Macho pero no Mucho
 
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Rock'n roll

13/02/2009 - 21h10

Ser homem é barra-pesada

Uma dureza mesmo. Entendo por que grande parte desiste. E o preço a ser pago no final faz parecer uma pechincha qualquer dívida de banco norte-americano.

Por isso mesmo as pequenas se derretem quando encontram um sujeito capaz de honrar as próprias calças.

Não é fácil levar uma vida minimamente honesta e ainda buscar um pouco de felicidade.

Mas, ei, pra isso que estamos aqui.

Entregar os pontos parece ser o melhor caminho para muitos. E vocês sabem do que estou falando.

Arregaçar as mangas e sair por aí trotando atrás de alguns sonhos é tarefa das mais árduas. E pra isso temos os colhões. Pena que a moçada use apenas como penduricalho.

Se alguém aí estiver interessado em ver como é torturante – e gratificante também, oras - ser um homem, assistam ao “O Lutador” (The Wrestler), com Mickey Rourke suando cada segundo pra transformar o filme em seu legado.

O bonitão de “9 e ½ Semanas de Amor” interpreta Randy, The Ram, uma lenda do circuito de telecatch norte-americano.

Não esperem aquele frufru da turma do Ted Boy Marino, que animava as noites da rapaziada pela TV Excelsior.

Os brutamontes do ringue dos States não têm aquela pinta de mocinhos criados com talco. O mais certinho é capaz de usar um grampeador para crucificar uma nota de dólar no meio da testa.

Você já deve ter lido meia dúzia de folhas comentando as semelhanças entre a vida de Randy nas telas e as peripécias de Rourke fora delas.

Pra quem detesta se informar, vale a pena mencionar que Rourke, assim como o anti-herói que agora faz nos cinemas, também teve lá seus dias de glória, apanhou bastante – e nos tablados, pois foi boxeador - e talhou na carne várias desilusões.

lutador

É assim que se vive. Se você quiser ir até o fim dessa história, meu chapa, pode iniciar o treinamento porque vai precisar de fôlego.

A vida cobra caro o ingresso de quem resolve encará-la.

Randy entrou de sola na festa. Viveu o estrelato, fez suas estripulias, tomou todas e superlotou o organismo com anabolizantes, cocaína e metade dos componentes químicos inventados.

Hoje, a velhice bate na porta de seu trailer. E ela não traz boas notícias.

Nocauteado por um ataque cardíaco, ele tenta se reorganizar, aposentando as cotoveleiras e procurando reatar o relacionamento com a filha adolescente.

Agora que o bicho pega: ele vai atrás dessa nova existência com o espírito da anterior, ou seja, sem nunca se tornar um bundão, um conformado com o fracasso.

Ele não reclama das suas cicatrizes. Ao contrário, tem orgulho de cada uma, pois sabe o que elas significam: vida.

Randy se joga das cordas com a mesma fúria com que abraça cada segundo de sua jornada. Ele só quer seguir em frente.

Não à toa, ele é escolhido por Marisa Tomei (pequenas, eis um corpo imaculado e onírico mesmo com 44 anos), uma prostituta que não se apaixona por ninguém – claro, onde estão os homens de verdade?

lutador2

“O Lutador” é sobre envelhecer com dignidade, sobre esses tempos difíceis pra ser um homem.

O que falar sobre a interpretação de Rourke? Ou o que Rourke poderia falar sobre a sua própria vida?

Está tudo lá, no filme. Alguém que poderia seguir feito um almofadinha, que teve todas as condições de se acomodar como galã de Hollywood, simplesmente abandonou o conforto pra levar porrada nos ringues, pra fazer o que gosta.

Eis o resultado. Um rosto que parece um daqueles enormes perus bem passados que a avó faz no natal; um corpo que traz bombas de testosterona no lugar de costelas; um cabelo que enojaria Medusa.

Mas querem saber? A Marisa Tomei se apaixona. E garanto que as pequenas também vão se derreter, pois assistirão na tela algo complicado de encontrar por aí.

