
Apesar de ser milionário, bonito e com bom gosto para artes e comida, eu também tenho meus momentos de insatisfação. Quando aquela pequena tristeza se avizinha, eu pego um livro do Augusto Cury. Olho bem a capa, dou uma folheada e depois queimo página por página. É uma delícia.
Só tem uma coisa que me acalma mais do que destruir volumes de auto-ajuda: é assistir aos filmes de Woody Allen. E agora estou falando um pouco mais sério.
Ultimamente, o cineasta nova-iorquino de 72 anos parece o Walt Disney dos conflitos existenciais. Suas obras mostram personagens aflitos e inconstantes no amor. Porém o cenário é de conto de fadas, com castelos, muita música, princesas e um sexo casto e quase infantil.
Do jeito que o diretor trabalha, não me espantaria se dragões ou elfos surgirem no próximo trabalho.
“Vicky Cristina Barcelona” é a mais nova crise romântica que Allan Stewart Konisgber – o verdadeiro nome de WA - coloca nas telas brasileiras. Conta como duas americanas (Scarlett Johansson e Rebecca Hall) se divertem com Javier Bardem num verão na Catalunha.
O papo entre eles é sobre as dificuldades da vida a dois. E a nossa eterna insatisfação com o outro.
Há uma pequena tese que percorre o filme: o melhor amor é aquele que não se completa, que não se entende, que vive em turbulência.
Ora, ora, eu tenho que concordar com esse Bergman judeu e sarcástico.
A melhor coisa para uma relação é justamente a sua instabilidade.
Vocês, querido leitor e amada leitora, podem neste instante puxar pela memória uns trocentos exemplos de confusão amorosa aí mesmo na sua casa.

A coisa é assim. Temos desejos ocultos, outros nem tanto, um tesão pela mulher do outro, uma loucurinha pelo cunhado, meia dúzia de sonhos bacanas com a instrutora de ioga, uma vontade danada de dar uma bitoca no bonitão da padaria e por aí segue.
Quantas dessas fantasias podemos realizar? E por que não podemos?
Quantas delas são fantasias e quantas realmente nos provocam a tal ponto que se tornam reais?
As dúvidas, o frio na barriga, os encontros secretos, o desejo, tudo forma esse combustível que nos empurra pra vida.
Assim é “Vicky Cristina Barcelona”. Um filme em que tudo é possível, em que amar mais dá prazer do que dor.
A doideira começa quando Scarlett e Rebecca estão jantando num restaurante mais do que agradável e Javier Bardem aparece. Elas não conhecem o sujeito. Mas isto não o impede de convidar as duas para um final de semana de bebida, turismo e comida (com trocadilho) em Oviedo.
Rebecca é noiva. Scarlett solteira e pronta pra qualquer parada. Qual das duas você acha que aceitaria a oferta?
Eu respondo e garanto que não vou estragar o filme. Pois as duas aceitam. Claro, pô. E como afastar certos desejos? Ainda mais num filme do Woody Allen?
Então entendemos que o tesão reside em tudo e todos. Só a intensidade é que varia um pouquinho. A mais santa mãezinha pode se revelar uma pecadora digna de se chamar Salomé.

Lá pelas tantas, pra nos deixar ainda mais tontos de alegria, Penélope Cruz invade a cena. Ela é a ex-mulher pirada de Javier Bardem. E coloca peitos e boca pra trabalhar, formando um interessantíssimo triângulo.
Sei não, mas acho que o velho Woody é um dos cineastas que mais entende de mulher no planeta. Vai escalar beldade assim lá na Suécia. Aliás, bem que ele poderia agora filmar suecas, russas, húngaras…
Assim é “Vicky Cristina Barcelona”. Um filme em que há traições, amores perdidos, tentativas de assassinato, bissexualismo, ménage à trois, sofrimentos e muito, muito amor.
Acima de tudo há um respeito pelas tentações dos personagens.
