
Cadê o Armandinho quando tenho um conselho útil pra dar? Esse nobre sujeito está desaparecido dos bares, cinemas e ruelas estreitas já faz algumas semanas. Ah, que tristeza entrar em contradição. Mas nunca pensei que sentiria falta de suas lamúrias e histórias fantasiosas.
Da última vez em que nos encontramos, o danado disse que estava abandonando a caça amorosa, que nunca iria encontrar sua metade da laranja (nem do limão, pêra ou maçã), que odiava muito tudo isso, que o mundo conspirava contra seus sentimentos mais lúdicos e bonitos etc. e tal.
Pois aí vai um recado pra toda essa turma meio desesperada, que está cansada de procurar o amor, o tesão e a alegria: leiam “O Andar do Bêbado”, de Leonard Mlodinow.
Rapaz, é o melhor livro de auto-ajuda dos últimos anos. E olhem que odeio o termo auto-ajuda (apesar de ter sido inventado pelos fofinhos filósofos gregos, hoje esse gênero soa terrivelmente capenga).
Mlodinow é doutor em física pela Universidade da Califórnia, Berkeley, e já escreveu um livro com Stephen Hawking (aquele da casca de noz). Agora quer ver como te convenço que o cara é fera? Ele também colaborou nos roteiros das séries “MacGyver” e “Star Trek: The Next Generation”.
Pô, dá pra não escutar os conselhos de um pilantra que pensou em como o MacGyver poderia destruir o planeta usando um clipe, dois elásticos e um pouco de nitrato de sódio?
Basicamente, no livro “O Andar do Bêbado”, Mlodinow nos mostra que muitas coisas nas nossas vidas são tão previsíveis quanto o próximo passo de um sujeito embriagado.
O negócio é o seguinte: temos que confiar mais no acaso, na sorte. E menos nas estatísticas.
Deus não joga dados, mas Inri Cristo é bom pra cacete na sinuca. Então temos que confiar nos buracos certos.
Tem muita gente que lê os números e acha que o padrão está correto. Ficam presos nas estatísticas, na frieza dos planos cartesianos (sinceramente, não sei direito o significado da frase anterior).
De qualquer maneira, se fosse assim, o Palmeiras já teria vencido esse campeonato. É o melhor time, cacete.
Quem diria há algumas rodadas que o Flamengo do Adriano estaria beliscando uma Libertadores?

Aí volto para o Armandinho. Ele justamente mencionou sua desistência da vida porque das últimas 12 namoradas, nenhuma tinha vingado.
O que fazer? Estava comprovado pelos números. Matematicamente registrado: 100% de falha nos relacionamentos.
Não tem Elizabeth Taylor ou Barba Azul capaz de superar a tragédia amorosa do querido Armando.
Então, pra que tentar de novo?
Pois é isso que o danado do Mlodinow nos faz questionar.
Porque existe o acaso, a sorte, Armandinho. As coisas não são assim tão fáceis de prever, pô.
O livro segue enfileirando exemplos nos esportes, cinema, medicina, economia, sempre mostrando que tem muita coisa determinada em larga medida por eventos imprevisíveis.
E não é que as situações são assim mesmo?
Por isso não adianta você escapar daquela festa hoje porque acha que a maré não está sendo boa nos últimos cem dias. Bah. Danem-se os efeitos abrasivos do raciocínio lógico.
Lembro de todas as vezes que saí por aí, cão sem dono, à procura da batida perfeita, do encontro amoroso fatal, da tampa da panela.
Segundo estatísticas, eu poderia desfrutar de uma companhia agradável em determinados dias e lugares, seguindo perfis, usando as palavras certas, confiando nos números.

Nada aconteceu em nenhum desses momentos. Nada, meu povo. Secura de sentimentos.
Até que um dia, tão bêbado quanto o andarilho que dá titulo ao livro do Mlodinow, tropecei numa pequena encantadora e definitiva. Pura sorte. Justamente num dos piores momentos, quando tinha enfrentando a fúria de mil devaneios e pesadelos.
E pensem que foi um amor assim, rápido? Nada. Ao contrário de tudo, seguindo nosso mais novo mestre, o Mlodinow, eu confiei no… Quer saber? Tô com o Martinho: deixa a vida me levar/ vida leva eu.
Claro, o autor explica direitinho que devemos estar de olho, não desprezar totalmente os gráficos e probabilidades, mas que é bom estar de peito aberto para a aventura do acaso, isso é.
Então, Armandinho, por favor, volte para o mercado.
Como disse o elegante Matthew Shirts em sua crônica no “Estadão” a respeito desse mesmo livro, a gente só acerta quando tenta. E quanto mais vezes a gente erra, também mais chances temos de acertar.
O negócio é viver, moçada, sem medo de quebrar a cara.
Esta aí um físico e nerd ensinando muitos solitários a continuarem suas eternas buscas pela felicidade perdida.
Não desanimem. E deixem as estatísticas um pouco de lado.
(E bebam um tanto, é claro.)
Olá Careca,
O Armandinho tá precisando é entender que a felicidade quem tem que sentir é a gente, não podemos jamais projetar a nossa alegria, paz, tristeza, inquietações e necessidades no outro, sendo assim eu tenho a ousadia de dizer que NÃO EXISTE a tampa da panela, metade da laranja e coisas do tipo. Somos únicos, ninguem completa ninguem por completo, por isso ninguem é capaz de nos dar felicidade a não ser nós mesmos, isso se chama liberdade.
COMENTÁRIO:
Armandinho agradece a dica. Abraços,
Careca
Concordo.
Até pq existem as frigideiras…totalmente sem tampa! aff
Gostei do comentário, mas complementando o que disse, é que não existe um par perfeito pra gente, esperando em algum lugar da vida. Claro que não existe a tampa da panela perfeita pra gente, mas a gente se vira pra tampá-la, não é? As frigideiras são um exemplo disso. Agora até achar alguma tampa que se adaptea ela, vai tempo e, principalmente, paciência.
Deixa a vida me levar e do excelente boêmio Zeca Pagodinho um dos mais “amaveis” da nossa múcia brasileira.
Não vou me repetir!
ADOREI!!! rss…
Beijocas,
Irene
Gente, que perfeito esse careca. Que dó do Armandinho….pena não conhecê-lo!
; )