Macho pero no Mucho
 
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Rock'n roll

26/12/2008 - 22h44

Tchekhov também serve pra pegar mulher

Eric Lax – Quando você entrou em contato com Tchekhov e outros escritores “sérios”?

Woody Allen – Foi no finzinho da escola secundária, quando comecei a sair com mulheres que me achavam iletrado. Eu achava aquelas meninas lindas: sem maquiagem, jóias de prata, bolsa de couro. Saía com uma delas, que dizia: “O que eu queria mesmo fazer hoje era ir ouvir o Andrés Segovia”. Eu dizia: “Quem?” […] Ou então outra dizia: “Você já leu este romance do Faulkner?”. E eu dizia: “Eu leio gibi. Nunca li um livro na vida. Não entendo nada disso”. E então, pra poder acompanhar, precisei ler. O Hemingway e o Faulkner realmente me interessaram logo de cara; o Fitzgerald, nem tanto. Então comecei a ler peças de teatro. E assim comecei a escrever comédia…

Ou seja, o Woody Allen se interessou por leitura para comer mulher. Por que algumas pessoas preferem ir para a academia – não a de letras – puxar ferro em vez de pegar em livros? Está aí esse judeuzinho safado, diretor de 44 filmes (“quase todos ótimos, alguns inesquecíveis”, como escreve Otávio Frias Filho), que dá esperança a todos nós.

Sim, minha gente, é possível catar a mulherada falando sobre literatura, arte e filmes. E mais: dá pra usar óculos e ser franzinamente careca. Basta ter um tutaninho fresco e cheio de informação.

Desculpem. Comecei a falar sem explicar a citação inicial deste texto. Abri com um trecho do elucidativo “Conversas com Woody Allen”, um livrão que reúne inúmeras entrevistas que o cineasta nova-iorquino concedeu ao astuto Eric Lax desde 1971.

Se alguém um dia tentou imaginar como funciona uma parte da mente de um criador genial da arte contemporânea, este é o caminho das pedras. Dividido em capítulos temáticos, ele mostra o pensamento de Allen no momento em que tem a idéia, escreve, dirige, escala os atores, etc.

E, claro, no meio disso tudo temos uma boa fofocagem sobre atrizes, amores e vida pessoal.

Então agora estamos de volta ao início desta brincadeira.

Por que os machos desistiram de cantar as pequenas usando a inteligência, as palavras bonitas, a poesia mesmo, a cultura, os bons modos?

Neguinho pensa em dar beijo na boca no verão e já corre malhar, ficar com o corpinho em ordem, tomar uns shakes muito loucos, etc.

Ora, ora. Pois saibam que também estou pronto pra arrasar em meia dúzia de praias nacionais e levo nos braços alguns quilos de bons exemplares de Bill Bryson, Roberto Bolaño, Alan Bennet, Mark Haddon, Eliane Brum e tantos outros pesos pesados que tiveram marcantes títulos arremessados na praça nos últimos meses.

Jogando a modéstia para os cães famintos, digo que consigo mexer meus pauzinhos apenas usando essa turma – e estando uns 34645 quilos acima do peso ideal.

Tudo bem, sou feio mesmo e tenho que apelar. Mas cada um usa a arma disponível, certo?

Bom, claro que a gente sempre corre o risco de encontrar uma Clarice por aí. Nada contra o nome – aliás, uma de minhas obsessões pra nomear personagens femininas.

Mas uma vez saí com uma menina de nome Clarice. E ela dizia que gostava muito, muito mesmo, de teatro. Quando comentei que eu tinha visto uma boa dose de Tchekhov naquela semana, ela me saiu com essa: “Sério? Puro? Eu gosto com muito gelo”.

woody

Fiquei rindo por alguns segundos até que percebi que não era uma piada. Ela realmente achava que o nome do escritor era apenas a marca de alguma vodca.

Claro que eu emendei: “Pois é. Tomei puro. Talvez por isso fiquei embriagado, triste e com vontade de ser uma gaivota”.

Ela sorriu e nunca mais falamos sobre autores russos. Na verdade, nunca mais nos falamos.

Mas acho que vale a pena tentar conquistar as meninas com alguma cultura. Caso ela – a sirigaita - não nos ensine nada, pelo menos a gente pode se apaixonar por alguma outra coisa – as letras.

Mirem-se no exemplo do nobre Woody Allen. Com seu jeitinho neurótico e bilau sem capuz, conseguiu marcar dezenas de pontos e até mesmo pegar a própria filha – ok, filha adotiva da ex-mulher dele, mas vale como exemplo extremo.

Olha aí uma boa alternativa pra quem não teve tempo de se recauchutar para o verão. Vamos tentar pegar mulher usando Tchekhov e uma turma mais barra pesada.

Não fique aí se lamentando e jogando PlayStation enquanto as flores lá fora são disputadas por bombas de testosterona. Vamos, turma. Há outras deliciosas maneiras de se aproximar de uma fêmea. Garanto que elas gostam de ter opções.

