
Tem muito marmanjo que acorda e já se sente a hiena do desenho. É só pular da cama que o cidadão começa aquela ladainha de “ó vida, ó céus, ó desgraça”. Como é que é? Rapaz, o homem moderno deveria erguer as mãos para a divindade que está na moda, aquela mais up to date, e agradecer por não ter nascido no velho oeste (o norte-americano mesmo, o de filme gringo).
O meu amigo Armandinho sabe do que eu estou falando. Dia desses, ele sonhou que acordava (não é linda essa construção de palavras?) num filme do John Ford ou do Hawks. Eu achei até bom, pois se ele se levantasse num tiroteiro do Sérgio Leone, aí não tinha jeito de sobreviver mesmo.
Bem, eu dizia que o Armandinho percebeu que estava num filme de faroeste. Foi fácil descobrir que algo de muito estranho acontecia. O John Wayne arremessava água na cara do nosso amigo e ainda bradava: “Acorda, seu molenga. E fique sóbrio uma vez na vida. Em dez minutos saímos pra pegar os comanches”.
O Wayne saiu batendo as botas no assoalho de madeira. O pó tomou conta da cena. Quando a poeira abaixou, parecia que uma boiada tinha passado.
O quarto era um amontoado de pistolas, coldres, navalhas e roupas de baixo que só as fêmeas do cinema de antigamente usavam.
Pelo visto o Armandinho tinha despertado no sonho depois que a melhor parte já tinha ocorrido. Sem se lembrar da orgia, ficou com a ressaca e com aquelas terríveis ceroulas (ele usava uma laranja, até discreta se pensarmos naquelas vermelhas).
Foi então que os tiros começaram. Um bang-bang terrível acontecia na salão. Uma bala perfurou o chão de madeira e acertou a escarradeira, espalhando quilos de cuspe e mijo pelo quarto.
“Vem logo, seu palerma. Quer que eu morra sozinho, caralho!”, gritou John Wayne, que tentava despachar uns 20 vilões no andar debaixo.
Nem deu tempo do Armandinho se vestir ou escolher a melhor pistola. Ele pegou a primeira que viu e antes que tentasse ajudar o Wayne, uma mocinha apareceu na porta. Ela estava com umas duzentas anáguas, uma saia rodada preta, chapéu, véu, carregava uma sombrinha, mesmo assim era o animal mais belo que Armandinho jamais vira.

“Vamos. Me tire daqui. Agora”, disse a aparição - ele jura que era a Ava Gardner. Com anos de experiência nos antigos cinemas do centro, Armandinho sabia que a saída deveria ser pela janela. E lá no chão seu fiel cavalo estaria selado e pronto pra receber no lombo o patrão.
“Venha. E não olhe pra baixo”, disse Armandinho que, com uma insondável bravura, ergueu a mocinha no colo e se atirou pra fora do hotel (eu disse que era um hotel?).
O resto não conto, pois envolve muita sacanagem, sangue, mortes estúpidas, traições e casamentos arranjados. Enfim, essas coisas que não atraem audiência.
Depois dessa enrolação toda, volto ao tema.
Já imaginaram ser macho no velho oeste? Ter que matar, morrer e ainda por cima dar carinhos para as meninas?
Imaginem brochar diante daquelas prostitutas safas? Deus me livre.
Outro dia assisti ao bom “Appaloosa”, dirigido pelo Ed Harris. Filmaço. E fala exatamente para aquela hiena que abriu este pensamento.
O próprio Ed Harris interpreta um mezzo-xerife que vai de cidade em cidade colocando ordem na bagaça. Prende os maus, beneficia os bons e cai fora. Mas eis que ele conhece a Renée Zellweger e pronto. Resolve se casar, ter família e tal.
Vixi Maria. Difîcil, concordam? Entre colocar o vilão Jeremy Irons atrás das grades e matar meia dúzia de pentelhos, ele tem que cuidar da mulherzinha, construir uma casa para os dois, ser romântico, suportar um chifre… Entendo por que a turma só pensava nas mulheres da vida.
Cara, nossa existência hoje é moleza. Nem precisamos nos preocupar com ceroulas ou escarradeiras que transbordam. Matar bandidos, então… Deixemos a tarefa para os agentes da lei.
E nossas donzelas estão sempre aí, dispostas a nos compreender, comprar uma cervejinha e permitir nossas viadagens na hora de gritar o quanto amamos o Ronaldo (o jogador, hein).
Então pára de reclamar e cuide bem da sua pequena, meu chapa. Porque quando o velho oeste chegar de novo… A moleza acabou.
Acertou na mocsca, meu caro Carecones. Hoje a gente tem tudo na mão e não consegue aproveitar. Tem que relaxar cara. Abraços.
Ai, ai, ai, Mais uma bola dentro (csem trocadilho) do senhor Careca. Esse filme é bom mesmo? Não gosto de faroeste. Mas esse vou ver. Beijossssssssssss.
A hiena do desenho… Hahahahahaha. Ab meu velho.
Careca, meu caro…
se vc acha q só os homens é q tinham q ser macho, e as mulheres então???
Elas tinham q usar umas 10 saias naquele calor do inferno, e não existia absorvente - eram toalhinhas!!!!
Máquina de lavar? Aspirador de pó?? Doce ilusão… fora o baando de filhos, neh!?
Afffffffff
Mas como vc disse, era msm difícil ser macho no velho oeste, mas pior ainda devia ser fêmea…
…e ainda tem quem reclame do modessss, neh!? rsrsrsrs =P
Bjins***
COMENTÁRIO:
E o pessoal ainda tem saudades do passado… Vai entender. Beijos,
Careca
Careca,
Falando em Ronaldo… Estou eufórica com o Timão, que só nos dá alegrias ultimamente! Realmente, não me importo que meu namorado grite que ama o Ronaaaldo, pelo contrário, vou pro bar também e grito junto! E tudo na santa paz! O que mais um macho quer?! (não me diga que ele que ir sozinho pro bar, hein…)
Beijos
COMENTÁRIO:
Pô… Tem muito macho apaixonado pelo Fenômeno (macho mesmo, não aqueles falsos que o jogador pegou lá no RJ). Também sou corinthiano. E digo que o Gordo é o cara. Beijos,
Careca