A direção de Darren Aronofsky realça todas essas marcas, essa luta violenta com a vida. Por isso, cuidado, meninas. Há bastante sangue, pancadaria e machucados. Não é assim mesmo que nos sentimos todos os dias?

Eu mesmo chorei feito gente grande quando Randy caminha para a sua luta final ao som de “Sweet Child O’Mine”, do Guns. Saudado pela platéia, ele esboça um sorriso que faz toda aquela merda de vida valer a pena. Quantos de nós podemos dizer que temos esses momentos?

E é Marisa Tomei que dá a chave para o filme. Logo nas primeiras seqüências, ela compara as chagas de Randy com as de Jesus Cristo.

Pois a coisa é mais ou menos por aí. Para ela, homens de verdade pisam por aqui só de vez em quando.



por Careca

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6 Comentários »

JoaoFPR
2009-02-14 20:52:33

Eu não vi ainda esse filme, mas com certeza é um filme para pessoas dignas de serem chamadas de Homens.
Abraço.


COMENTÁRIO:
Filmão, João. Filmão. Abraço,
Careca

 
Ana Carolina
2009-02-15 00:38:19

OI pessoal!

Não vi o filme ainda, mas os comentários do Careca me fizeram ter curiosidade.
No entanto…refletindo sobre a desistência de alguns machos, chego a conclusão de que tornou-se cada vez mais fácil encontrar machos desertores. Aff
E, claro, não só nos derretemos quando encontramos um MPNM de verdade, mas tb (e praticamente) nos estapiamos por ele. rsss
Que situação chegamos.
Recorro ao Ortiega! Ele teria alguma solução a nos dar? Algum conselho, óh sábio Ortiega?

No mais…até mais!

Beijão

*Alguém tem visto o Classic V8 por aí?


COMENTÁRIO:
Logo mais vou tirar nosso professor-doutor de suas merecidas férias paraguayas e pedir umas linhas para o distinto público do MPNM. Beijo,
Careca

Ana Carolina
2009-02-17 22:23:40

Insisto….alguém tem visto o Classic V8 por aí?
rssss
Ou virou zumbi de vez? rs

 
 
Willyan
2009-02-15 17:45:24

Não assisti o filme ainda mas pelos relatos do careca da pra perceber q a vida não é muito diferente para os sonhadores, partir do zero e correr atras dos seus sonhos não é pra qualquer um não tem que ter muita raça estar disposto a escultar muitas coisas q nos disanimam e sinceramente asvezes fraquejamos mas não desistimos e viver assim é viver como homem ter um proposito e lutar por ele


COMENTÁRIO:
É isso aí. Para o ringue, senhores. Abraços,
Careca

 
Vinícius RO
2009-02-16 00:56:42

Não assisti, mas o filme deve ser um espetáculo e pelo o que você disse, ele deve ser uma espécie de guia para os machos que estejam pensando em se desviar e um um tipo de revitalizante (no sentido mais macho da palavra) para os que já estão no caminho certo. Aliás, De quando é esse filme? Porque eu não vi nada sobre seu lançamento nos últimos tempos. Já tem um tempinho não é?

COMENTÁRIO:
Olha só, Vinícius, “O Lutador” foi lançado em circuito comercial no Brasil sexta-feira, dia 13 de fevereiro. O velho Mickey está concorrendo ao Oscar de melhor ator nesta cerimônia de 2009. Desde o meio do ano passado a pancadaria está pronta (inclusive venceu o festival de Veneza de 2008). Abraços,
Careca

 
Luis
2009-04-14 10:35:49

Eu assisti e achei uma DROGA!
Ainda bem que a VIDA REAL NÃO É NEM TÃO DESTRUTIVA, NEM TÃO “CERTINHA”….
As pessoas podem ser,sim,felizes, sem precisarem viverem “a 1000km/h”
UM DIA, O MOTOR FUNDE….
Abrasound

COMENTÁRIO:
Aí é questão de gosto. Ou melhor, de Estado. Parece que a turma está barrando quem tenta acelerar muito. Abraços,
Careca

 

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