Eu sei, eu sei. Não precisa agradecer, não. Estamos aqui pra ajudar a rapaziada.

Se algum dia alguém lhe oferecer Tchekhov, isto é Macho Pero No Mucho.



por Careca

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2009 será porreta »

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10 Comentários »

Spi
2008-12-27 12:14:58

Ta certo.
Agora, querer ganhar mulheres com Tchechov, é russo, heim?
Clarice foi educada, “só com muito gelo” mesmo.
Isso nem o Woody conseguiria, acho.

COMENTÁRIO:
Ah, mas quem disse que é fácil malhar três horas por dia? Ainda fico com o esforço do método Tchekhov. Abraços,
Careca

 
Gattubera
2008-12-27 17:23:42

Deixa de ser bobo, que você ( e o gordo tb) é uma gracinha, essa caricatua aí é que não lhe faz jus! Beijins

COMENTÁRIO:
Gracinhas que lêem Tchekhov. Oba. Estamos na frente. Gracias. Beijos,
Careca

 
Lyla
2008-12-27 20:58:46

Oi Careca
Adorei o texto. Mas, olha só, hoje em dia a maioria das pessoas não lê nada, nem bula de remédio, nem jornal, que dirá livros. Mal vêem as gravuras das revistas. Então, como irão as táticas intelectuais surtir efeito?
Mas educação e cavalheirismo sempre terão lugar, principalmente junto a pessoas sensíveis. Quem sabe demonstrar cultura entretenha a garota para que ela descubra outros atrativos (que o cara nem sabia que tinha). A partir daí a natureza segue seu curso.
Não sei quanto às musas do Woody Allen, mas tenho que sentir alguma atração para chegar às vias de fato. Adoraria conversar com ele, mas outras coisas não. Será que tenho o cérebro meio masculino?? rsrs
Beijos e um ótimo 2009 a você e a todos do blog!
p.s.: De que editora é esse livro? Fiquei com vontade de ler.

COMENTÁRIO:
Lyla, ótimo 2009 pra você também. O livro sairá pela Factash Editora. Mas logo mais informamos vocês. Na verdade, vamos fazer alguns lançamentos e uma distribuição pelo sítio mesmo. Aguardem. Beijos,
Careca

 
Laura
2008-12-29 18:06:45

Li Tchekhov e nunca peguei ninguém por isso.
hahasha, mas a sugestão é boa.

COMENTÁRIO:
Não pegou ainda, você quer dizer. Beijos,
Careca

 
Marcelo
2008-12-30 01:26:54

Gordo,
Mandou bem, Woody Allen é dez pra pegar a mulherada… é so levar para ver Vicky, Cristina e Barcelona, o raleerola começa no cinemao com direito a esticada no banco de tras, no sofa de casa e ao amanhecer na cama da gata… Woody meu idolo erotico…

 
Luciana Reis
2009-01-04 11:45:15

Sirigaitas não têm cultura,mas têm coração.Não gostei deste termo,além do mais você não precisa disto,pois já provou ser bom cronista.
Beijos,Loo

COMENTÁRIO:
Ah, Loo, mas existem sirigaitas e sirigaitas. A do texto é uma invenção, claro. Como tudo nesta vida. O que incomodou é que a sirigaita em questão tentou ser culta, chutou lá em cima e tinha aquela aparência de intelectual da Vila Madalena, saca? Aí é fogo. Mas você tem razão. O termo sirigaita esconde muitas questões - e se existe uma pequena adorável é a sirigaita com coração. Logo mais vamos falar delas. Beijos,
Careca

Luciana Reis
2009-01-05 13:20:33

As sirigaitas com coração merecem um texto.
Beijos
Loo

 
 
Andréa
2009-01-06 11:17:19

Adorei!

Exatamente! O que está faltando é um pouco de “lirismo” nesses moços. Não se enganem! É um charme impagável saber conversar sobre livros, filmes e afins. É muito mais interessante do que sentar num bar pra falar do show da Madonna e seu tombo!

Você só se esqueceu dos brasileiros que são igualmente apetitosos de se ler!

Beijokas!


COMENTÁRIO:
Sim. Mas tem uma brasileira lá na lista, a Brum. É que ultimamente só peguei pedregulho nacional. Beijos,
Careca

 
Mariana
2009-04-24 18:42:02

Por mais lindo que seja aquele cara que passa horas na academia, nenhum relacionamento se sustenta só com músculos. Um pouco (pelo menos) de cultura é fundamental, além de ajudar a eliminar autoras de frases brilhantes como a Clarice.

 
antero
2009-08-27 23:51:05

W. Alen deve ter ajudado muito o Otavio Frias Filho a ficar com menos cara de nerd.

W. Alen também é bem do agrado das balsacas entediadas com seu casamento e que gostariam daquela masturbação intelectual do cinesta, porque gostaria que o marido discutisse mais a relação.

O cara pegou a filha adotiva? vamos todos bater palmas

 

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