
O Mário Bortolotto é bem porreta. Nem sou um dos muitos fãs de suas peças (pelo menos das que eu vi). Muito menos assino embaixo de qualquer ideia (e só neste momento uso a nova ortografia) que ele arremessa por aí.
Mas não resisto a seus tormentos. Sei lá. Gosto de pessoas que respeitam os seus tormentos.
Pra quem não sabe, o cara é dramaturgo, escritor, poeta, ator, músico e mais uns tantos etcs. Nascido em Londrina, no Paraná, e radicado em Sampa, o bebum cultiva amigos e inimigos com o mesmo tesão.
Carrega o mérito de falar o que tem vontade e manda ver nas suas opiniões, sem se preocupar com a caretice do mundo.
Bem, pra saber mais, acesse as palavras do homem no bonito atirenodramaturgo.zip.net.
O que me interessa aqui é o calendário para este ano que ele fez nascer.
Porra, sempre achei que poderíamos definir as virtudes e defeitos de qualquer um a partir das fotos e ilustrações que essa pessoa escolhesse pra ilustrar um calendário.
E o sacana do Bortolotto entendeu essa parada. Ele me plagiou sem nem saber que existo. Gênio.
Num post recente, o bruxo da Roosevelt postou (puta palavra besta) doze fotos que fariam parte da sua folhinha particular. Mês a mês, conhecemos o gosto e a intimidade de um escritor.
Primeiramente gostaria de publicar as fotos que o dramaturgo jogou no seu blog. Vejam se isso não é coisa de alguém que manja do riscado.
Peguei o calendário do Bortolotto pra mim e abaixo de cada fotograma faço as minhas justificativas.
JANEIRO – Dani Bolina

Acho mais do que justo começarmos o ano com uma pelada de programa de TV. Em tempos politicamente corretos, é um baita pé no saco ouvir aquele discurso que “mulher sem roupa é uma degradação etc. e tal”. Porra, parece coisa de tia velha da TFP. Por Deus, televisão envolve muitas sacanagens. Só pra lembrar: a trupe do Monty Python sempre brincava com mulher pelada. E ali estava uma deliciosa crítica ao moralismo. Cuidado. Não basta vestir a moçada com terno para um programa ser bom. Uma peladinha do “Pânico” pode nos revelar muito sobre nós e sobre a televisão.
FEVEREIRO – Asia Argento

Asia Argento no mês do Carnaval é a sacanagem perfeita pra nos arrebatar. Filha de um cineasta de terror, Asia traz no nome todas as idiossincrasias de um continente misterioso, que merece ser desbravado. Ela é uma homenagem a estranhas belezas. Sempre temos que estar atentos a qualquer coisa sexy que apareça na nossa porta. Asia é essa coisa. Um treco indefinido, uma boca irresistível, umas coxas devassas, com gosto de cerveja. É a perdição. O sexo absoluto.
MARÇO – Lolita Pille

Nada como sair do desbunde da Asia Argento e cair na putaria patricinha de Lolita Pille. Nome vindo de Nabokov, mas talento de uma garotinha mimada da zona sul carioca. Lolita (a personagem) é francesa, escritora e ainda diz que é puta. Seus livros podem não ser os melhores do mundo, mas cumprem o que prometem: te deixam de pintinho duro. Uma escolha de classe. E viva Moulin Rouge. Quem nunca sonhou em se perder nas carícias parisienses? Quem nuca quis discutir sexo na língua de Flaubert? Um mês que promete.
ABRIL - Pink

Talvez no meu calendário particular, trocaria a Pink pela Britney Spears. Já contei aqui que tenho uma atração extra pela vagabundagem da Britney. Gosto dessas garotas de programas diversos, que freqüentam Clube do Mickey, Xuxa e Faustão. Ecléticas como o mundo deve ser. Bons fluidos pra animar abril.
MAIO – Krystal Steal

Como discutir com uma indicação dessas? Todo punheteiro de responsa sabe que essa daí manja tudo. E maio me parece o mês certo pra ser representado por alguém do mercado (mês das noivinhas, não?). Nós, meninos que nunca vamos crescer, precisamos delas. Essas garotas nos ensinam a ser homens. Às vezes, pelo menos.
JUNHO – Analice Nicolau

Pelo tamanho da coxa da querida Analice, entendo a escolha do Bortolotto. Mas talvez eu colocasse alguma outra apresentadora. Uma dessas que nos regam a fantasia diariamente. Pensando bem… A TV anda tão careta, com tanta vergonha, que nem sei quem escolher pra substituir a Analice. Convenhamos, as meninas da “Saia Justa” são tristemente anacrônicas. As tais “Pegadoras” do Multishow fingem muito. Ei, e como discutir com o Sílvio Santos? Um cara que coloca coxas num telejornal merece nossa gratidão. Pra aquecer o friozinho de junho.
JULHO – PJ Harvey

Sem discussão. Lembro do choque que tive quando vi PJ Harvey no palco do Tim Festival em São Paulo. Puro tesão cosmopolita. Parecia que estávamos dançando num bar imundo de Nova Iorque. A pequena tem uma voz potente, um rebolado intenso e uma sede por aventura. Uau. Seria como agarrar o Lou Reed se ele fosse uma mina. Musa com voz de passarinho. Rouquidão para o inverno.
AGOSTO – Cicca Dum Dum

