
Parodiando Nietzsche, o amor está morto e seu requiem é a missa confusa rezada nos sites e revistas de comportamento onde todos culpamos uns aos outros pela autoria desse crime. Não me venham dizer que a culpa é do homem, da mulher, dos gays ou de quem quer que seja. A culpa é nossa.
A culpa é de todos nós, que rumamos atabalhoadamente absortos nessa guerra pelo consumo, onde é o melhor aquele que mais tem, isto vale para o números de carimbos no seu passaporte, o número e extensão de suas propriedades e até mesmo o número de mulheres que você já teve, como se fosse impossível ser feliz tendo apenas uma única. Quem foi que disse?
Nunca a antiga oração católica em favor das almas encontradas no purgatório foi tão atual para celebrarmos o fim daquilo que nos unia em tono da crença na construção de um mundo mais justo: o bom e velho amor.
Sim, o amor ficou velho e agoniza em praça pública, ao som de Mozart, Verdi e Stravinsky, nos tornamos robôs e tentamos agora fazer com que os robôs se tornem humanos, quem sabe estes últimos não façam melhor uso do até então só nosso livre arbítrio?
Toda tecnologia , toda riqueza, todas as facilidades em vez de terem nos tornado pessoas melhores, mais generosas, mais amantes e mais amáveis parecem ter conspirado contra nós, tornando-nos mais mesquinhos, mais frívolos, mais mesquinhos, mais avarentos e cada vez mais detestáveis.
O amor deveria ser celebrado sempre, pois é ele que nos faz respeitar a natureza, antes mesmo dos bacanas inventarem Oscips e Ongs nossos avós, quando não “oriundi”, índios e negros, ex-escravos, já sabiam que a natureza era uma brisa divina lembrando-nos a todo isntante ame, pois você passa e o seu amor por aqui fica e cá estamos nós, fruto desse amor original e não pecado, pois como bem sabemos ele não existe ao sul do Equador.
Hoje, brigamos, matamos e muitas vezes até mesmo espezinhamos os outros para habitarmos apartamentos cada vez mais apertados e mais caros numa cidade cada vez mais cinza.Quem ganha?
Há uma sabedoria que não existe nos livros e nem nos empregos, mas que permeia a vida daqueles , que aos olhos pouco experimentados, poderiam ser chamados de menos abastados, que é reconhecer pura e simplesmente a dádiva de viver, que independe dos outros.
Ninguém é capaz de amar ao outro sem primeiro amar a si próprio. Por isso que os amores da juventude, muitas vezes são os mais arrebatadores, afinal existiu época em que você amou mais a vida e a viveu com tamanha intensidade?
Vez por outra encontro uma frase pichada nos muros de São Paulo que resume um pouco este texto, confesso que não de maneira muito singela, mas aí vai: “O amor é importante, porra!”
Essa frase é fantástica. Nada mais tradutor de um grito de desespero do que essa frase. É o grito do amor querendo mostrar que é necessário possuí-lo. Será que haveria um modo mais direto de expressar tal vontade do que mandando um sonoro palavrão?
Abraços, Vinícius.
COMENTÁRIO:
Vinícius,
Eu também achei essa frase fodástica!
Abs,
Gordo
Amar
1960 - ANTOLOGIA POÉTICA
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar,desamar, amar?
Sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade
Beijos, meu querido Gordo!
* Adorei o texto!
COMENTÁRIO:
Mari,
Ai, ai, ai, amei!
Beijos,
Gordo
Na contramão da contundência da frase citada (também a acho foda), tem uma outra que é essencial e quase-famosa:
“Mais amor, por favor.”
Pois é… E eu escuto (dia desses) de um ex que eu sou muito perfeita… Que ele gostaria que eu fosse mais leviana…
Tudo isso me provou uma teoria que eu e uma amiga temos a respeito dos homens: Quanto mais safada for e mais risco oferecer uma mulher, mais os caras se apaixonam e se interessam!! aaaaffff!!!!!
