
Por que os seres humanos mais saudáveis e seguros da história estão vivendo numa cultura do medo?
Esta é a pergunta que o jornalista canadense Dan Gardner responde nas mais de 350 páginas de “Risco – A Ciência e a Política do Medo”.
Estou ainda lá pelo meio do livro. Mas já me sinto um tantinho mais esperto. Não tanto quanto um Roberto Justus, porém acho que chegarei lá quando terminar esse belo trabalho do Dan (não, ele não é meu amigo).
Vale a pena enfrentar “Risco…” e entender como os dois sistemas que operam o nosso cérebro lutam desesperadamente pra tentar salvar a nossa pele.
Resumindo a coisa toda de uma forma bem leviana (opa, acho que já estou bem perto de ser um Justus), dá pra afirmar que a nossa mente trabalha com o Sistema 1 (Sentimento) e Sistema 2 (Razão).
Os gregos, que de bobos não tinham nada, já sacavam essa história e personificaram o esquema nas formas dos deuses Dionísio (Sentimento) e Apolo (Razão).
Um trechinho do que diz Dan:
“O Sistema Dois (Razão) funciona lentamente. Examina as evidências, calcula e pondera. Quando a Razão toma uma decisão, é fácil colocá-la em palavras e explicá-las. O Sistema Um – Sentimento - é completamente diferente. Ao contrário da Razão, ele funciona sem nossa percepção consciente e é rápido como um raio. O Sentimento é a fonte dos julgamentos rápidos que nós vivenciamos como um pressentimento ou uma intuição, ou emoções como desconforto, medo ou preocupação. Uma decisão que vem do Sentimento é difícil ou até mesmo impossível de explicar em palavras. Você não sabe por que se sente desse modo; você apenas se sente e pronto.”
O autor usa uma imagem que acho bem bacaninha.

Imagine que você está atravessando uma rua escura, tarde da noite, numa periferia qualquer do planeta. De repente, um vulto aparece na esquina.
O Sistema Um manda você dar no pé. Pra te salvar, o cérebro ordena uma fuga rápida, afinal aquela sombra significa ameaça – pode ser um assaltante, um leão, uma monstruosidade qualquer, ou até mesmo o cobrador das Casas Bahia. Pra que esperar e ver quem é? Sebo nas canelas.
Já o Sistema Dois vai pedir calma pra analisar os dados. Essa parte da sua cabeça prefere entender as estatísticas primeiro. Ela precisará de algum tempo pra localizar em que lugar você está, quantos assaltos ocorreram ali, qual a distância que o vulto se encontra, se aquela imagem é de algo perigoso, se um cobrador das Casas Bahia estaria ali às três horas da manhã…
Enfim, numa dessas você confia, fica esperando uma decisão e pronto, perde carteira, roupas, Sistema Um, Dois…
Então, o Sentimento pode ser bem útil se você não anda por aí com Google Maps, estatísticas sobre latrocínio ou o talão de cheques.
Por outro lado, a Razão te salva muitas vezes de não cometer burradas homéricas ou de sair correndo de uma sombra que na verdade não representava nenhuma ameaça (pra seu desespero, digo que o vulto da história acima era o de Mônica Bellucci procurando transar enlouquecidamente com o primeiro que encontrasse numa rua escura – as pequenas e outros meninos menos chegados podem substituir a Mônica pelo Raj de “Caminho das Índias”).
A beleza dessa história é que nosso cérebro trabalha feito um escravo pra tomar decisões sensatas levando em conta os dois Sistemas. Assim, nem você fica lá esperando a morte; nem foge da Mônica Bellucci (ou do Raj).
Eu sei, baita tarefa inglória essa, não? Também não quero nascer cérebro na próxima.

Tenho poucas linhas pra terminar esse artigo e não cheguei nem na metade de onde queria. É que o livro do Dan é realmente supimpa. Bom de ler e excelente pra pensar.
Resumindo de vez: hoje, a humanidade está super cagona. Com medo de tudo. E na maioria das vezes de forma infundada.
