
As companheiras do homem, mesmo que mostrem respeito por seus méritos ou autoridade, sempre o vêem secretamente como um jumento, e com uma sensação próxima da piedade. O que ele diz ou faz, por mais brilhante, raramente as engana; elas vêem o homem como ele é por dentro e o consideram um sujeito oco e patético. Nesse fato talvez resida uma das melhores provas da inteligência feminina ou, como diz o lugar-comum, da intuição feminina. As características dessa assim chamada intuição são simplesmente uma acuda e acurada percepção da realidade, uma imunidade natural ao encantamento emocional e uma incansável capacidade para distinguir claramente entre a aparência e a substância. A aparência do homem, no círculo familiar comum, é a de um magnífico herói, um semideus. A substância é a de um pobre coitado.
(trecho de “O Livro dos Insultos”, de H.L. Mencken, Companhia das Letras, tradução de Ruy Castro)
Só pra não deixar qualquer vestígio de dúvida: concordo com as palavras acima. Todas elas. O homem é essencialmente uma besta.
Mencken (1880-1956) foi um dos jornalistas mais populares dos Estados Unidos na primeira metade do século passado. Irreverente e brilhante, ele se dedicava a massacrar a eterna estupidez humana.
De vez em quando a gente topa por aí com livros, filmes e coisas que realmente tinham que existir, ou a experiência por essas terras seria ainda mais lamentável e decepcionante.
Pois os textos de Mencken carregam essa necessidade. Ao ler cada página, sentimos a respiração do texto, a urgência das palavras. Parece que aquelas letras simplesmente têm por obrigação estar ali. Não há desperdício. Algumas árvores com certeza se sacrificariam com orgulho para divulgar o Mencken.

Pausa poética.
Imaginei aqui um conto. A história é mais ou menos assim: existe um Congresso Internacional de Árvores. Uma vez por ano, todas as espécies de árvores mandam um representante para esse tal encontro. Ali, elas discutem desmatamento, condições climáticas e outros itens fundamentais para a sobrevivência da vegetação no planeta.
Em 2009, uma das pautas é justamente a morte de várias companheiras para a fabricação de livros e jornais. Nos últimos anos, o debate em torno desse tema ficou ainda mais acalorado por causa do avanço da internet e do mundo virtual. Muitas cidadãs estão sendo salvas graças aos computadores.
Portanto, elas querem ser cada vez mais seletivas na hora de permitir uma carnificina para que a humanidade leia seus livros. O encontro atual promete, pois elas querem impedir que até um mísero tronco de bonsai seja derrubado pra gerar livros de auto-ajuda ou best-sellers como “A Cabana”.
Bom, se um negócio desses acontecesse, digo que o Mencken seria usado como exemplo de livro pelos quais valeria a pena morrer.
Fim do momento poético.
O que eu queria dizer mesmo é que a gente só vai progredir um pouco quando assumirmos as bestas que carregamos aqui dentro.
Vou fazer um teste agora mesmo. Pronto. Abri a home do UOL. Vamos ver… Bato o olho e leio que o filme brasileiro “À Deriva” foi aplaudido por cinco minutos no festival de cinema de Cannes. Pelo menos é o que conta o jornalista.
Agora, vamos analisar friamente os fatos e ver como somos bestas. Vocês realmente acreditam que dá pra aplaudir cinco minutos o fim de uma sessão de cinema? Quem cronometrou isso? Foram cinco minutos cravados? Ou 3min32seg? Pense bem o que são cinco minutos de aplausos.
Vai lá. Tente agora mesmo bater uma mão contra a outra por 300 segundos…
Pô, obviamente que não dá pra aplaudir um filme por cinco minutos, cacete. Então por que publicam isso? Pior. Era um filme do Heitor Dhalia. Só se os aplausos foram de alívio.
Viram? Fecho a página e volto para este texto. Não dá. É muita bobagem sendo dita por aí e a turma leva tudo a sério.
O homem crê em tudo. E se acha o tal.
Tá na hora de pelo menos admitirmos um pouco nossa ignorância.
As mulheres já sabem disso. Elas são mais inteligentes (e generosas) do que a gente. Sacam que somos uns animais bem bobinhos.
Saia agora na sacada, na rua, e berre: SOU UMA BESTA!
Tenho certeza que é o começo da nossa verdadeira evolução.
Comece a duvidar das coisas, meu chapa. Não engula tudo sem pensar. Reflita sobre tudo. Eu sei, cansa pra burro, mas vale a pena.
Saiba que o homem é um pobre coitado, que nada sabe. Só assim a gente começa a inglória busca para nos tornarmos seres de primeira classe.
Sim, é possível atingir uma inteligência superior. Mas para isso temos que saber do nosso atual estado - e este é deprimentemente estúpido.
Sou uma besta.
Sou uma Besta
realmente, respeito e amo meu companheiro, mas não o acho superior a mim em nada, mesmo assim não deixo transparecer isso, afinal , ele é o homem que quero pra mim, só quando ele me provoca que mostro ‘a verdade’ da situação, ele então percebe e tudo volta a rotina, aquela que faz as pessoas viverem bem, não à que deixa os casais a beira de uma separação.
bejinhoss Careca!!
COMENTÁRIO:
Como sempre, a mulher é sempre generosa. Beijos,
Careca
Careca, sou uma besta!
E por ser uma besta, quero o livro de vocês para que eu não seja mais um bobo diante de uma mulher.
porque ainda não disseram onde está? Lembra que eu pedi pra vocês por 1 mês e meio? Pois é, agora eu quero e não acho.
Ah, pra falar a verdade, vocês lançaram o livro?!
Abraços, Vinícius.
COMENTÁRIO:
Vinícius, escrevemos esse livro justamente pras bestas. De besta pra besta, na verdade. Bom você perguntar. Nos próximos dias (e agora é verdade) o livro já estará disponível para compra aqui no site. Coisa chique. E faremos festa e debate sobre o livro em São Paulo no mês de julho. Vamos divulgar tudo certinho. Abraços,
Careca
Sou uma Besta!
Ronaldo.
aaah!
Vocês são umas bestas!
me empolguei! Rs
Bjos garotos, e não se sintam envergonhados
“idiotice é vital”
Bjo!
COMENTÁRIO:
Parodiando aquela velha canção dos Novos Baianos: besta é nóis. Beijos.
Careca