Os casais do filme podem ser perturbados, insanos, mas entendem e escutam as suas vontades. Isto pode causar uma imensa bagunça. Mas acho que é o melhor jeito de viver essa história.
Como diz Penélope Cruz, o amor só é bom quando falta alguma coisa, quando algo não se encaixa. Pois é nessa falta que encontramos brechas pra se aventurar, pra renovar o fôlego, pra nos respeitar.
Pena que aquilo seja apenas um filme.
Mas que é gostoso pensar que a vida pode ser assim, isso é.
Vamos bagunçar um pouco o coreto pra ver no que dá.
e o beijo da penelope com scarlett deus do ceu!!!!!
COMENTÁRIO:
E do inferno também. Beijos,
Careca
Quero ver a cena do ménage.
Abraço!
COMENTÁRIO:
Não espere muito nem tudo. Mas o que a cena sugere já é de arrepiar. Abraços,
Careca
Cara,
Fui ao cinema ontem, porém devido ao nome do filme acabei assistindo “Romance”, com minha noiva, o filme até que é bom, más pelo que lí acima, deveria ter assistido a este, o bom e velho WA sabe bem quando e como fazer as coisas, nestas épocas onde só se fala em crise, não há nada melhor do que falar das várias facetas do amor.
COMENTÁRIO:
Bem dito. E ainda vou ver o Romance do Guel. Abraços,
Careca
Careca, meu querido
Voce que nao parece, pela sua caricatura nenhum Javier Barden, com esta frase:
“Como diz Penélope Cruz, o amor só é bom quando falta alguma coisa, quando algo não se encaixa. Pois é nessa falta que encontramos brechas pra se aventurar, pra renovar o fôlego, pra nos respeitar.”
Pelo amor de Woody Allen, Careca, sua frase tá fraaaca, e além de tudo revela seu caráter.
Se aventurar e respeito, não são palavras que encaixam, né?
Talvez alguém insaciavel, solitario ou mal resolvido.
Na verdade, o que deve te faltar é uma Penelope Cruz, né Careca?
Uma mulher de verdade, ou quem sabe ….. vai saber.
ha ha ha
Penelope.
COMENTÁRIO:
Aventura e respeito são palavras que não se encaixam? Vixi. A coisa tá feia, hein, fia? Agora, devo concordar com você: sou mesmo solitário, insaciável e mal resolvido. E te digo: é bom viu. Beijo,
Careca
PS: Realmente falta a Penélope Cruz na minha vida. Mas mulher de verdade eu já tenho. Obrigado.
Mas não fica também uma coisa curiosa, como o WA faz com que o amor “convencional” do Doug perca o páreo de longe ainda que, no fim, ele parece ser o único que dá certo? Até que ponto o tal amor da María Elena é tão melhor, se traz mais sofrimento do que felicidade, uma vez que nunca dá certo?
Deus me livre de ser coxinha como ele, mas me parece que José e Doug são opostos e, ainda assim, iguais, de certa forma.
COMENTÁRIO:
Essa sacada é coisa de mestre, Paulo. O troféu para o Doug, no final, é uma piscadela a favor do amor seguro, incondicional e cheio de concessões. Mas quem disse que o sujeito irá apagar o fogo na periquita da esposa? Amar dá um trabalho danado… Em qualquer frente. Do mais careta ao libertário. Abraços,
Careca
Dá-lhe Careca!!!
O filme é mesmo excelente !!!
Beijosss!
Scarlett Johansson… ah… eu trocaria a eternidade por uma noite com essa mulher… rsrs…
Abraço.
Hum… ah se a vida fosse assim!
Quanto ao filme achei excelente… a cena do beijo… vamos respeitaar!
Eu quase( disse quase!) revia os meus conceitos qnto a minha sexualidade!
Poizé, Careca… já pensou em fazer um FDS desses:? Pode ser na laje mesmo! rs
COMENTÁRIO:
Ô se pode. Abraço,
Careca