Vocês sabem a possibilidade de alguém que está lendo isso aqui morrer de um acidente de avião causado por terroristas? E de bater as botas numa batida de automóvel?
Então. Mas saiba que seu cérebro tem muito mais medo de passar dessa pra melhor num agradável passeio pelos ares do que na estrada mais próxima. Isso porque ele desencana da razão e aceita todos aqueles medos proporcionados pelas terríveis imagens do 11 de Setembro e daquelas espetaculares explosões aéreas.
Enquanto isso, nunca foi tão perigoso andar de carro por aí. Mas, emocionalmente, isso soa pouco arriscado.
A humanidade está pensando demais com o Sistema Um, tomando decisões sem nenhuma razão.
Toda semana o mundo vai acabar. Gripe suína, ditador coreano, Ana Maria Braga imitando a Madonna… Sempre existe uma ameaça, um vulto na esquina querendo acabar com a nossa integridade física (a moral já foi pro saco faz tempo).
Tá na hora de confiarmos mais na razão e pararmos pra pensar um pouco (menos no caso da Ana Maria Braga; aí acho bom dar no pé mesmo).
Putz, e ainda não falei o que queria.
Homens e mulheres estão com medo de amar. É isso mesmo. O amor a dois virou aquela sombra ameaçadora.
Escutamos tanto e por tanto tempo que o amor nos derruba, deprime, nos coloca de quatro diante do mundo, que passamos a entender isso como mais um terrível problema.
Todo mundo quer ficar, trepar, mas não amar. Foi decretado que é tempo de curtir, de farrear, de sair por aí correndo em alta velocidade sem pensar muito.
Preciso acabar. Confesso que não usei tanto assim a cachola pra escrever essa tese.
Mas não parece que estamos com medo de tudo? Inclusive do amor?
Nós estamos e elas estão também, porque o amor enfraquece. Não tem jeito de dizer que isso é suposição e que não acontece com você, porque ele enfraquece. Por um amor enfrentamos um mundo, viramos um espartano contra 2000. Não tem jeito mesmo. Todo mundo já viveu uma decepção amorosa na vida, salvo aquelas que não estão na idade. Pois é, um amor mal curado dói muito e todos temos medo de amar errado de novo. Então meu caro careca, Todos somos cagões sem medo de ser.
COMENTÁRIO:
Sim, meu caro Vinícius RO. Todos nós. Abraços,
Careca
Achei sensacional! E confesso: sou uma cagona!
Beijos
COMENTÁRIO:
Somos. Beijos,
Careca
Careca meu querido, eu amei! - o texto tava excelente, msm sem usar a cachola!!
Mas falando nisso, realmente tenho que concordar q o povo anda com medo, mas o negócio vai além de amar/sofrer. Amar torna fraco, porq é preciso ceder muitas vezes, prá poder avançar (casados entendem bem isso…), e “ceder” é considerado uma fraqueza (não acho, mas…).
Como diria o velho deitado “o buraco é mais embaixo”! rsrsrsrsrsrs
Mas eu juro q mudei de canal qdo vi a Ana Maria de Madonna!!!kkkkkkk chorei de rir com vc, mais uma vez, sobretudo com td q vc disse antes de dizer exatamente o q queria falar!!kkkkk =P
Bjks***
COMENTÁRIO:
Esse velho deitado aí é sábio demais. Beijos,
Careca
Temos medo de nos mostrar fracos e por consequencia, riidicularizados. Temos medo de nos mostrar fortes e por consequencia, cobrados. Ficamos nas comparações e nas inércias…
Os homens de hoje parece que não gostam mais de mulher, estão frescos, delicados demais, não tem pegada forte e ainda por cima vivem dando desculpas. Bah os homens de um tempo atrás é que gostavam d mulher. Estou indignada com tanta frescuraaa!!!
COMENTÁRIO:
É isso aí. Chegou a hora de reclamar. Beijos (sem frescuras).
Careca