Isso é amor??
Tá tudo invertido!! Eu procuro viver de acordo com os meus valores, mas aí alguém me pede pra ser leviana??? Não, não… Sinto muito… Tenho mil defeitos, mas leviana é tudo o que eu não quero ser!
Se depender disso, to perdida! Ficarei pra tia meeesmo!! rss….
Beijo,
Irene
PS: Vamos fazer uma campanha?? “O AMOR É IMPORTANTE , PORRA!!”
COMENTÁRIO:
Irene,
Não sei não esse seu post parece aquelas frases de entrevista de processo seletivo de multinacional, saca? Qual o seu defeito? Ah, sabe sou perfeccionista.
Beijoi,
Gordo
Não, não…
Eu até pensei que essa conversinha dele de ser perfeita fosse aquela historinha tipo: não é vc, sou eu.” ou “vc merece alguém melhor que eu” (rs…), mas pensando que já faz um tempo que terminamos e que ele veio com com essa de que se eu fosse mais leviana, não pude pensar outra coisa! Eu não me acho perfeita! To longe disso! Mas sou trasnparente e procuro agir com as pessoas como gostaria que agissem comigo, por isso, tol onge de ser leviana e fiquei me perguntando WHATAFUCK??? rs… Não estou me auto-promovendo, Sr. Gordo, apenas comentando, ok?
Beijoca
COMENTÁRIO:
Irene,
Ok,ok, é que por aqui perdemos os amigos, mas nunca a piada, ok?
Beijim,
Gordo
Eu vi essa pichação no muro no caminho entre a minha casa e a universidade e era exatamente essa frase…acho que alguém leu seu texto antes de mim rsssss
Beijos,
COMENTÁRIO:
Não Juliana,
Eu também vi e postei aqui porque achei bom, viu?
beijoca,
Gordo
Gordo seu texto é uma sintese fantastica da loucura que estamos vivendo.
o que vc disse deveria ser ensinado nas escolas, igrejas e ser lido no Jornal Nacional
Parabens
COMENTÁRIO:
Alex,
Muito obrigado e continue conosco.
Abs,
Gordo
Ave!
Se me permitires, aqui vai (Ípsis literis, bom dizer):
“Eu poderia falar todas as línguas que são faladas na terra e até no céu, mas, se não tivesse amor, as minhas palavras seriam como o som de um gongo ou como o barulho de um sino. Poderia ter o dom de anunciar mensagens de Deus, ter todo o conhecimento, entender todos os segredose ter tanta fé, que até poderia tirar as montanhas do seu lugar, mas se não tivesse amor, eu não seria nada.”
P/ quem quiser ver na versão completa: I Coríntios, Cap. 13 - Hino ao amor Cristão.
Então, querido Gordo, acho que falta de um tudo e a começar pelo tal Amor Cristão, antes do amor de macho pela fêmea.
Sábias palavras, as tuas. E aquela plagiada tbm, vai.
Abraços,
L
COMENTÁRIO:
Leandro,
Não sei não, esse tal de amor cristão começa bonito em verso e termina ou em prosa chata e interminável ou em sangue, não acha não?
Abs,
Gordo
Gordo,
acho o contrário, que por meio dele se encontra um amor que se renova a cada dia. Também não dá p/ sair por aí propondo tal amor se, pelo menos, uma das partes não apresentar um mínimo de inclinação a viver a experiência. E ainda há de se ter boa vontade para que juntos amadureçam. Mas vem cá, tchê, só quero que exista mais amor verdadeiro, pois hj um amor fajuto e muito perigoso está sendo vendido para as nossas pequenas moçoilas ainda em tenra idade.
Bem, não vou estender a milonga. Um ótimo feriado, com muito sol e amor!
Abraços,
L
COMENTÁRIO:
Leandro,
Sei lá, acho que em tempos de crise até amor fajuto é melhor do que desamor, será?
Abs,
Gordo