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Sexo

12/07/2009 - 12h14

O amor e o frango assado

Lembro quando ouvi pela primeira vez que eu era a versão de calças de alguém do sexo feminino. Sabem como é isso? Você ainda é jovem, tá um tantinho apaixonado por aquela garota da sétima série, andam juntos o tempo todo, gostam das mesmas coisas, sacaneiam os mesmos inimigos, chupam os mesmos picolés (sem pensar besteira, por favor), amam “Os Goonies”, acabaram de descobrir Charles Dickens, curtem demais as aulas de literatura, tiram notas vergonhosas em matemática, enfim, são iguais.

A rapaziada diz que ela é você de saias. Ah, o amor. Aquele papo de “os opostos se atraem” não passa de uma bobagem. O negócio mesmo é ser unha e carne, companheiro, falar as coisas juntos e tocar em algo da cor verde (gritando “verdinhooo”), pensar as mesmas insanidades.

Até que ela te dá um espetacular pé nos glúteos e passa a namorar o Paulão, o troglodita do primeiro colegial que não tem nada (nada mesmo, o cara é palmeirense!) parecido com você.

Ué? Então quer dizer que os opostos… Bem, é nessa fase da vida que você observa que as teorias sobre os relacionamentos são mais furadas que previsão do tempo ou análise de mesa redonda futebolística.

Mesmo assim, depois de passar por iguais, opostas, diferentes, bizarras, estranhas, extraterrestres, incompreensíveis donzelas, fiz aqui minha própria teoria para um casal dar certo.

Antes, transcrevo rapidamente uma outra muito boa, do livro “Beber, Jogar e F@#er”, de Andrew Gottlieb. Como o próprio nome diz, a leitura é a versão macho do “Comer, Rezar, Amar”, de Elizabeth Gilbert.

Vale a pena se arriscar nas palhaçadas do Gottlieb, que relata as aventuras de um sujeito de 30 e poucos anos pelos pints da Irlanda, as fichas de Las Vegas e as meninas da Tailândia. Falaremos mais em outra oportunidade.

Ao que interessa: em determinado momento o autor diz que numa união, existem pessoas Macs e outras Pcs.

Ou seja, há um esforço danado para os computadores operarem no mesmo sistema e falarem a mesma língua. Mas, no fundo, eles são diferentes.

frango

Aí finalmente entro com minha teoria sobre o frango assado.

Viver a dois é como comer um frango assado. O casal tem que gostar da iguaria, mas não pode apreciar as mesmas partes.

Destrinchando. Você e sua esposa/namorada/amante param num desses botecos de estrada e pedem meio frango assado. Beleza. Quando o bichinho chega, já devidamente mortinho, observam que ali tem apenas UMA coxa, UMA asa, UM bom pedaço de peito e UM outro treco qualquer emaranhado num osso escuro.

Imaginem se os dois odiarem o peito e apenas amarem a coxa? Como fazer?

Agora, se um detesta a asa e o outro gosta; se um é apaixonado pelo peito e o outro não curte daquela carne branca estranha; se um aprecia trecos esquisitos feitos de osso e o outro não… Entenderam?

A refeição vira uma alegria, um acordo só, quase um ritual pré-acasalamento, de união espiritual mesmo, tudo divididinho.

Tem coisa melhor do que você oferecer um suculento pedaço de coxa para a patroa e ela falar: “Pode comer, eu prefiro aqui essa asinha incrível. Você não gosta de asa, né?”.

Pô, é algo espiritual.

E fica cada um ali, roendo sua parte preferida, trocando olhares, saciando o estômago e aumentando todo o amor que sentem um pelo outro.

Por isso eu acho que a primeira coisa que um casal deve fazer antes de enfrentar um romance é ver quais as partes do frango que eles gostam.

Se curtirem os mesmos pedaços, sei não… Pode acabar em briga.



por Careca

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5 Comentários »

Vinícius
2009-07-12 18:47:52

Cara, essa teoria foi brilhante. Mas vamos dizer que o casal goste das mesmas partes. Um sede o pedaço para o outro e virce versa, Isso mostra que o casal se ama mesmo, não?

COMENTÁRIO:
Claro, como toda teoria, há furos. Agora, quem garante que, quando esse seu casal generoso se separar, um não vai falar para o outro: “e eu odiava ter que toda vez dividir a minha asa de frango com você”. Cara, essas coisas podem se acumular e acabar com tudo. Abraços,
Careca

 
Mel_Amazona
2009-07-13 16:40:18

Eu simplesmente A-M-E-I essa teoria…Até pq, ela funciona comigo! Meu amor gosta do peito e eu, das partes com osso…Agora, ler essa cronica e imaginar a situação é momento MASTERCARD: Não tem preço!! Morri de rir, sozinha…Mandou bem, Careca! Ah, só pra constar: 1ª vez que comento e pode crer que comentarei outras vezes!
Bjos de Manaus-AM

COMENTÁRIO:
Oba. Uma teoria que funciona! Estamos sempre aqui, Mel. Beijos,
Careca

emilia
2009-07-14 14:12:37

MEl

vc tirou as palavras da minha boca rsrsrsrsrs, assino em baixo

 
 
Sheyllinha
2009-07-15 14:50:22

Oie CAreca…
MUito boa a materia…nossa…se tivesse visto essa teoria do frango minha vida seria outra….enfim…eu e meu ex gostavamos do peito…por fim o namoro nao deu certo…

Otima materia…continue assim…..bjokas

COMENTÁRIO:
Os animais sempre nos ajudam a entender esse negócio que vivemos no dia-a-dia. São sábios. Beijos,
Careca

 
Ana Carolina
2009-08-05 11:16:38

Como sempre digo “Os opostos se distraem e os dispostos se atraem”.

A propósito…eu gosto mais do peito e vc? rsss

Beijos

 

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