
Sabe, cá entre nós, dia desses encontrei o Asdrúbal, um simpático e bonachão bulldogue inglês de propriedade do meu vizinho do 115, urinando na porta do meu apartamento. Seu dono estava acabado, barba mal feita e um bafo de onça de derrubar gigante de longe e cheio de mesuras tentou desculpar-se pelo aparente descontrole de seu animalzinho de estimação.
Me convidou a entrar no seu apartamento e o clima “noir” era total. Tudo sombra e fumaça em meio a caixas de pizza e garrafas vazias de diferentes scotchs, cervejas e tequilas, denunciando a ausência da outrora patroa dona Clotilde.
Indaguei o sujeito sobre a dita cuja, ele me abraçou e soluçava como criança e entre um grasnado e outro entendi que ela o abandonara. Me contou que sua vida sem ela estava uma bosta, que não era capaz nem de sair do seu apartamento para comer, que a desdita era seu meio e seu fim e tudo mais que um Fagner poderia cantar sem medo ser feliz, ou soar brega.
Tranquilizei o amigo, para falar a verdade um completo desconhecido até aquele momento, afinal nosso diálogo resumia-se a bom dia e boa noite, e nos seus melhores dias algum comentário idiota sobre o tempo.
Ele me confidenciou que sua mulher era a razão dele ter chegado onde havia chegado, que suas duas filhas eram lindas porque pareciam a mãe e que sem aquela mulher ele não via razão para continuar vivendo.
Nossa, quem diria que corria sangue nas veias daquele senhor sempre tão empertigado no seu terno Zegna e seu perfume Polo. Ele brandia sua paixão aos quatro ventos e lamentava-se de coração partido a separação de sua Clotilde.
Um segredo que poucas mulheres parecem entender sobre os homens é que depois que eles casam e têm filhos eles sentem-se muito mais família de sua própria família do que aquela que até então ele chamava de sua. A família é praticamente meio-homem, digo em termos de entendimento de um homem clássico ou old school, não vale para todos os modismos que têm sido inventados sobre nós.
O nosso amigo me confessou que havia pisado na bola, derrapado entre umas e outras, e se entregado às madeixas de uma loira de um lugar qualquer, talvez um inferninho ou quiçá a firma mesmo para onde havia rumado ao longo de uma vida. Não interessa quem é essa mulher e sim o que o nosso homem de família fez em relação a isso.
Ávido por voltar a viver naquele dia, entregou-se para sua liberdade plena e sem freios. Não telefonou para inventar uma mentira qualquer, também não teve vontade de mandar a secretária ligar, desligou seus dois agentes de condicional, de um lado o celular e do outro o notebook, e foi viver como um menino uma nova e nem tão nova experiência.
Impactado pela felicidade que só a liberdade é capaz de dar a alguém, chegou em casa sem preocupar-se com as marcas de batom em sua camisa, sem percebr o preservativo grudado na barra de sua calça e beijou a sua mulher furiosa como se fosse a segunda primeira vez que o fazia.
Ela não entendeu, gritou, bateu e saiu. Ele indignado falou que não dava mais, que ela fizesse o que bem entendesse, nós homens sempre jogamos a responsabilidade por esses momentos nos ombros de nossas pequenas, ela saiu em silêncio.
A Clotilde saiu e nunca mais voltou, aquela pacata mulher havia feito sua escolha, e ele, o meu mais novo amigo, vivo e ao viver quase morto, havia entendido que um dos principais problemas de amar a mulher com a qual é casado é descobrir que seu problema é bem menor do que parece e ele só sentia saudades de sentir saudades daquela companheira que sempre esteve a postos ao seu lado na alegria, na tristeza, na doença e na saúde e em tudo que um dia havia sido aquele casamento.
Saudades de sentir saudades é um dos sentimentos mais estranhos que podemos ter e ao deparar-me com o meu vizinho, entendi que a presença da ausência cumpre um papel fundamental na vida a dois. Vocês já pararam para pensar nisso?
Eita…. no começo ate achei engraçado…. mais acabo que no finla não entendi nada =S
acho que não tenho idade pra isso…. rsrrsrsrsrsrs
Abraços
Vem cá, Gordo. Isso aí é autobiográfico, né não? Vc tá quase chorando no (ininteligível) final… Fala aqui pra nós, entre parênteses, pra ninguém mais escutar: (sua mulher teve um ataque de bom senso e te largou, foi?). Seja lá o que for, tô solidário. Eu sei o que é isso: já levei um pé na bunda umas tantas vezes. E agora tô apaixonado pela mulher com quem estou casado…
Abraço.
COMENTÁRIO:
Que nada Miguel M,
Você acha? Onde já se viu expor a patroa desse jeito, o negócio é manter o segredo sobre o eterno dilema a vida imita a arte ou a arte imita a vida?
Abs,
Gordo
Ow Gordo,
o “pobrema” é q vcs homens tem mania de achar que depois que casa a mulher é uma simples empregada!
Tá com saudade daquela companheira “dos tempos do namoro”? Leva ela prá fazer aventuras inusitadas, oras - prá que fazer com uma de fora??
Bem feito pro dono do bulldog, mereceu - ve se a da esquina se propõe a lavar cueca suja!?!?!?
E vejam se aprendem:
Não dá assistência e abre concorrência: vai à falência!!! kkkkk§=P
Bjks***
COMENTÁRIO:
Nossa, isso seria a tal solidariedade feminina?
Beijoca,
Gordo
Cara,
Apesar de soar como um tapa na cara, a Sra. Rabelo está com razão.
Po***, se você ainda gosta da mulher que está casado, e quer inovar, inove com ela. Antes que ela inove com outro. rsrs
Ou então não gosta tanto assim, parte pra outra.
Curta as filhas (filhos você pode amar pro resto da vida, mesmo te sacaneando), saia com quem tiver afim de sair com você, compre uma carabina pra passar o tempo e pague uma p*** de uma faxineira.
Sei lá, essa é minha filosofia de vida, se a mulher que vc ama não te quer, tem quem queira.
Há, uma atividade física sempre é bem vinda.
COMENTÁRIO:
Caro José,
Assim como nem tudo que reluz é ouro, nem todas as situações relatadas aqui são autobiográficas, senão estaria com uma vida bem complicada de administrar, convenhamos!
Já sobre filhos e exercícios concordo com tudo que disse.
Abs,
Gordo
Que lindo Gordo!!!
Que saudade de sentir saudade!!!! Não do ex, mas de alguém que ainda vai chegar. Conhece esse louco sentimento tb??? rsss
Completaria seu texto com uma indicação de filme: “História de nós dois”, com Michele Phfeifer e Bruce Willis. PERFEITO.
Parabéns! Arrasou.
COMENTÁRIO:
Bom obrigado pelos elogios, agora duvido que esta dupla convença, mas vou ver o filme antes de destilar o meu veneno.
Beijoca,
Gordo
Aguardo o comentário do filme, ok?
Beijos
COMENTÁRIO:
Sim, vou ver e te conto.
Beijos,
Gordo
Só a Ana Carolina entendeu o que é ’saudade de sentir saudade’.
é muito fácil falar do sofrimento desse homem(eu realmente acredito q ele sofre(u)), mas ngm pensa o que sofre uma pessoa ao ser traída.
Não tem como fugir, ele deveria ter pensado 2 vezes, td ação tem uma reação…