamente você deixa de investir naquele amor, o crédito cessa e a casa cai. Pronto. O derretimento de mais uma relação, o fim de um universo inteiro. E muitas vezes você nem teve tempo de recuperar suas economias ou fechar o pregão pra pensar mais uns dias.
O negócio então é partir para outras bolsas, tentar novos mercados, colocar os ovos num outro cesto.
E como podemos explicar isso? O amor tem razões que até a razão desconhece, não é essa a frase?
O crash amoroso quando aparece é como o de Wall Street, não poupa ninguém. E arrasta as pessoas para o muro das lamentações.
A Imortal da Zona Norte outro dia disse estar torcendo para tudo ruir. Eu critiquei. Pensando bem, como lutar contra essa verdade histórica? Talvez, como no fim do amor, seja bom sair por aí, tentando fazer seu próprio destino.
Quem sabe essa quebradeira toda não passe de uma história de amor que chega ao fim. E logo mais vamos encontrar um colo diferente. É assim que as coisas funcionam, nas bolsas ou aí na sua casa.
E quer saber? Mesmo que tudo acabe no fundo do poço, um dia nós estaremos de volta, investindo alto em uma nova Wall Street. É assim que as coisas são. E não tem economês que consiga explicar.
Por isso que o meu lema é o seguinte: Se nada der certo, viro HIPPIE!
abraço.
Aaah! Eu viro tmbm!
Vamos todos .. Tudo junto e misturado!
Muito bom!
Rosebud, careca….
Rosebud!!!
É o fim da inocência que acaba com o amor entre as pessoas e os sistemas - quando acreditamos que a pessoa que está do nosso lado é cheia de qualidade e seus defeitos são perdoáveis.
COMENTÁRIO:
Rosebud, amigo. E para alguns, rosebunda… Horrível essa. Abraços,
Careca
É meu caro Careca… é tempo de crise em todos os aspectos.
Mas assim como vc, tmbm sou até otimista, creio que tudo se acertará
e se não se acertar, todo mundo parte pra um outro rumo.
Tenta investir num outro lugar… no amor e na gurra(das bolsas) vale tudo! ué!
Beijão!
COMENTÁRIO:
Vale tudo. Sempre. Beijos,
Careca