
Estava tranqüilão comendo um clássico beirute* no Frevinho quando dei um grito de espanto.
Não foi por causa do sabor da iguaria, não. Muito menos vi barata dando uma banda (e lá sou macho de dar gritinho ao ver barata?).
O fato aconteceu porque além de saborear o sanduíche de rosbife, queijo e tomate, eu estava lendo “Quem se Lembra de David Foenkinos?”, escrito justamente por David Foenkinos, um autor francês que antes já havia publicado um livro com um dos títulos mais atraentes de todos os tempos, “O Potencial Erótico de Minha Mulher” (sério, com um enunciado desses, nem precisa de texto).
A incredulidade surgiu quando passei o olho na seguinte sentença: “Gosto das mulheres suíças, sobretudo das que falam alemão (existe língua mais erótica do que o alemão?)”.
Minha indignação não foi por causa da citação sobre as mulheres suíças. Nunca conheci uma, mas imagino que elas sejam pontuais, um tanto geladas, ricas e com sabor de chocolate. Portanto, nada mais justo do que o autor gostar das pequenas dessa nacionalidade.
Fiquei abismado mesmo é com a declaração sobre a língua alemã.
Sinceramente, nunca imaginei toda essa sexualidade e erotismo saindo da boca de uma teutônica. Nem se ela estiver me servindo toneladas de cerva geladíssima no meio da Bavária. Eu acho que sempre há algum perigo atrás daquele vestidinho florido e das tranças bem feitinhas.
Alemã, pra mim, só se vier de Blumenau.
Eu sei, é a velha culpa daquele sujeito de bigodinho ralo e roupa esquisita, mas sempre me pareceu que eu apanharia – e muito – se tentasse seduzir uma germânica.
Já passei um tempo em Berlim (antes que um engraçadinho me trate como um velho metido, digo que o Muro já tinha caído) e fiquei até com vontade de morar por lá. Mas prometi a mim mesmo que só manteria relações sexuais com as húngaras, espanholas, italianas, portuguesas, suecas, russas, francesas, holandesas, albanesas, turcas…
Enfim, pode ter certeza que as meninas alemãs estavam em último na fila – e justamente por causa da língua.
Lembro que quando as pequenas de lá se comunicavam em inglês, até que rolava uma empatia. Mas era só elas emendarem um “guten tag” e eu já passava meu passaporte, pedia calma e dizia que iria embora em uma semana, no máximo.

Foi em Berlim que tive a surreal experiência de assistir ao filme “Contato” com a Jodie Foster dublada em alemão.
Foram horas de pavor. Primeiro, porque não entendi patavina (aliás, nem vendo depois, no Brasil, com legendas, entendo direito esse filme). Segundo, vocês não sabem o que é ver a Jodie Foster esbravejando em alemão. Medo.
Será que é culpa da indústria pornográfica de Hollywood? Estamos tão acostumados… Ok, desculpe te colocar na roda. Reformulando: estou tão acostumado aos bons jogos eróticos das telas norte-americanas que muitas vezes parece que só dá pra pensar em sacanagem se for em inglês.
Falando nisso, o Armandinho mesmo me revelou outro dia que sempre tem vontade de dizer “fuck”, “harder” e outras palhaçadas na cama. Claro que eu o aconselhei só fazer isso quando tiver muita intimidade com a pequena, pois certamente os dois vão cair na risada
Espanhol me parece caliente também, uma língua fogosa, meio molhada. Parece que tudo é meio palavrão, não parece? Cabrón, malecón, pija, chourizo, JLO. Talvez por nossa familiaridade com os latinos, a coisa toda com “fuerza” e “arriba” rola bem, com desenvoltura, tipo uma tourada mesmo, com gritinhos de olé e várias estocadas firmes.
Idem com o italiano. Ainda mais agora, com as supostas sacanagens e orgias do Berlusconi. Gritar um “avanti azurra” na hora do coito deve ser bacana. Avanti. Ciao, bella dona, Mônica Bellucci e tal. Tudo cheira sacanagem, como se os amantes estivessem sempre pelados na Fontana di Trevi.
Até mesmo o francês, que é meio metido a besta, é sexy pra caramba. Vejam bem, é sexy, mas não pornográfico.
Vendo outro dia o show de uma francesinha bem jeitosa, a Coralie Clément, eu me dei conta que a língua francesa é excitante. Mas um tanto chatinha se a gente escuta toda hora. Por isso os caras sempre discutem a relação. Culpa da língua. Tem um desgaste natural aí. Merci beacoup toda hora vira uma pentelhice. Por isso Godard só é bom da primeira vez. Depois fica pedante.
