
Hoje fiquei surpreso com a proibição do quentão e do vinho quente nos festejos juninos das escolas estaduais. A medida de autoria do deputado tucano Celso Giglio (PSDB) foi sancionada pelo governador José Serra, entenderam?
Sem quentão não há São João que aguente a pipoca, o cuscus e o pé-de-moleque. Sem vinho quente não há São Pedro que se encoraje a sair de casa naquele frio. Tudo bem que o imperialismo cultural sempre nos vendeu maus hábitos como o sexo desenfreado, o cigarro e a valentia masculina, mas de repente passamos a importar todo bom mocismo e moral WASP (traduzindo: branco, anglo-saxão e protestante) sem sequer um pingo de reflexão.
Daqui a pouco para tomarmos nossas cervejinhas abaixo da linha do Equador, vamos ter de colocar as latinhas naqueles saquinhos ridículos, que só minimizam o problema do alcoolismo na América do ponto de vista psicológico.
Explico: você vê o sujeito com o saquinho envolto no whisky e imagina que ele está bebendo suco, pronto, não existe mais o problema.
Aliás sobre mundo de faz de conta nós somos os tais, não interessa que a escola esteja uma m…, importante é receber o uniforme e Konga, danêm-se os livros - estes podem vir cheios de erros. Como nossa mentalidade é para dizer o mínimo: estranha.
Ora, até entendo a proibição ao álcool, mas quem quer que seja que queira aplicar uma lei dessas têm de pelo menos tentar enfrentar o lobby das indústrias de bebida e restringir a publicidade, co-responsável pelo interesse imaturo pela bebida que gasta milhões de reais ao ano com o tratamento destes viciados.
Cada um tem seus vícios, é inegável, não me venham com baboseiras do tipo puritanas, pois lá de onde vem a moda o mundo só piora.
O que é pior: vender quentão na festa junina ou não vender; e um aluno entrar atirando na professora e nos colegas?
Acho este texto meio auto-explicativo e porque não dizer um desabafo sobre esses caretas que querem dizer se podemos fumar ou não, o que devemos beber e como devemos nos vestir.
Só para se ter uma idéia, no antigo Egito os bebês ruivos eram atirados de um penhasco em oferecimento a Teth, o Deus da Morte. Ora, daqui a pouco os fumantes vão ser fuzilados em praça pública pelos agentes sanitários.
Os pornógrafos serão confundidos propositalmente com pedófilos e enforcados.
Aqueles que curtem uma cervejunha, ou bêbados ocasionais, serãs apontados nas ruas.
Daqui a pouco, quem tiver acima do peso deverá ir para uma câmara de gás e quem não for bonito, ou atender o padrão estético da inteligentsia, deverá ser condenado ao ostracismo do país dos feios, onde menos agraciados por Deus de todas as partes do globo deverão viver na penúria.
Parece ficção… mas isso tudo em breve poderá tornar-se realidade a lá George Orwell.
Bem-vindos ao admirável mundo novo de hoje, estéril, igual e broxantemente insuportável.
NOSSA, que deputado idiota. Proíbe a venda do quentão e vai tomar a branquinha dele com o dinheiro dos outros. Belo representante temos.
É isso aí, sem retoques.
Sabe aquela sensação boa de “não estou só”?! Obrigada Gordo, por ter mais de uma idéia por vez!
Respeito às diferenças é uma expressão criada por espertinhos para confundir, no entanto indispensável para qualquer passo para qualquer lado.
BJ
COMENTÁRIO:
Marta,
Quisera eu não ter de desabafar de vez em quando com tanta baboseira, caretice e cara-de-pau. Bom, vamos em frente que atrás… bom lá você já sabe.
Beijo e obrigado,
Gordo