Macho pero no Mucho
 
  Procurar no site:  
 

Rock'n roll

26/10/2009 - 22h16

Encontrar alguém não é preciso

Cadê o Armandinho quando tenho um conselho útil pra dar? Esse nobre sujeito está desaparecido dos bares, cinemas e ruelas estreitas já faz algumas semanas. Ah, que tristeza entrar em contradição. Mas nunca pensei que sentiria falta de suas lamúrias e histórias fantasiosas.

Da última vez em que nos encontramos, o danado disse que estava abandonando a caça amorosa, que nunca iria encontrar sua metade da laranja (nem do limão, pêra ou maçã), que odiava muito tudo isso, que o mundo conspirava contra seus sentimentos mais lúdicos e bonitos etc. e tal.

Pois aí vai um recado pra toda essa turma meio desesperada, que está cansada de procurar o amor, o tesão e a alegria: leiam “O Andar do Bêbado”, de Leonard Mlodinow.

Rapaz, é o melhor livro de auto-ajuda dos últimos anos. E olhem que odeio o termo auto-ajuda (apesar de ter sido inventado pelos fofinhos filósofos gregos, hoje esse gênero soa terrivelmente capenga).

Mlodinow é doutor em física pela Universidade da Califórnia, Berkeley, e já escreveu um livro com Stephen Hawking (aquele da casca de noz). Agora quer ver como te convenço que o cara é fera? Ele também colaborou nos roteiros das séries “MacGyver” e “Star Trek: The Next Generation”.

Pô, dá pra não escutar os conselhos de um pilantra que pensou em como o MacGyver poderia destruir o planeta usando um clipe, dois elásticos e um pouco de nitrato de sódio?

Basicamente, no livro “O Andar do Bêbado”, Mlodinow nos mostra que muitas coisas nas nossas vidas são tão previsíveis quanto o próximo passo de um sujeito embriagado.

O negócio é o seguinte: temos que confiar mais no acaso, na sorte. E menos nas estatísticas.

Deus não joga dados, mas Inri Cristo é bom pra cacete na sinuca. Então temos que confiar nos buracos certos.

Tem muita gente que lê os números e acha que o padrão está correto. Ficam presos nas estatísticas, na frieza dos planos cartesianos (sinceramente, não sei direito o significado da frase anterior).

De qualquer maneira, se fosse assim, o Palmeiras já teria vencido esse campeonato. É o melhor time, cacete.

Quem diria há algumas rodadas que o Flamengo do Adriano estaria beliscando uma Libertadores?

macgyver

Aí volto para o Armandinho. Ele justamente mencionou sua desistência da vida porque das últimas 12 namoradas, nenhuma tinha vingado.

O que fazer? Estava comprovado pelos números. Matematicamente registrado: 100% de falha nos relacionamentos.

Não tem Elizabeth Taylor ou Barba Azul capaz de superar a tragédia amorosa do querido Armando.

Então, pra que tentar de novo?

Pois é isso que o danado do Mlodinow nos faz questionar.

Porque existe o acaso, a sorte, Armandinho. As coisas não são assim tão fáceis de prever, pô.

O livro segue enfileirando exemplos nos esportes, cinema, medicina, economia, sempre mostrando que tem muita coisa determinada em larga medida por eventos imprevisíveis.

E não é que as situações são assim mesmo?

Por isso não adianta você escapar daquela festa hoje porque acha que a maré não está sendo boa nos últimos cem dias. Bah. Danem-se os efeitos abrasivos do raciocínio lógico.

Lembro de todas as vezes que saí por aí, cão sem dono, à procura da batida perfeita, do encontro amoroso fatal, da tampa da panela.

Segundo estatísticas, eu poderia desfrutar de uma companhia agradável em determinados dias e lugares, seguindo perfis, usando as palavras certas, confiando nos números.

bebado

Nada aconteceu em nenhum desses momentos. Nada, meu povo. Secura de sentimentos.

Até que um dia, tão bêbado quanto o andarilho que dá titulo ao livro do Mlodinow, tropecei numa pequena encantadora e definitiva. Pura sorte. Justamente num dos piores momentos, quando tinha enfrentando a fúria de mil devaneios e pesadelos.

E pensem que foi um amor assim, rápido? Nada. Ao contrário de tudo, seguindo nosso mais novo mestre, o Mlodinow, eu confiei no… Quer saber? Tô com o Martinho: deixa a vida me levar/ vida leva eu.

Claro, o autor explica direitinho que devemos estar de olho, não desprezar totalmente os gráficos e probabilidades, mas que é bom estar de peito aberto para a aventura do acaso, isso é.

Então, Armandinho, por favor, volte para o mercado.

Como disse o elegante Matthew Shirts em sua crônica no “Estadão” a respeito desse mesmo livro, a gente só acerta quando tenta. E quanto mais vezes a gente erra, também mais chances temos de acertar.

O negócio é viver, moçada, sem medo de quebrar a cara.

Esta aí um físico e nerd ensinando muitos solitários a continuarem suas eternas buscas pela felicidade perdida.

Não desanimem. E deixem as estatísticas um pouco de lado.

(E bebam um tanto, é claro.)



por Careca

Outros artigos:
« “Não somos o que deveríamos ser, não somos o que queríamos ser, não somos o que iremos ser, mas, graças a Deus, não somos o que éramos”
Encontrar alguém é fundamental »

Envie este artigo por e-mail

6 Comentários »

Antonio
2009-10-27 10:13:56

Olá Careca,
O Armandinho tá precisando é entender que a felicidade quem tem que sentir é a gente, não podemos jamais projetar a nossa alegria, paz, tristeza, inquietações e necessidades no outro, sendo assim eu tenho a ousadia de dizer que NÃO EXISTE a tampa da panela, metade da laranja e coisas do tipo. Somos únicos, ninguem completa ninguem por completo, por isso ninguem é capaz de nos dar felicidade a não ser nós mesmos, isso se chama liberdade.

COMENTÁRIO:
Armandinho agradece a dica. Abraços,
Careca

Ana Carolina
2009-11-01 10:52:31

Concordo.

Até pq existem as frigideiras…totalmente sem tampa! aff

Antonio
2009-11-02 23:24:45

Gostei do comentário, mas complementando o que disse, é que não existe um par perfeito pra gente, esperando em algum lugar da vida. Claro que não existe a tampa da panela perfeita pra gente, mas a gente se vira pra tampá-la, não é? As frigideiras são um exemplo disso. Agora até achar alguma tampa que se adaptea ela, vai tempo e, principalmente, paciência.

 
 
 
Edson dos Santos
2009-10-27 15:42:04

Deixa a vida me levar e do excelente boêmio Zeca Pagodinho um dos mais “amaveis” da nossa múcia brasileira.

 
Irene
2009-10-27 23:00:28

Não vou me repetir!
ADOREI!!! rss…

Beijocas,

Irene

 
may
2009-10-28 12:25:12

Gente, que perfeito esse careca. Que dó do Armandinho….pena não conhecê-lo!
; )

 

Todos os comentários passam por moderação, portanto não aparecerá assim que for enviado.

Nome (obrigatório)
Email (required - never shown publicly)
 


Newsletter

Digite seu mail aqui para receber o boletim MPNM



 
Novos artigos (RSS) | Anuncie no Macho pero no Mucho | site produzido por REC

Página principal | Sexo | Drogas | Rock'n roll | "Deu" na mídia | Frases | Equipe | Enquetes | Blog | Chat