Agora, dizer que o alemão é a mais erótica de todas? Nie, nie.
A Imortal da Zona Norte e o Pablo (um japonês que tem o nome de Pablo e fala alemão, vejam vocês) conversam bem nessa língua tão filosófica. Preciso perguntar pra eles o que acham da tese do Foenkinos.
Pensando aqui, acho que a língua mais erótica é aquela que a gente domina mais ou menos, né não? Então meu voto é pra nossa língua portuguesa mesmo. A última flor do Lácio dá um belíssimo caldo. Tesão, por exemplo, é uma palavrinha danada de boa.
Qual é a sua língua preferida?
* Sempre tive curiosidade de conhecer a capital do Líbano por causa do gosto desse tipo de lanche. Em compensação nunca quis conhecer Bauru.
Hahahahahahhahahahahahahahahhahahahahahahahahah!!!
Gosto muito daqueles homenzarrões poloneses. Aqueles olhos azuis ‘penetrantes’
(100 duplo sentido) atentos esperando um gritinho:
_”kochanie, mógłby, kochanie!”
Parece-me bom…. hehehe
Bjok.
COMENTÁRIO:
Kochanie, móglby? Uau. E é bom, é? Poderia, por favor, traduzir pra gente? Ou é um tanto forte para o horário? Bjok.
Careca
Hahahaha…
SERIA, supostamente, um apelo, clemente… de uma atuação mais “viva e eficaz” por parte do rapazote. Hihi…se é que me entende!
COMENTÁRIO:
Opa, a gente entende. Esperemos que ele também. Abs,
Careca
Lieber Careca, das war sehr erotisch. Und komisch. Möchtest du mit mir ein bisschen Deutsch probieren?
COMENTÁRIO:
Uau, isso aqui está ficando interessante. Temos aí um “querido”, outro “erótico” e um… “engraçado”? Sabe que até começo a achar a língua alemã um tanto assanhada? Tradução? Ou vai nos deixar apenas na imaginação? Beijos,
Careca
Caro Careca
Já ouvi umas bobagens em inglês misturado a holandês - a língua mãe insiste em vir à tona. Muito engraçado também foi ouvir suspiros misturados a hebraico (do qual não entendo nada).
Enfim, mil vezes o português, pois tentar traduzir nessa hora é impossível. E lá se vai pelo ralo um dos maiores prazeres das mulheres: ouvir elogios obscenos….
Porém, tem que ser português do Brasil, pois se ouço um portuga dizer “estou a vir-me”, acho que caio na risado.
COMENTÁRIO:
Pô, ótimo depoimento. Até hebraico (que sempre me pareceu um tanto puro). E “estar a vir” é complicado para os brasileiros. Sempre. Abraços,
Careca
Pensando bem, as vezes pode ser bom não entender nada. não?
COMENTÁRIO:
Entender nada, beleza. Mas sentir medo? Bom, em muitos casos, beleza também. Abs,
Careca
Careca
“Estou a vir-me” soa estranho, mas afirmo com conhecimento de causa que eles têm palavrinhas bem obscenas e não tão brochantes pra nós, pobres brasucas.
Abraços
COMENTÁRIO:
Opa. Que bom. Você deu (com todo o respeito e sem trocadilho) sorte então. Tivemos a quem puxar. Abraços,
Careca
Huuu..
salve salve a nossa lingua BRASILEIRA pq
português.. é de portugual ué!
tem coisa mais gostosa que ouvir
elogios ou comentários
impublicaveis ao pé do ouvido( tem cisa mais brasileira?!) em bom Brasileirês?!
COMENTÁRIO:
Brasileirês é bom, hein. Um viva. Abs,
Careca
“Pensando aqui, acho que a língua mais erótica é aquela que a gente domina mais ou menos, né não?”
Disse tudo, Careca. Lingua mais erótica é aquela que agente compreende…melhor ouvir uma sacanagem no bom e claro português do que em alemão, frances ou italiano (pra quem não sabe nada delas)
COMENTÁRIO:
Sim. Tá, é bom ouvir sacanagem em qualquer língua, mesmo naquela você não entende. Mas se você dominar um pouco… Melhor, né não? Abraços,
Careca
Portuñol
é o melhor, nunca me esqueço da Antonela do BBB misturando as linguas. Dá até vontade de misturar com ela.