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Drogas

05/06/2009 - 15h25

Vendo a vida de Opala

Há certos carros que transmitem certo grau de masculinidade, o Opala sem sombra de dúvida é um desses casos. É na hora de encontrar os manos de Itaquera, gente trabalhadora dando um ralo daqueles para ter seu “carro musculoso” em dia. É hora de tomar um cerveja com a parceirada, falar mal das respectivas companheiras e por que não aproveitar para coçar o saco sem ser reprimido na mecânica de preparação do amigo “Cabelo”, que como ele mesmo diz: “Meu time é GM”.
A GM já não é mais a mesma. Virou estatal nos Estados Unidos, numa espécie de “Além da Imaginação” contemporâneo que faz liberais mais ortodoxos se roerem por inteiro. Os homens também não são mais aqueles nos lugares mais centrais da metrópole. Depilam o peito e as costas, fazem luzes, mexas e há até aqueles bebês chorões que se pintam.
Lá no fundão o homem tradicional ainda resiste, apesar de todas as contradições e dificuldades que muito sociólogo da USP só conhece de livro e nunca sequer pegou a Radial Leste. Lá homem é homem e faz coisas de homem sem ter de pedir desculpa. Bebemos nossas “geladas”, falamos de carro, futebol e deitamos e rolamos falando das minas. Fim de papo! Ok, homem não é só isso, mas boa parte do que é ser homem reside na felicidade de poder falar dessas coisas sem ser molestado pela patrulha do politicamente correto.
Muita gente hoje se ofende em encontrar alguém mais rústico, vamos dizer assim. Eu celebro, não aguento mais sorrisinhos falsos, apertos de mão frouxos e um senso comum de chá das cinco da Liga das Senhoras Católicas.
Quero um mundo um pouquinho mais louco, menos monocórdico e que tal daí ver brotar algo realmente novo e pelo amor de Deus paremos de falar ou ouvir falar sobre o maldito anel de virgindade dos Jonas Brothers .
Outra coisa insuportável é o tal surto de gripe suína que não chega nunca para decepção de alguns e alegria de outros, mas cá entre nós, bem pior do que isso é a babaquice que parece ter se espalhado bem mais rápido que o tal vírus A H1N1.
A cada esquina nos deparamos com alguma bizarrice, como o sujeito enfurecido que atropelou dois seres humanos, que tipo de gente a máquina de fazer loucos chamada Brasil está formando.
Para não ser mais um e nadar a favor dessa estranha corrente, vou restaurar um Opala, abrir a porta do carro para minha mulher, ser um pai presente para a minha filha e por incrível que pareça me tornar um revolucionário às avessas, seja lá o que isso signifique.
Não vou me adaptar ao que está aí, boa sorte aos que ficam, pois meu busão já tá passando e tenho de rumar para outro trabalho… E como já dizia a frase estampada num muro da minha saudosa Mooca: “Maluco que é maluco não toma mel, chupa a abelha”.



por Gordo

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1 Comentário »

Vinícius
2009-06-07 22:42:26

Opala que é carro, pena que para ter um opala tem que ter um posto de gasolina. Porém, a visão de mundo é outra, tudo fica mais real. Homens de verdade aparecem e mulheres de verdade também. Tudo faz mais sentido.

COMENTÁRIO:
Caro Vinícius,
Sabe que também cheguei a mesma conclusão que você?
Abraço,
Gordo

 

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