Confesso que fui pesquisar sobre Cicca Dum Dum. Gostei do que vi. Mas dentro dos meus parâmetros caretas e ignorantes, colocaria em agosto alguma gostosa desenhada por Caco Galhardo. Seu livro com perfis de deliciosas meninas até hoje é um bálsamo pra quem sonha em ficar dias olhando calcinhas torneando delicados pedaços de carne. Quadrinhos eróticos são ideais para o mês do cachorro louco.
SETEMBRO – Elisha Cuthbert

Elisha Cuthbert… Acho que por ser filha do Jack Bauer em “24 Horas” peguei algum tipo de fixação pela pequena. E não consigo tirar o olho quando a TV passa “Um Show de Vizinha”. Essa daí tem algo de inexplicável. O que será? Acho que é esse olhar de mocinha de família tradicional querendo cair na vida… É, olhando bem pode ser isso sim. Baita bom agouro para a primavera.
OUTUBRO – Louise Brooks

Quando escrevo que o Bortolotto fez um calendário quase perfeito, eu me refiro especialmente ao fato de ele escolher Louise Brooks. Lembro que eu era moleque, e vi uma foto dela no filme “A Caixa de Pandora”. Fez com que eu adorasse pra sempre meninas de cabelos curtos, olhos negros e semblante de cinema mudo. Pode existir algo mais sublime do que uma mulher preto e branco? Lembra que a vida é doce, mas triste.
NOVEMBRO – Agyness Deyn

Outro nome que eu fui pesquisar. E gostei. O calendário também deve conter algumas surpresas. Essa modelo é uma daquelas que me parecem ter um ar de desagradável surpresa. Uma aventura. Sem dúvida.
DEZEMBRO – Allison Stoke

A foto diz tudo. E tem trocadilho aí que não acaba mais.
Porém não quero me alongar (mais).
Sei que podemos conhecer muito sobre nós mesmos (e sobre os outros) confeccionado um calendário particular.
Penso aqui que no meu ainda teria que achar lugar para Mônica Bellucci, Scarlet e outras tantas beldades com muita carne.
E qual é o seu calendário? Fica aqui o convite.
E sabe o que mais? Adoraria saber quais as fotos que as pequenas escolheriam para a sua borracharia particular. Isso seria realmente interessante e inovador.
Ao trabalho. Escolham suas companhias, mês a mês. E vamos curtir 2009.
Careca, em nome do entretenimento e do ócio, a ver:
Janeiro – Pra abrir os trabalhos, o imbatível, sensível e sujo Mike Patton, líder do Faith No More e que te ensina a viver com a canção “The Real Thing”
Fevereiro – O irlandês Colin Farrel, mistura jamais dantes vista de desleixo, masculinidade e uma desafiadora imaturidade; apreciável em “Miami Vice” e “O Novo Mundo”
Março – O baixista do Interpol, Carlos Dengler, combinação explosiva de Colômbia, Alemanha, Nova York e doenças venéreas
Abril – O mais interessante entre os grisalhos (mulher que se preza, aprecia essa qualidade): o distante, frio e ranzinza (tá, ele é inglês) Hugh Laurie, ou Dr. House
Maio – O franguinho Milo Ventimiglia, que antes de fazer Peter Petrelli em “Heroes”, arrebatava jovens corações como um outsider na séria série “Gilmore Girls”
Junho – o autor de “Sandman” Neil Gaiman, que, com sua voz aveludada, é evidentemente capaz de pôr uma mulher pra dormir (com trocadilho) ao lhe sussurrar um conto de terror
Julho – Jack Black, o gordo mais sexy das telas; checar em “Rebobine Por Favor” e “Escola de Rock”
Agosto – Thiago Rodrigues, o mocinho de barba e oclinhos que te faz parar de zapear e perder seu tempo com “A Favorita”
Setembro – Wagner Moura: talento, formusura e a possibilidade de um Capitão Nascimento
Outubro – Michael Cera (o Bleecker, de “Juno”): contém, ou pelo menos inspira, a inocência necessária para se acreditar na vida
Novembro – Robert Downey Jr.: drogado, perturbado e provavelmente um tarado
Dezembro – o clássico contemporâneo - e que só melhora: George Clooney
COMENTÁRIO:
Vixi Santíssima. Mas tem macho pero no mucho para os calendários dos próximos dez anos. Se você me permite, ouso dizer que as meninas poderiam usar sua primorosa escolha (e texto) como modelo. Pô, lembrou até o glabro Michael Cera… Olha, cada um desses merece nossa baba bovina de inveja. Homens, beberrões, drogados, peludos e com um dinheirinho no bolso. O ano promete. Beijos,
Careca
Nosso calendário dispensa fotos! Basta imaginar! Degustaria cada uma desses, mas se tiver que escolher um “mês bom” fico com fevereiro, abril, maior, agosto, setembro, novembro e dezembro!