
Outro dia descobri que uma querida amiga adora ouvir a conversa dos outros. Basta estar num bar, ao lado de uma mesa lotada de papo e pronto. A garota não resiste. Fica ali, de butuca, só se informando o que está pegando na vizinhança.
Fiquei muito feliz com a revelação. Discreta, a mocinha guarda pra si as palavras alheias. O que ela quer mesmo é escutar o que os outros estão fazendo, sentindo, curtindo.
Sou assim também. Escrevo algumas horas e logo saio pra tomar um café, olhar uns livros, respirar um pouco de gás tóxico, etc. O que me interessa é sacar o que está rolando nas ruas.
Se você deixar suas orelhas soltas, dá pra entender as novas gírias, construir bons diálogos, inventar personagens e ainda ganhar um café grátis. Flanar é o que há, garotada.
Chegamos ao debate. Numa dessas orelhadas na vida alheia, peguei um casalzinho conversando numa dessas redes chiques de café gringo. Estava eu tomando meu expresso aguado, quando registro o seguinte trecho vindo da mesa ao lado:
ELA – Cinco dias, Arnaldo. Isso é sério.
ELE – Sério? Meu caso é que é sério. É a crise, amorzinho. Difícil fazer qualquer coisa com a crise.
ELA – Crise o escambau. Cinco dias, Arnaldo. Cinco. Você não tem mais…
ELE – Nem continua. Pode parar. Claro que eu tenho. Mas é que… É a crise, meu doce. Deixa a gente pra baixo.
ELA – Mas o Lula falou que é marolinha, a Bolsa voltou a subir…
ELE – A Bolsa subiu… Mas eu… Vixi. Tô em plena depressão. Calma. Uma hora a crise vai embora e tudo volta a funcionar.
ELA – Mas, Arnaldo… E se tudo piorar? Como é que eu fico?
ELE – Aí o negócio é pedir concordata e fechar tudo pra balanço.

É isso mesmo que vocês estão pensando. O tal Arnaldo não transava havia cinco dias com a Amorzinho. E colocava a culpa na crise econômica. É mole? Sei lá, deve ser.
Pior. Nas minhas andanças vejo que a galerinha está abusando dessa desculpa. É crise pra lá e pra cá. E assim, neguinho não dá o prometido aumento de salário; o seu Zé cobra mais pelo feijão; o patrão entope a gente de trabalho… Tudo por causa da crise.
Agora, parar de servir a patroa porque a crise chegou?
Meninas, não aceitem isso. A crise jamais pode atingir os colchões ou o amor. Não existe falta de dinheiro quando o assunto é tesão.
Saibam que se o bofe parou de dar assistência e jogou essa conversinha de crise… Xi, danou-se.
Leve o danado pra assistir ao novo filme de Jim Carrey, o engraçado “Sim, Senhor”. Lá você vai ver que o negócio é mandar ver na paixão e na pequena, com crise ou sem crise.
Estamos vivendo tempos gloriosos, ideais pra mostrar o quanto ainda conseguimos ser machos nessa bagaça.
Medinho da crise? Ora, faça-me o favor.
Agora sim é que elas precisam de ajuda, de carinho, de conforto, de pequenas e boas alegrias.
Não use a crise como desculpa. Ela não atinge o amor, meu querido.
Agradar a sua menina não aumentou de preço, não.
Arnaldo, acorda, filho.
é certo que quando se perde dinheiro, dá uma desmotivada, uma moleza e tals. Mas se dinheiro fosse problema na cama, os pobres não teriam aquela penca de filhos que tem. xD
To certo?
COMENTÁRIO:
Comentário politicamente incorreto. E com sua lógica social. Abraços,
Careca
Pensei que era a única que ouvia a conversa alheia pelos cafés da vida.
Fiquei aliviada e, por que não, feliz quando descobri que não.
E se a moda pegar, aposto que os vibradores viram moda aqui tbm, mesmo sem o peso de um corpo em cima do outro é melhor do que ficar só com a desculpa da crise.
COMENTÁRIO:
Sempre tem alguém que ganha com a crise… Se o sujeito não comparece, tem muito acionista aí só esperando a chance. Beijo,
Careca
huahuahuahahahuahuhauahu…
Se um cueca me vem com esse papinho de crise eu globalizo a coisa…
Muito bom o post.
Visitem-me: www.papobalzaquiano.blogspot.com
COMENTÁRIO:
Boa. Afinal, os mercados continuam funcionando. Abraço,
Careca
Hahaha
O que não falta é acionista especulando!
Vamos especular!
rsrs
Pelo menos isso tinha que funcionar na crise, afinal estamos duros ou não?
bacana o blog.
Abraços!
Apoiadíssimo Careca!
A crise deveria servir de combustível para densas e maravilhosas horas com o “Amorzinho” (ou pequenas em geral). Claro! Se o preço até do pãozinho está aumentando, se o chefe não dá aumento, se a mãe cortou a mesada….ora meninos…asteiem a bandeira do “pelo menos sem amor (e amar) a gente não fica”.
Beijos
COMENTÁRIO:
E amar pode sair bem baratinho. E tem sempre um jeitinho de negociar. Beijo,
Careca
Oh! God! Save the Queen! Eu tô começando a achar que a crise realmente existe, mas é um outro tipo de crise…rs…Conhece o Mario? Pois é, o namorado da Amorzinho deve ter conhecido e ficou em crise!
COMENTÁRIO:
Opa. Verdade. Cada um tem a crise que merece. Beijo,
Careca
Acho que você, e ela, foram injustos com o Arnaldo. A depressão abaixa os níveis de testosterona, e consequentemente varre o desejo sexual pra longe.
Já suportei quase um mês sem nem pensar em sexo(no outro post eu disse que eram três meses… lol), as mulheres também deveriam aprender a suportar um pouco.
(se for me imitar, tome cuidado com as poluções…)
Paz!