
Será? Bom, o personagem de Wagner Moura no bonitinho “Romance”, filme de Guel Arraes que passou um tanto despercebido, insiste bastante nessa tecla.
Ele é um diretor de teatro bem cabeçudo, desses que fazem a turma do Casseta lançar o slogan “Vá ao teatro, mas não me chame”.
Apaixonado pelo terrível destino dos amantes de “Tristão e Isolda”, o nobre artista acredita que sem os obstáculos e os percalços, o amor é palavra vazia de sentimentos.
Falar e interpretar nos palcos é fácil. Difícil mesmo é viver a arte. Pois o sujeito resolve montar a história de Tristão e Isolda e logicamente se apaixona (ele e a torcida do Flamengo) pela Letícia Sabatella, que faz a sua Isolda no tablado.
Consciente de suas escolhas, logo trata de provar na prática que brigas, separações e controvérsias são fundamentais para unir pra sempre um casal.
Será?
A discussão é eterna.
É o próprio Wagner Moura que defende a tese para um pragmático José Wilker, que faz um hilário executivo de TV. Para o artista dos palcos, a turma quer ver uma paixão escorrendo em lágrimas e tragédias. Estão aí “Romeu e Julieta”, “Titanic” e “E o Vento Levou…” pra comprovarem a teoria.
Homem de uma arte séria, ele sabe do peso que é amar; entende as dificuldades de escolher entre seus próprios desejos e os da amante; estar apaixonado é sempre perder algo.
Já o Wilker está cagando pra qualquer seriedade nessa vida. Para ele, o amor é redenção, alegria e contentamento. Pra que sofrer se todos nós encontraremos o mesmo final (a morte)? Nenhum choro nem vela podem nos salvar desse tráfico desenlace. Por isso, segundo o executivo, o povo quer alegria no amor. A paixão deve ser uma festa para os sentidos.
Talvez esse seja o ponto mais interessante de “Romance” – e o que nos interessa neste sítio.

Há um duelo entre a arte séria (teatro, literatura) e o entretenimento um tanto idiota da TV.
De um lado Wagner Moura e sua fixação pela dor de Tristão e Isolda; de outro, o sarcasmo e a ironia dos empresários, produtores e atores de TV (Wilker, Andréa Beltrão, Wladimir Britcha e Marco Nanini).
Para estes últimos, a paixão é sacanagem, traições e muita alegria. O amor não é sofrimento. O amor é uma farsa.
Será?
Claro que a história tem que andar, portanto Wagner experimenta os dois lados da moeda e se aventura tanto na porrada amorosa como pela intensa baixaria que é a TV.
Ao final, pretende descobrir: amar é mais parecido com o teatro clássico ou com a TV? Amar é sofrer ou gozar?
Sem estragar o final, digo que Guel Arraes e Jorge Furtado (os roteiristas) optaram pela solução híbrida, PSDbista, enfim, ficaram em cima do muro.
Nem teatro nem TV. Nem só sofrimento nem só folia. Nem só drama nem só farsa.
O amor, na verdade, parece mesmo com um teatrinho mambembe. É tudo meio improvisado, cheio de referências, com um tantinho de lágrimas e muita risada.
Sabe o que eu acho? Amar não é sofrido, não. Sofrido é encontrar alguém pra amar. Quando a gente acha, tem mais é que aproveitar. Será?
“Sofrido é encontrar alguém pra amar”.
(…)
Ô se é! CAda vez mais raro encontrar alguém que encare um ‘rachão’ desses.
Hoje em dia, o que mais sinto e vejo, são lances superficiais. Amores em dois capítulos. Triste isso. A turma quer é ficar (realmente) em cima do muro. Olhando de longe, participando de pequenas jogadas.
Gordo, efusivos abraços rapá.
COMENTÁRIO:
Na verdade eu estou gordo, mas sou o Careca. E você tem razão. O rachão está com falta de jogador. Grande abraço (o Gordo também manda vários),
Careca
Poxavida que canelada minha! Desculpa esse meu alter ego macho (pero no mucho), ele anda meio distraído. (muito na verdade).
Abraço Careca.
COMENTÁRIO:
Abraço, Bobby.
Careca
Se superou agora, Careca. Ficou excelente o artigo, um dos melhores que li ultimamente, parabéns.
COMENTÁRIO:
Opa. Valeu. Abraços,
Careca
Concordo com o Careca: sofirdo é encontar alguém pra amar. Mas, na minha opinião, mais sofrido do que encontrar alguém pra amar, é encontrar alguém que corresponda ao sentimento. Pois já dizia aquele velho pensamento: no amor, um ama, o outro se deixa amar. Acho que aí é que a situação complica. Mas fazer o que, né? Se o amor tivesse sido feito pra gente entender, passaríamos a vida a tentar compreendê-lo, porém sem nunca senti-lo.
Então, eu acho que no fim das contas o melhor mesmo é amar e agir conforme as coisas acon tecem; sem se preocupar se vai viver uma verdadeira tragédia grega ou se vai ser a estrela de um musical desses com final feliz.
Abraços!
COMENTÁRIO:
A coisa é por aí mesmo. O importante é a gente estar disposto pra assistir essa peça. Abraços,
Careca
Careca pero no mucho,
Indago-lhe, não seria o amor uma fusão de todas as emoções citadas acima?
COMENTÁRIO:
Pois é. Como diz aquele outro: o amor é (con)fusão. Abraços,
Careca